Eu, Cameo

Para aqueles que não são versados na gíria cinematográfica, explico que um cameo diz respeito a uma pequena participação surpresa de um protagonista das artes num programa de tv, filme ou vídeo musical. A linha que separa a participação cameo de uma participação especial é ténue, mas diferenciada pela inclusão do nome do artista nos créditos iniciais (de outro modo estragaria a surpresa, não é verdade?). Que comece o compêndio de cameos.

Alguns cameos são presenças sem falas, outros têm diálogo ou uma frase. Alguns representam-se a si próprios numa realidade alternativa, outros surgem como personagens que desempenharam em filmes ou séries de tv que de algum modo estão ligados ao contexto. Não há limites nem regras, é um pouco vale tudo, desde que contenha o elemento surpresa e o efeito cómico também. Alfred Hitchcock foi um dos primeiros cineastas a explorar esta coisa do cameo, surgindo amiúde nos seus filmes.
Bruce Willis
“Mad About You” (TV)

No episódio em que Jamie dá entrada no hospital para ter o bebé, Paul embarca numa odisseia para trazer a aliança da esposa que ficou esquecida no apartamento. Ao regressar depara-se com um aparatoso dispositivo de segurança devido à hospitalização de Bruce Willis depois de um acidente na filmagem do seu último filme: “Die Already”. Uma clara graçola à franchise, com a conivência de Willis (na altura a filmar “Doze Macacos”), absolutamente hilariante, satirizando o seu personagem do durão desbocado John Maclaine.

Anos mais tarde, Willis participa, como ele próprio, em “Ocean’s 13“, confrontando-se com a personagem Tessa, protagonizada por Julia Roberts, fazendo-se passar por…. Julia Roberts! Sim, é confuso, mas bem explicadinho soa assim: Julia Roberts interpreta a personagem de Tessa que, levando a cabo, um esquema, faz-se passar pela actriz Julia Roberts.

Pearl Jam
“Singles”

A carta de Amor de Cameron Crowe à cidade de Seattle resulta numa extraordinária banda sonora que, não só reflecte a década de noventa, como inclui participações dos músicos que definiram a cena musical de Seattle. A mais curiosa, os três elementos dos Pearl Jam, aqui como companheiros da banda de Cliff (Matt Dillon), os Citizien Dick. Outros cameos incluem, o próprio realizador, Chris Cornell dos Soundgarden e Tim Burton.

Bruce Springsteen
“High Fidelity”

Quando Rob Gordon (Cusack) deambula sobre a possibilidade de falar com todas as suas ex-namoradas para perceber o que falha nas suas relações, remete para uma canção de Bruce Springsteen. Qual não é o nosso espanto quando o Boss, ele próprio, improvisa pérolas de sabedoria dedilhando a sua guitarra.

Alice Cooper
“Wayne’s World”

Quando se fala em Alice Cooper, imaginamos algo decadente, macabro, obscuro e até sanguinário. Quando Wayne e Garth, de acreditação Livre Acesso em riste, entram no camarim de Cooper, não estão preparados para a presença serena e algo didáctica de tão visualmente assustador performer. E nós também não, daí a piada. A realizadora Penelope Spheeris confessou que, inicialmente pensou, em Ozzy Osbourne para o papel, mas este rejeitou. O futuro ditaria que o público veria igualmente Ozzy num ângulo bem diferente daquele que estamos habituados.

Steven Spielberg, Tom Cruise, Gwyneth Paltrow, Britney Spears, Kevin Spacey, Danny DeVito
“Austin Powers – Golden Member”

A predilecção das aventuras do espião Austin Powers, está na justificação para a incrível parada de artistas que brindam os créditos iniciais do terceiro filme da saga Austin Powers. Primeiro um spoof do spoof que são as aventuras do espião de Sua Majestade preso da década errada. De seguida de um making of com direito a ver os seios de Britney Spears a disparar rajadas de munição.

Harrison Ford
“E.T – Extra – Terrestrial”

Aqui está um cameo muito bem disfarçado, são poucos os que reconhecem a figura e voz de Harrison Ford como o professor de Elliot na sequência da dissecação dos sapos. Ford aparecia noutra cena, que acabou por ser cortada, mas pode ser vista no DVD.

Cher
“Will & Grace” (TV)

Esta série teve inúmeras e frutíferas participações especiais, ou os actores protagonizavam personagens ou interpretam si mesmas. Este cameo de Cher é inesperado e não seria o único na série. Engraçado como Jack, fã número um de Cher, a ignora por completo, tomando-a por um travesti muito bem disfarçado.

Matt Damon Ben Affleck Gus Van Sant
“Jay & Silent Bob”

O filme é mau e talvez Matt Damon e Ben Affleck o soubessem mas, como o primeiro diz no filme “quem manda dever favores a amigos?!”. Este é o melhor momento do filme. A cena diz respeito à filmagem de uma suposta sequela de “Good Will Hunting”, dirigida (ou não) por Gus Van Sant.

Robert Patrick
“Wayne’s World”


Um bom exemplo de cameo, com Robert Patrick a bisar a arrepiante personagem de T1000 em Terminator – Judgment Day que ainda estava fresquinha na memória dos espectadores aquando a estreia de Wayne’s World em 1992.

