Amor Segundo o Cinema

Em Fevereiro, o Amor está no ar. Porquê? Celebra-se o Dia de São Valentim ou, para os mais distraídos em assuntos sacrossantos, o Dia dos Namorados. É a altura ideal para celebrar o Amor sob a óptica da 7ªarte. Rapaz conhece rapariga, mulher conhece amante, marido trai mulher, rapaz “conhece” tarte de maçã. Pontos de partida divergentes que convergem num só. Amor apaixonado, sexual, ocasional, etéreo, platónico, passional, obsessivo, solitário. Tudo variações da emoção mais retratada  no celulóide em cenas para sempre imortalizado no grande ecrã. O Mixtape preparou um especial Dia de São Valentim que promete inspirar os apaixonados e até aqueles que acreditam que este dia é uma grande estopada.

Pode ser desejado, mencionado, consumado ou simplesmente sugerido. Na época dourada de Hollywood, não havia espaço para manifestações físicas, mas a mera sugestão de palavras e o clássico sex appeal das estrelas de Hollywood arrebatavam corações dos espectadores. O tempo de cronometrar 8 segundos para um beijo está a anos luz de distância. Ao longo dos anos, as cenas de amor revelam cada vez pele, ao ponto de suplantarem o próprio filme. Mas, a expressão do Amor, física ou espiritual, mantêm-se acompanhando a evolução dos tempos.

English Patient: Ralph Fiennes & Kristen Scott Thomas

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Se as mulheres já suspiravam com a visão de Ralph Fiennes, gordo e sádico em “Lista de Schindler”, A personagem do conde Almásy: espadaúdo charmoso, bronzeado, sedutor – perdida e obsessivamente apaixonado por Katherine-  fez de Fiennes o eterno quebra corações. Adoro a forma como ele nomeia o vale na base do pescoço dela como o seu local preferido.

 Basic Instint : Sharon Stone & Michael Douglas

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Nunca cena de sexo foi tão longa e bem aproveitada. A química de Stone e Douglas explodiu no ecrã. Sobre esta cena, a personagem de Douglas disse: “She’s the fuck of the century”, já a actriz Sharon Stone fez um comentário amplamente publicitado: “Tive, pelo menos três orgasmos!”.

Revenge : Kevin Costner & Madeline Stowe

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No final dos anos 80 e início dos 90, Kevin Costner era hot property de  Hollywood, partilhando “O Amor” com Sean Young , Susan Sarandon, Mary MacDowell no banco de trás de uma limusine, banheira, bengaleiro, tenda. Num dos filmes mais desinteressantes de Tony Scott, Costner e Madeleine Stowe protagonizam  um bem mais interessante e magnificamente fotografado affair. Para os mais curiosos e pacientes podem ver o video e testemunhar como a química entre dois actores funciona no mais simples acto de fazer limonada.

Tequila Sunrise
: Mel Gibson & Michelle Pfeiffer

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Mel Gibson e Michelle Pfeiffer a emergir da piscina todos nus. Parafraseando a personagem do Raul Julia “it was like a fucking marathon 3 hours, Jesus!” Nos tempos idos em que os belos olhos de Mel Gibson paravam o coração da ala feminina.

Thelma & Louise: Geenna Davis & Brad Pitt

Louise: “You finally got laid properly, I’m so proud…”

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Foi tudo o que bastou para retirar Brad Pitt da sombra, a caminho do título de “O Homem Mais Sexy Do Planeta”.

Breathless : Richard Gere & Valérie Kaprisky

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No apogeu do seu estatuto de sex symbol, Richard Gere contracenou com a francesa Valérie Kaprisky numa adaptação americana do filme de Goddard. No papel de Jessie, Gere é um delinquente em fuga, com tempo para embaciar o ecrã nas cenas de sexo que viriam a ser o SEU  “pão nosso de cada dia” na década de 80.

Devil’s Advocate: Keanu Reeves & Charlize Theron

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Keanu Reeves com outra no pensamento e Charlize Theron contra a parede. Gosto do pormenor dele estar despido com as botas (e a cicatriz na barriga).

Fatal Attraction: Michael Douglas & Glenn Close

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O amor obsessivo de Glen Close por Michael Douglas, levou a ala masculina a pensar duas vezes antes de cometer adultério. Antes de cozer o coelho da filha deste numa panela, Glenn Close professou o amor na cozinha, elevador e outros sítios arredios.

9/2 Weeks:
Kim Basinger

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Quem quer saber do Mickey Rourke quando se tem a Kim Basinger a fazer um soberbo strip ao som de “You can leave your hat on”?! Voyeurismo, sim!

Ghost: Patrick Swayze & Demi Moore

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Swayze e Moore, protagonizam um amor que sobrevive à morte. Manifestado em vida nesta cena, com o tema “Unchained Melody” dos Righteous Brothers, em perfeita sincronia com os movimentos da paixão. Uma das mais memoráveis cenas de amor do cinema, fez correr muita tinta e multiplicou-se em imitações baratas. Nenhuma suplantou a original.