Brad Pitt & Matt Damon
“Confessions of a Dangerous Mind”

O poder de influência de George Clooney, não só consegue contratar Julia Roberts por uma nota de 20 dólares, como “pesca” estes dois belos cromos, na realização do seu primeiro filme.

Michael Jackson
Men in Black

Michael Jackson, um alien a requisitar um lugar como agente MIB. Realidade ou ficção?! Apenas um cameo muito bem pensado.

Keith Richards
“Pirates of the Caribbean – At World’s End”

Quando Johnny Deep confessou ter baseado o seu personagem de Jack Sparrow no legendário guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, estava longe de imaginar que ele aceitaria interpretar o seu pai no terceiro filme da saga Piratas das Caraíbas. Quanto ao espectador, foi uma surpresa já anunciada, mas talvez a surpresa maior foi saber que Richards partiu a cabeça ao cair de um coqueiro quando estava no local da filmagem. Há pessoas que mais parecem personagens de filme e Keith Richards é uma dessas pessoas.

Marshall McLuhan
“Annie Hall”

O que faz um estudioso da comunicação num filme de Woody Allen? Ajuda a provar um ponto de vista. Parafraseando Woody Allen ” Se ao menos a vida real fosse assim…”

Michael Jackson: Liberian Girl (Video clip)

O obsceno número de cameos no videoclip de um dos singles do álbum Bad, não só impede a menção a todos os artistas (cantores, actores, realizadores, produtores) nele incluídos, como me atrevo a caracterizar este clip como um enorme cameo em forma de vídeclip.

Os realizadores, volta e meia, gostam de meter uma perninha na interpretação, ou por piada ou por falta de casting. Peter Jackson é daqueles que raramente falha um cameo.

Também Martin Scorcese

Kiss Kiss Bang Bang

Pauline Kael, uma conhecida crítica de cinema, deu à sua colecção de ensaios o título de “Kiss Kiss Bang Bang”. Escreveu na introdução que havia emprestado o título a um cartaz de cinema italiano e que a frase resume o apelo básico do cinema – beijos e tiros. Por mais refutável que seja a afirmação, é inegável o fascínio que o cinema remete para o beijo cinematográfico. Se eu fosse o Alfredo de “Cinema Paraíso”, este seria o compêndio visual que deixaria a Toto.

Drew Barrymore + E.T (E.T- Extra Terrestrial)

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Um beijo é, usualmente, prelúdio de uma arrebatadora paixão mas também pode ser a elevação de um amor tão puro que não conhece barreiras. Este não foi o primeiro beijo de ecrã que vi, tinha na ideia os clássicos a preto e branco, mas a imagem da Gertie a beijar o E.T, antes deste partir, ficou para sempre tatuada na memória.

 Christian Slater + Patricia Arquette (True Romance)

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Beijos lascivos fotografados em contra luz foi, durante muito tempo, a imagem de marca de Tony Scott. Fê-lo em “The Huger”, “Top Gun” , “Revenge”, “Days of Thunder” e o filme protagonizado pelo meu actor fetiche da adolescência: Christian Slater e Patricia Arquette. True Romance é uma história de amor com o carimbo Quentin Tarantino, contudo, penso que não seria filmado com a mesma intensidade passional fosse ele o realizador. No comentário áudio de Top Gun, o mais novo irmão Scott, explica que era o “modus operanti” de filmar cenas de amor daquela altura mas, o que Tony filma; no quarto, cama, cabine telefónica, consultório médico, carro, água, sai sempre bem.

Leonardo Di Caprio + Claire Danes (Romeo + Juliet)

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Baz Luhrmann capta na perfeição a paixão inocente, mas avassaladora de Julieta e o do seu Romeu. Apaixonam-se através de um vidro de aquário ao som de  “Kissing you” de Desireé mas beijam-se no elevador ao som dos Garbage: “#1 Crush”. A câmara rodopia a 360 graus em câmara lenta. Imagem de marca de Baz e ele fá-lo bem, caramba!

 Ewan McGregor + Cameron Diaz (Life Less Ordinary)

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Celine: What’s wrong?
Robert: What’s wrong, you crazy bitch, is I thought you were gonna shoot me! THAT’S what’s wrong!

Celine toma as rédeas do seu próprio rapto e surpreende Robert com um inesperado beijo após um assalto a uma loja de conveniência. O amor filmado por Danny Boyle nunca é banal mas visualmente perfeito.

Ralph Fiennes + Angela Basset (Strange Days)

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Lenny e Mace dispersam por entre a multidão no primeiro dia de 2000. Ela segue de carro para a esquadra, ele afastando-se, percebe que está apaixonado por ela e volta para trás. Bate no vidro, puxa-a de dentro do carro olhando profundamente nos seus olhos. Ouve-se “Fall in the Light”de Lori Carson e Graeme Revell, caem confettis. Um final feliz reminiscente com aquele dos filmes de John Hughes, quando o gajo finalmente percebe que está apaixonado pela amiga e não a cabra da outra gaja.

Vicent Perez + Isabelle Adjani (La Reigne Margot)

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Quando La Môle descobre que a mulher mascarada é a Rainha Margot “Cette qui l’aime comme se venge”. Vicent Perez parece um anjo. Devia de ser proibido os homens serem assim tão bonitos.

Val Kilmer + Joanne Whalley (Willow)

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Impregnado de pó de “corações despedaçados”, Madmartigan entra na tenda de Sorcha para resgatar a bebé Elora e acaba por declarar-lhe amor eterno. São surpreendidos e antes de escapar Madmardigan rouba um beijo à moda dos grandes clássicos de capa e espada. Tensão sexual entre guerreiros de sexos opostos – Hans Solo e Princesa Leia part II, num reino far…far away.

Matt Damon + Minnie Driver (Good Will Hunting)

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Skylar: You were hoping for a goodnight kiss.
Will: No, you know. I’ll tell ya, I was hoping for a goodnight lay, but I’d settle for a good night kiss.

Diane Lane + Michael Paré (Streets of Fire)

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Lane e Paré, belíssimos neste musical de acção (soa estranho mas é muito bom). Cody diz a Ellen:“You know, no one ever had a hold on me like you did. I would have done anything for you. A long time ago I would have thought you were worthy of it. Not anymore, babe.Sai porta fora, chove intensamente. Ela segue-o e pergunta “What did I do to you that was so wrong?! e beijam-se.

Jena Malone + Hayden Christensen (Life as a House)

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A obstinada Alyssa entra no duche de Sam para perceber se os rumores de homossexualidade dele são verdadeiros. Certo.

Alyssa Look, I thought I was helping you.
Sam: It would help me if I could kiss you.
Alyssa: No. Look I thought we were just friends.
Sam: Well, what you think you know doesn’t necessarily have much to do with reality. I mean I hope I’m not the first one to tell you this.

Zach Braff + Natalie Portman (Garden State)

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AMO esta cena. Argumentistas de Hollywood, ponham os olhos neste timing para um beijo cinematográfico com mais arrebatamento que fogo de artifício. Large grita para o fundo do precipício afogando toda inércia da sua vida, tomando o rosto de Sam nas suas mãos e beijando-a sob chuva torrencial.Lindo!
Ethan Hawke + Gwyneth Paltrow (Great Expectations)

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Visual e musicalmente perfeito, a adaptação moderna do livro de Charles Dickens com o mesmo título é o melhor filme de Alfonso Cuarón. A química entre Hawke e Paltrow extravasa o ecrã e o beijo surpresa no repuxo mostra o verdadeiro sentido de “beijo molhado”.

Josh Hartnett + – é indiferente!- (na foto) Diane Krueger (Wicker Park) /Kirsten Dunst(Virgin Suicides) / Laura Harris (The Faculty)

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Josh Hartnett poderia até beijar uma parede, o vazio ou um rinoceronte, surtiria o mesmo efeito. Sofia Copolla captou a mística libidinosa de Hartnett na perfeição, pondo-o a percorrer, em câmara lenta, um corredor de liceu ao som de “Magic Man” dos Heart. A ala feminina suspira e nem sequer um beijo é trocado. É tudo, altura, olhar, postura, mãos. Efeito ‘crescendo’ quando inclui beijo 

Keanu Reeves + – é indiferente!- (na foto)Lori Petty (Point Break) / Charlize Theron (Devil’s Advocate) / Cameron Diaz (Feeling Minnesota)

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No ecrã, Keanu já beijou mulheres e homem e dá-me o mesmo tesão (desculpem, fui muito directa?!) Monica Bellucci mencionou que beijou Keanu Reeves 20 vezes numa cena de “Matrix – Reloaded” e adorou cada minuto pois “o Keanu beija muito bem”.

Richard Gere + -é indiferente!- (na foto) Debra Winger (Officer and a Gentleman) /Valerie Kaprisky (Breathless)

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Confesso que não sou fã do Richard Gere, mas que este homem sabe beijar no grande ecrã, sabe. Aprendam com o mestre. A idade passa por ele mas não o dom ósculativo que continua vivo e de boa saúde..

Michael Douglas + Kathleen Turner (Romancing the Stone)

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Michael Douglas outrora foi uma bomba sexual dentro e fora dos ecrãs. Presentemente apenas expressa o seu potencial à sra. Douglas, Catherine Zeta-Jones, à porta fechada, mas fica aqui a recordação do melhor beijo dos anos 80 com a partenaire Kathleen Turner.

Adrien Brody + Halle Berry (Cerimónia dos Óscares 2003)

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Bem sei, tecnicamente não é um beijo cinematográfico porque aconteceu em tempo real, em directo, em frente de milhões de espectadores. Quem assistiu sabe que não há beijo mais arrebatador que aquele que apanhou de surpresa Halle Berry.

Obrigado, Óscar

É já hoje a cerimónia que todo o cinéfilo convicto fica acordado para ver. A noite da Cerimónia dos Óscares, premeia os melhores do ano do Cinema, nas categorias interpretativas (e técnicas), mas aquele que sobe ao pódio para receber a estatueta dourada de nome Óscar é igualmente avaliado pelo discurso de aceitação. Alguns desses discursos de tal modo populares que atingem a imortalidade ao fazerem parte do léxico da cultura cinematográfica. Eis alguns exemplos que Cecil Worthington, figura secreta dentro da Academia, gostaria de ignorar.