Jerry Maguire: Tom Cruise Reneé Zwellweger

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“That’s not a dress, that’s a Audrey Hepburn movie…”

Renée Zellweger luminosa, quebra o medo de relacionamento amoroso com Tom Cruise que nos leva às lágrimas com a declaração: “You…complete me!”

Pretty Woman: Richard Gere & Julia Roberts

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Dos sítios onde praticar “O Amor”, um piano é o mais requintado. Não é aqui que Julia Roberts beija Richard Gere mas é um hors d’oeuvres de luxo que antecede a refeição principal com direito a “Amo-te” no final.

Bram Stoker’s Dracula: Gary Oldman & Winona Ryder

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Num plano subliminar, Drácula de Bram Stoker é uma ode ao prazer oral. Pode parecer estranho considerar erótica, a cena em que uma mulher suga o mamilo cortado de um homem. Com Gary Oldman a sussurrar: “Walk with me to be my loving wife forever”, é também uma ode ao prazer auditivo!

L.A Confidential: Kim Basinger & Russell Crowe

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Lynn Bracken: I see Bud because I want to. I see Bud because he treats me like Lynn Bracken and not some Veronica Lake look-alike who fucks for money.

A velha história da prostituta de luxo que conquista o coração do polícia durão. Russel Crowe e Kim Basinger sob direcção de Curtis Hanson oferecendo um  novo fôlego ao film noir marca a diferença.

Tudo o Vento Levou Vivien Leigh & Clark Gable

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A mera sugestão de Gable é suficiente para palpitar o coração de Vivien Leigh:

“You should be kissed and often, and by someone who knows how”

The last of the Mohicans : Daniel Day Lewis & Madeline Stowe

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É difícil esquecer o encontro amoroso de Day Lewis e Madeline Stowe por detrás de uma queda de água. Haverá sitio mais perfeito?

Out Of Sight: George Clooney & Jennifer Lopez

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O poder da sedução começa pelas palavras e acaba num quarto de hotel. Clooney e Lopez com a quimíca perfeita, susceptível de embaciar o ecrã. Confesso que George Clooney nunca esteve na minha lista de preferências, mas mudei de ideias depois de ver este filme.

American Pie:  Jason Biggs e …a tarte (!?)

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À pergunta: “Qual é a sensação de entrar numa mulher”, respondem a Jason Biggs “É como uma tarte de maçã”. O que aconteceu a seguir, explica o porquê do título “Americam Pie”. O amor solitário no seu melhor (pior) nível.

Call Me by your Name: Timothée Chalamet e Armie Hammer

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Com a estreia de Call me By Your Name, assistiu-se a outra cena de…”amor”… com fruta, ainda que num melhor nível ,visionado com algum embaraço. No entanto, o actor Timothée Chalamet teve direito a nomeação para o Óscar como melhor actor e a química entre a sua personagem Elio e Oliver (Armie Hammer), transpira sensualidade nos mais pequenos pormenores

Mulholand Drive: Naomi Watts & Laura Harring

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Nunca uma relação entre duas mulheres foi tão magnética, misteriosa e sedutora. Amor obsessivo filmado por David Lynch.

Brokeback Mountain: Jake Gyllenhaal & Heath Ledger

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O amor não vê fronteiras. A  relação secreta de dois cowboys num período de 20 anos comoveu meio mundo e mudou o estereótipo da homossexualidade.

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5 Declarações de Amor Cantadas

Em dia de Namorados, o Mixtape segue o lema de Marco Paulo, declarando os seus dois amores. A Música e o Cinema unem-se nestas cinco declarações de amor cantadas. A premissa preferida no cinema – rapaz apaixona-se por rapariga, dá azo à partilha de sentimentos através da canção. Se a vida imita a arte e a arte imita a vida, inspirem-se nesses exemplos de romantismo para conquistarem a vossa cara-metade neste dia de quase obrigatório romantismo.

Moulin Rouge

Os filmes de Baz Luhrmann são, por excelência musicados, mas a canção com que que Christian (Ewan McGregor) declara o seu amor por Santine (Nicole Kidman) é uma portentosa colectânea de dez canções de amor. Um mash up de deleite visual que não só conquista a irredutível cortesã Santine, como delicia o espectador.

10 Things I Hate About You

Uma versão moderna da peça de Shakespeare «A Fera Amansada», Verona (Heath Ledger) tenta «domar» Kat (Julia Stiles) apelando ao seu coração. Expõe-se em grande, cantando «Can’t Take My Eyes Off you» em frente do liceu, recrutando a ajuda da Banda. E pelo sorriso de Kat, o sucesso parece garantido.

The Wedding Singer

Compor uma canção para a sua apaixonada, até pode ser relativamente fácil para um performer habituado a animar festas de casamento, mas conseguir uma estrela de rock como Billy Idol para fazer a apresentação da sua entrada triunfal, já é coisa mais complicada. Nada que Robbie (Adam Sandler) não consiga desencantar para mostrar o seu amor por Julia (Drew Barrymore).