Adrien Brody
Óscar Melhor Actor por “The Pianist”

Segundo o colunista Ross Moulton da revista Parade, proferir o discurso perfeito é como misturar um cocktail: “uma parte humor, duas partes sinceridade, uma pitada de lágrimas (facultativo) e agitar bem. Por outras palavras: breve e eficaz e ter o público na palma da mão”. Na cerimónia de 2003, Adrien Brody proferiu o discurso perfeito e protagonizou o momento mais inesquecível das precedentes cerimónias. Em total delírio de alegria beijou Halle Berry comme il faut, galante como só ele. Não só isso como teve uma plateia a aplaudi-lo de pé (incluindo os outros nomeados que haviam confessado estar a torcer por Brody).  Ainda interrompeu o corte da orquestra com uma firmeza humilde para proferir uma mensagem de paz, no ano que que os Estados Unidos avançavam para a guerra no Iraque. Nem todos se lembram desse último pormenor, mas lembram-se do beijo a Halle Berry.

Repercussão: Durante um ano inteiro, Brody esteve na berlinda como aquele que beija tudo e todos e vários sketches de comédia, no MTV Movie Awards e Saturday Night Live focaram isso mesmo. O actor voltou à cerimónia no ano seguinte para apresentar a categoria de Melhor Actriz e veio prevenido.

Cuba Gooding Jr.

Óscar Melhor Actor Secundário por Jerry Maguire

Cuba Gooding Jr é recordado como o mais entusiástico vencedor da estatueta dourada. Feliz, mas contido nos agradecimentos iniciais, é impulsionado pelo corte da orquestra como um boneco de mola, agradecendo à população em geral. Aqueles a quem não teve tempo de saudar pelo seu nome, gritou AGRADEÇO A TODOS, pulando esfuziante de alegria pelo palco. Os anos (e as suas escolhas) não foram carinhosas para a sua carreira, mas Cuba Jr. será sempre recordado pelo seu papel vencedor em Jerry Maguire e a frase: “Show me the money”.

Repercussão: No ano seguinte, Ben Affleck e Matt Damon agradeciam a Cuba Gooding Jr. por lhes ensinar a fazer discursos, isto porque estavam igualmente eufóricos a tentar agradecer meio mundo.

Jack Palance

Óscar Melhor Actor Secundário por “City Slickers”

Jack Palance era um actor da velha guarda e poucos colocaram em causa o merecimento do galardão máximo do cinema, tendo em conta a extensível carreira. Contudo, ninguém imaginava que Palance, septuagenário, subisse ao palco e surpreendesse com as suas capacidades físicas e um grande timing cómico.

Repercussão: Minutos após o seu discurso de agradecimento, os telefones da agência que representava o actor não pararam de tocar com propostas mirabolantes, as mais consistentes sendo de produtores que queriam Palance nos seus vídeos de exercício físico. Billy Crystal aproveitou a deixa e deu a Jack Palance um papel de destaque na abertura dos Óscares do ano seguinte

Roberto Benigni

Óscar Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Actor Principal por La Vita é Bella

Sendo italiano, com um mínimo conhecimento da língua inglesa, não se pode dizer que foi um discurso eloquente, mas foi exuberante em comicidade. Roberto Benigni saltou para cima da cadeira esbracejando a vitória com braços no ar e confessando ingenuamente (pelo segundo Óscar) que já tinha usado todo o inglês que sabia. A melhor frase da noite, para além do bonito agradecimento à sua família e mulher, foi: “I want to make love to everybody!”

Repercussão: No ano seguinte, ainda se falava na contagiante presença de Roberto Benigni que se manteve sossegado na cadeira durante a cerimónia, Billy Crystal, o apresentador desse ano não perdeu a oportunidade de lembrar o saltitante  italiano.

Sally Field
Óscar Melhor Actriz Secundária por “Places of the Heart”

O segundo Óscar para a actriz Sally Field foi o mais memorável para si, segundo as suas palavras, e igualmente o público que nunca esqueceu o ingenuamente honesto: “I can’t deny the fact that you like me, right now, you like me!”

Repercussão: Field foi gozada em vários meios de comunicação pelo desabafo, mas a própria parodiou a frase resumida (erradamente) a “You like me, you really like me” num anúncio e igualmente na sua introdução dos nomeados para Melhor Actor na cerimónia do ano seguinte, mostrando o desportivismo do seu sentido de humor. Anos mais tarde, a frase continua a figurar no imaginário televisivo e também Billy Crystal a usou numa montagem introdutória.

Nota: Em título de curiosidade, no vídeo em link, em 1m30s conseguem ver a então adolescente Angelina Jolie ao lado do pai Jon Voight.

Anfitriões dos Óscares

É já na madrugada de Domingo para segunda, 26 de Fevereiro, que os Óscares celebram a sua 89ª edição. Da primeira e privada cerimónia no salão do Roosevelt Hotel em 1929 até à transmissão televisiva, com uma audiência de milhões, sobressaem um naipe de anfitriões destacados para animar a noite mais importante do Cinema. Eis a sua herança.

BOB HOPE
1940 a 1943 1944, 1946/53/55/58/59 (co-anfitrião), 1960 a 1962, 1965 a 1968 e 1978

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O rei dos anfitriões que guarda o recorde supremo como anfitrião (um total de 19 vezes), Bob Hope é o genuíno sr. entretenimento, habituado a animar as hostes desde os seus tempos de locutor de rádio o que explica o seu a-vontade e favoritismo. Apresentou a cerimónia na passagem do preto e branco para a emissão a cores, estendendo-se por quatro décadas e pela sua contribuição ganhou um prémio honorário em 1966.

Imagem de Marca: Bob Hope era um performer nato, artista do vaudeville, da Broadway e da rádio, tinha um incrível sentido cómico e excedia no improviso.

JOHNNY CARSON
1979 a 1982 e 1984

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O sr. televisão, conhecido e amado apresentador do Tonight Show fez a sua transição para o universo de apresentação de prémios cinematográfico na década de 80. Numa época em que poucos ligavam à transmissão da cerimónia com a sua interminável duração e inusitados número musicais que se estendiam até à exaustão, Carson foi um oásis cómico e o terceiro anfitrião que mais vezes o fez num total de cinco vezes.

Imagem de Marca: nada lhe escapa e tem um timing inato de quem já está habituado a apresentar e conhece bem o seu público.

BILLY CRYSTAL
1990, 1991, 1992, 1993, 1997, 1998, 2000, 2004 e 2012

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Billy Crystal deu início à jornada anfitriã no início da década de 90, numa altura em que a Cerimónia assistia a um decréscimo de audiência. O seu desempenho como mestre de cerimónias dos Óscares foi de tal modo bem sucedido que marcou presença um total de nove vezes, estendo-se por década e meia directamente. A sua última presença como mestre de cerimónias não foi particularmente auspiciosa, talvez por ter sido uma escolha de emergência dado o azedume criado pelas declarações menos elegantes do director escolhido pela Academia para esse ano, Brett Ratner. Consequentemente o anfitrião Eddie Murphy declinou e Crystal foi trazido para salvar a Academia.Está a par de Bob Hope na excelência, secundado no número de vezes que apresentou. É sem dúvida o mais lembrado da minha geração e ganhou três prémios Emmy pela sua apresentação da Cerimónia dos Óscares.

Imagem de Marca: pot-de-porri musical dos cinco filmes nomeados e montagens introdutórias onde substitui personagens dos filmes nomeados. Uma personagem recorrente é a sua imitação de Sammy Jr.

WHOOPI GOLDBERG
1994, 1996, 1999 e 2002

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Poderia parecer uma escolha inusitada para a conservadora Academia, pelo seu conhecido stand up sem filtros ou medo de ser politicamente incorrecta, a própria brincou no seu discurso de abertura:«Com que então eu tenho o microfone em directo durante 3 horas. Nunca houve tantos executivos a suarem por uma mulher deste Heidi Fleiss», mas Whoopi foi mestre de cerimónias durante quatro cerimónias e fê-lo com distinção, em parte dado o seu calo como comediante stand up. Foi a primeira mulher anfitriã, convidada um total de 4 vezes.

Imagem de Marca: Humor acutilante e destemido, mas em duas cerimónias incarnou algumas das personagens nomeadas, sendo a mais espectacular a entrada à la Moulin Rouge no ano de 2002

STEVE MARTIN
2001, 2003 e 2010 (em parceria com Alec Baldwin)

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Steven Martin tem a herança do stand up na sua actuação o que o deixa a-vontade num palco em frente de muitos milhões, e tem a mais valia do improviso. Mostrou-o da maneira mais hilariante quando, ao ver Danny de Vitto a comer umas asas de frango no intervalo da cerimónia, correu para ele, em directo, com um pacotinho de molho.

Imagem de marca: Consegue ser sarcástico sem esforço e sem medo

CHRIS ROCK

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Chris Rock é o comediante que não tem medo de dizer o que não deve e de forma ruidosa, por isso foi uma surpresa a Academia, considerada conservadora, escolhê-lo. Numa altura em que as audiências baixavam e queriam abranger diferentes públicos, Rock fez bem o seu papel de anfitrião, tocando em temas delicados com audácia hilariante sem ser desrespeitoso. Voltou em 2016 no centro de uma forte polémica em que a Academia foi acusada de perpetuar racismo e ser afoita a diversidade racial, por não escolher candidatos negros, numa lista de nomeados predominantemente branca (ainda que com a comunidade sul americana bem representada). Chris Rock fez da polémica parte essencial do seu monólogo de abertura em segmentos com humor certeiro.

Imagem de Marca: Faz sempre um segmento em que entrevista afroamericanos à saída de salas de cinema em bairros predominantemente negros, perguntando se viram os filmes nomeados. O resultado é sempre uma surpresa engraçada e uma perspectiva diferente.

JON STEWART
2006 e 2008

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O apresentador do Daily Show bisou, com distinção, como anfitrião na cerimónia dos Óscares, depois de uma incessante procura para substituir os apresentadores de serviço, acima representados. A sua montagem introdutória brincou com essa particularidade. Interventivo na dose certa e óptimo no improviso, foi uma delícia vê-lo brincar com a peculiar atribuição do Óscar para Melhor Canção do filme Hustle & Flow «It’s Hard out there for a Pimp» em 2006: «Contagem dos Óscares: Three 6 Mafia -1 Óscar, Martin Scorsese – 0» (curiosamente, o realizador venceu no ano seguinte).

Imagem de Marca: Não tem medo da piada política, a sua capacidade de improviso e classe. Quando a vencedora pela Melhor Canção:«Falling Slowly» Marketa Irglova foi impedida de fazer o seu agradecimento devido à interrupção da orquestra, Jon Stewart fez questão de chamar a cantora de novo ao palco para o fazer.

ELLEN DEGENERES

2007, 2014

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Ninguém quis tanto ser anfitriã da cerimónia dos Óscares como a comediante, apresentadora Ellen Degeneres, ela própria menciona isso mesmo no seu discurso. Vindo de um passado de stand up na comédia numa altura em que homem davam cartas foi só quando se tornou uma popular no talk show com o seu nome que a Academia a convidou e voltou a convidar em 2014, uma das edições com maior audiência em grande parte por momentos espontâneos percorrendo a plateia, ora descaradamente entregado um guião a Martin Scorsese  ou fotografar  Clint Eastwood para a sua página pessoal.

Imagem de Marca: Ellen tem o hábito de descer até à plateia e surpreender os nomeados com momentos ensaiados para improvisar que acabam por ser tornar espontâneos e alguns de dimensão tão grande que são responsáveis por “avariar a internet”- a selfie que passou a groupie

Outrora, a função de mestre de cerimónias era um cargo quase vitalício, revelando-se impressionantes recordes de longevidade. Nos dias de hoje, com a cerimónia a perder a audiência dos mais jovens, a escolha de anfitrião revela-se mais complicada a julgar pelas ousadas escolhas. Algumas vencedoras – Hugh Jackman a que mais impressionou  , outras nem tanto – David Letterman e James Franco como co-apresentador, outras arriscadas – Seth MacFarlane, mas sempre despertando a curiosidade dos cinéfilos. Este ano, o desafio pesa nos ombros de Jimmy Kimmel . Espera-se um qualquer segmento onde Matt Damon apareça sem ser convidado já que esse é um segmento recorrente com Kimmel, resta saber se deixará a sua marca. Se resistirem ao sono durante a transmissão madrugada fora, ficam a saber.

 

A TODOS UM BOM NATAL

Quem não se lembra da canção natalícia, marca registada do Coro de Santo Amaro de Oeiras? Martelava (e ainda martela) incessantemente nos nossos ouvidos assim que arrancam as festividades. Este ano, podem ter maior variedade. O Mixtape oferece a Banda Sonora para o Natal, garantia absoluta de vos colocar em boa disposição durante a tortuosa caminhada até o Dia N.

Prometo que nesta playlist não encontram o Coro de Santo Amaro de Oeiras, mas hits natalícios do Espírito do Natal Passado de várias décadas, o Espírito do Natal Animado e tresloucado e singles natalícios de Estrelas Pop unidas contra a Pobreza.
A todos os seguidores do Mixtape

FELIZ NATAL E OS VOTOS MIXADOS DE BOM ANO!

Playlist: XMAS I

  1. Mariah Carrey: All I Want for Christmas is You
  2. U2: Baby, Please Come Home
  3. Bobby Helms: Jingle Bell Rock
  4. Brenda Lee: Rocking Around the Christmas Tree
  5. Madonna: Santa Baby
  6. Nightmare Before Christmas BSO: What’s This?
  7. Frank Sinatra: Have Yourself a Merry Little Christmas
  8. Frank Sinatra: Let it Snow
  9. Paul McCartney: We all Stand Together
  10. John Lennon: So This is Christmas?
  11. Band Aid: Do They Know is Christmas?
  12. Wham: Last Christmas
  13. John Dever & The Muppets: We Wish You a Merry Christmas
  14. Mariah Carey: Santa Claus is Coming to Town

Surto de gargalhadas

Se é verdade que o riso é contagiante, depois de verem o seguinte compêndio de gargalhadas, é melhor ficarem de quarentena para não causar uma epidemia de risota.

No cinema, não é só do género comédia que se retiram gargalhadas, embora seja esse o género por excelência. Alguns actores possuem um riso característico que encantam os espectadores, outros recriam risotas específicas para caracterizar a personagem que interpretam. Existem ainda aqueles que, fora do personagem que interpretam e no stress que não conseguirem terminar uma cena, não conseguem parar de rir, o que acaba por ser uma fonte inesgotável de riso para o blooper reel (vulgo gaffes).

Tom Hanks:The Money Pit

Este filme é um clássico dos anos 80 e continua a ser uma fonte inesgotável de riso não interessa quantos visionamentos passados. The Money Pit tem a sua cota parte de slapstick e um par de comediantes no auge do sucesso televisivo, mas é esta cena da banheira que leva a personagem de Tom Hanks à loucura do riso incontrolável. Infelizmente nunca vi este filme no cinema, vi-o em casa com as minhas vizinhas e foi uma enxurrada de risada.

Rick Gervais: “Pop Nobing” Extras

Rick Gervais é conhecido pelo seu humor de rosto cerrado, silêncios desconfortáveis e textos que nem sempre fazem sentido. Confesso que não é o tipo de comédia que me agrada, porém, quando Gervais se espalha ao comprido e falha as falas ou as deixas, é o momento em que a sua característica e estridente gargalhada emerge e aí não há espectador que consiga manter uma expressão séria. Esta cena, em que Keith Chegwin mímica o acto sexual do “pau” a enfiar no “buraco” foi a mais difícil de filmar na série “Extras”. Gervais, simplesmente, não consegue parar de rir. E nós também não!

Herman José: Lauro Dérmio apresenta

Outro exemplo de gargalhada estridente que atinge em cheio o nosso nervo do riso. Herman José esforça-se ao máximo para conseguir dizer a frase: “Não pirilamparás a mulher do próximo” numa caricatura do cineasta Lauro Dérmio, mas falha sistematicamente, deixando escapar gargalhadas que o levam às lágrimas.

Julia Roberts: Pretty Woman

Na cena em que Edward oferece o colar a Vivian, Richard Gere improvisou fechando a tampa do estojo em cima dos dedos de Julia Roberts de propósito. O resultado é uma genuína gargalhada, marca registada do carisma pessoal de Roberts. O realizador ficou encantado com a gargalhada e permitiu que a cena ficasse assim. É essa mesma gargalhada que faz as delícias dos espectadores.

Eddie Murphy

Vi recentemente um documentário sobre Eddie Murphy onde o próprio confessava que a gargalhada que o caracterizou no início da carreira é deliberada e não a sua verdadeira forma de rir. Durante anos e anos, as pessoas que se cruzavam com Eddie Murphy pediam-lhe para recriar a gargalhada e ele ficou de tal modo farto que já não a recria em filme (ou na vida real). Falsa ou não, a gargalhada Eddie Murphyana contagia sem sombra de dúvida.

Seth Rogen

Seth Rogen tem um passado de stand up e isso transparece na forma como domina o timing, amiúde faz vozes para filmes de animação e embora o espectador não consiga ver o actor, sabe imediatamente reconhecê-lo devido à sua característica gargalhada. Uns acham-na irritante, eu acho-a adorável. Aqui, em discurso directo numa entrevista para o New York Times, a gargalhada aparece em todo o seu esplendor.

Alf

A minha geração recorda com carinho a hilariante personagem de Alf, um simpático extraterrestre que aterra na casa dos Tanners e vira as suas vidas do avesso. Alf é na sua essência um cómico, assim como o bonequeiro que lhe dá vida. Paul Fusco foi o criador da personagem e simultaneamente quem manobrava o boneco e fazia a sua voz daí a personagem parecer tão genuína. A gargalhada de Alf finalizava cada piada que ele dizia e ficou de tal modo famosa que passou a representar o logo da companhia ao qual Paul Fusco pertencia.

Ewan McGregor



No primeiro minuto que vi Ewan McGregor no grande ecrã, fiquei encantada com o seu sorriso e não conseguia parar de rir com a sua gargalhada. É infalível e deveras contagiante. Com o linguajar escocês as gargalhadas aumentam. Este clip mostra um resumo do documentário “The Long Way Down” onde ele e Charles Boorman aventuram-se numa viagem de mota entre a Escócia e África do Sul. Nestes 6 minutos de improvisação em frente à câmara, sem qualquer ensaio ou guião, vemos McGregor no seu melhor e desafio-os a não rir. Acreditem, será difícil.

Mike Myers: Austin Powers “Yeah Baby”

Tal como Hanks e Murphy, Mike Myers traz consigo a herança do Saturday Night Live e alguns dos personagens criados na série chegaram mesmo a dar o salto para o cinema. Porém Austin Powers foi uma personagem pensada inteiramente por Myers, tendo em mente os filmes de espionagem britânicos dos anos 60. São muitas as frases que ficam no ouvido e às quais não conseguimos parar de rir. Uma delas é este “yeah baby yeah”, com a dentuça feia de Austin.

Jim Carrey

Não interessa qual o clip que aqui coloco, Carrey conta-se entre um dos muitos cómicos que inventam uma risada em cada comédia que protagonizam. Seja esta, ou esta , faz-me sempre rir descontroladamente. A suas performances são hilariantes, e mesmo em tom sério (género onde aliás Jim Carrey surpreende) consegue contagiar-me com a sua gargalhada.

O Imaginário Datilografado

A máquina de escrever é um objecto obsoleto com o advento dos aparelhos computorizados mas ainda conserva o seu charme. A imagem de um poema escrito em máquina de escrever, fez-me voltar no tempo em que a máquinas de escrever fazia parte da minha vida. A nossa convivência foi curta, tendo em conta a transição para o computador quando iniciei a faculdade, mas a imagem romantizada da máquina de escrever permanece comigo e relega-me sempre para um universo de poetas, detectives, jornalistas e escritores sentados nas suas cadeiras transformando os seus pensamentos em caracteres dactilografados.

A máquina de escrever ainda vive no universo cinematográfico (ou ao colo de um hipster de núcleo duro) relembrando o preto e branco do film noir, o perigo ao virar da esquina da espionagem do pós guerra, a diligência das grandes investigações jornalísticas e a escrita de guiões. Não admira que este pequeno equipamento mecânico /electrónico seja tão carismático, capaz de roubar protagonismo aos filmes.

Em pesquisa sobre este tema, vi uma página que dedica a sua atenção às máquinas de escrever,The Antikey Chop e graças ao seu autor, Greg Fudacz, posso mencionar o nome do modelo que surge nestes 10 momentos onde a máquina de escrever tem um papel especial.

TRUMBO de Jay Roach
EspaçoTemporal: década de 50
Modelo: Underwood Standard

Os argumentistas da época dourada de Hollywood são praticamente escravos das suas máquinas de escrever (ou será o inverso?). No filme é interessante ver o processo de trabalho de Trumbo (Bryan Cranston), com o corta e cola a fita-cola para juntar partes e organizar outras, uma máquina extra para passar a limpo, escrever na banheira usando um suporte a servir de secretária (as máquinas daquele tempo não eram leves), mas sempre agarrados às máquinas de escrever. Acompanhantes da máquina de escrever de um argumentista, o copo de whiskey e cigarros (muitos…).

WONDER BOYS de Curtis Hanson
Tempo da acção: 2000
Modelo: IBM Selectric

O professor Grady (Michael Douglas) e o interminável romance escrito à máquina na era dos computadores. O escritor marcado pelo grande sucesso do seu primeiro livro que vive assombrado pelas expectativas da obra que se segue. A máquina de escrever aqui é simbólica de alguém preso num tempo outrora feliz.

ATONEMENT de Joe Wright
Espaço temporal: 1935
Modelo:Royal No.10

Robbie (James McAvoy) escreve uma carta muito inspirada a Cecilia (Keira Knightley), depois de várias tentativas frustradas onde teve de repetir o processo de bater na máquina vezes e vezes sem conta. Afinal de contas, falta à máquina de escrever o botão delete

ADAPTATION de Spike Jonze

Espaço temporal: 2002

Modelo: IBM Selectric II (?)

O argumentista (Nicolas Cage) em bloqueio criativo em frente à máquina de escrever. O temor de todos os escritores.

MOULIN ROUGE de Baz Luhrmann
Espaço temporal: Virar do séc XX
Modelo: Underwood Standard No.5

Christian (Ewan McGregor), o autor poeta sonhador escreve a história de amor entre ele e Santine (Nicole Kidman) devastado pela morte desta.

SCHINDLER’S LIST de Steven Spielberg
Espaço temporal: 2ª Guerra Mundial
Modelo: Continental

A máquina de escrever não serve só produções criativas, mas também as administrativas. Neste filme serve um propósito muito maior, os nomes incluídos na lista foram aqueles salvos do Holocausto Nazi. Itzhak Stern (Ben Kingsley) e Oskar Schindler (Liam Neeson) compilam os nomes de empregados a ser recrutados para a fábrica de Schindler que foram desviados dos campos de concentração.

ALMOST FAMOUS  de Cameron Crowe
Espaço temporal:1973
Modelo: IBM Selective / Smith-Corona Galaxy Deluxe

William Miler (Patrick Fugit) é um fã incondicional de música e também o mais jovem jornalista da Rolling Stone. Em conversa com o seu ídolo mentor, Lester Bangs (Philips Seymour Hoffman) confessa usar uma Smith-Corona Galaxy, mas no filme do filme surge a escrever numa IBM (modelo bastante popular nos nos 70)

ALL THE PRESIDENT’S MEN de Alan J. Pakula
Espaço temporal: início dos anos 70
Modelo: Olympia SG3

Máquina de escrever era o melhor amigo dos jornalistas, era, de facto, o seu instrumento de trabalho. As redacções pré era computorizadas eram totalmente diferentes como se pode observar neste filme que segue os dois jornalistas de investigação que denunciam o que viria a ser chamado caso Watergate que levou à demissão do presidente Richard Nixon

LOVE ACTUALLY de Richard Curtis
Espaço temporal:2003
Modelo: Olympia SM9

Outro filme em que o autor, Jamie (Colin Firth) opta por usar a máquina de escrever numa altura de pleno processamento de texto computadorizado. Também ele tem aquele ideia romântica dos escritores que escrevem romances de sucesso em máquinas de escrever. Só que depois, acidentes acontecem e lá vai a Lúcia Moniz salvar a situação.


THE SHINING de Stanley Kubrik
Espaço temporal:início anos 80
Modelo: Adler Universal Typewriter

O autor Jack Torrance (Jack Nicholson) com bloqueio criativo, viaja com a família para um hotel fechado no Inverno, esperando conseguir sossego e inspiração. Nem uma coisa, nem outra. O que Torrance consegue é assustar de morte a sua mulher e filho e nós por arrasto. Até a máquina de escrever parece tenebrosa nesta cena.

Em menção honrosa, o tema instrumental de Atonement, onde o compositor Dario Marianelli usa o som da máquina de escrever como parte integrante do tema «Briony».