Say Anything

Possivelmente uma das mais queridas declarações de amor, é singela na sua concretização, mas poderosa na intensão. Depois de romper com o dedicado Lloyd Dobler (John Cusack), Diane Court (Ione Skye) é serenada, sob a sua janela, pela canção que tocava quando os dois fizeram amor pela primeira vez. No leito amoroso Diane pediu a Lloyd para escutar com atenção a canção de Peter Gabriel em «Your Eyes» e ele assim fez: «In your eyes/the light the heat / In your eyes I am complete / In your eyes I see the doorway to a thousand churches»

Blue Valentine

Dean (Ryan Gosling) oferece a Cindy (Michelle Williams) um CD com uma versão rara de uma canção que assegura ser só deles, com a convicção inabalável de quem está profundamente apaixonado. Quem viu o filme, sabe que as coisas não correm lá muito bem, à medida que o tempo (e a vida) avançam, mas, ainda assim, é bonito ver a cara metade expedita na procura da banda sonora do seu amor.

Quando o Cinema faz Búu

Com o Dia das Bruxas à porta, os filmes de terror ganham honras de Estado, desaparecendo das prateleiras dos clubes de aluguer, propagando-se pela televisão, tornando-se a fonte de inspiração para fatos de máscaras feitos para assustar todo energúmeno que se atreva a recusar oferecer doces. A verdade é que, em terras cristãs, a atenção recai no pacato feriado de todos-os-santos, mas o fascínio pelo imaginário do terror ganha outra dimensão na noite de Halloween.

Vinda da geração em que o género terror emergiu do círculo de culto para o sucesso comercial – elevando personagens de terror como Michael Myers (Halloween, 1978), Jason (Sexta feira 13, 1980) Freddy Krueger (Pesadelo em Elm Street, 1984), Chucky (Boneco Assassino, 1988) a intermináveis sagas de terror que duram…duram…duram – é uma incógnita porque os filmes de terror são incapazes de suscitar o meu interesse.

Ouvia com repulsa, os relatos horripilantes destes filmes contadas pelo meu (mais velho) vizinho do rés-do-chão que respirava filmes de terror por todos os poros. Enfim, aos 10 anos de idade, não é de todo estapafúrdio uma miúda, fã de musicais, comédias românticas e filmes de aventura, abominar a imagem de um tresloucado com máscara de ski que esfaqueia virgens em série. Ainda que para fins de entretenimento…

A diversidade de filmes visionados ao longo dos anos, provou que a classificação terror assume registos e nuances mais complexos e abrangentes que uma ilustração estereotipada de ambientes sombrios, sangue, vísceras e objectos cortantes. Basicamente, tudo o que nos assusta e acciona sensações desconfortáveis no nosso consciente (e inconsciente) alimentando as enzimas do medo e susto qualifica-se. Até partilho a opinião de Stephen King ao confessar “A imagem dos palhaços assusta-me!”.

Sabem o que também me assusta?…

Eis 10 bons exemplos de cenas mais assustadoras do cinema tendo em conta que dilataram as pupilas dos meus olhos ao máximo, arrepiaram os pêlos do meu braço, elevaram o meu traseiro do assento e afundaram o meu rosto dentro da gola do camisolão.

MEDO!MEDO!

Nota: as imagens podem conter “spoilers“.

COMPANY OF WOLVES

É irónico como a incauta visão da minha primeira cena de terror, aos 10 anos , foi proporcionada pela cópia pirata do filme infantil “A História Interminável”. Quem diria que, escamoteado em tão mágico e inocente filme, estaria a cena final de “A Companhia dos Lobos”, no exacto momento que a carne de um homem se rasga para dar lugar a um lobo. A imagem apanhou-me totalmente desprevenida e foi de tal modo chocante que nem me consegui mexer, incapaz de desligar o televisor.

DEAD ZONE

Qualquer cena que mostra um objecto cortante e sangue arrepia-me a espinha. Só de olhar para esta imagem só me vem o vómito imaginando o cheiro do sangue com a água. Agora imagine-se ver a cena em que o assassino se suicida com uma tesoura aberta espetada na boca, quando se tem 12 anos de idade.

CARRIE

A maneira como é filmado e o sangue que corre neste filme é deveras tenebroso. Quem consegue fazer da primeira menstruação, um acena de horror, tem mérito, caramba. Mas a cena mais assustadora, muito mais que a cena do baile de finalistas em que a doce Carrie mata tudo e todos à frente, é a cena final que mesmo morta e enterrada, continua a assustar a pobre Amy Irving.

BIRDS

 

Hitchcock no seu melhor. Quem consegue fazer um filme de terror com doces passarinhos é, sem dúvida um mestre do suspense. Vi o filme quando era novinha e impressionou-me bastante. Hoje em dia talvez não assuste, mas – um clássico é um clássico.

ALIENS

Durante muitos anos não vi esta cena, só a mera menção a esta me deixava agoniada. Já mais velha, ainda a vejo com algum susto. Mesmo que a gosma seja de silicone, aquele alien a rasgar o estômago do pobre John Hurt impressiona.

SILENCE OF THE LAMBS

Imaginem ver a cena da foto em que o Hannibal foge da cela deixando para trás um anjo de “pele” com uma gata que vos aterra no colo vinda sabe-se lá de onde. Mandei um berro que se ouviu ao longe. O que vale é que estava em casa…

THE SHINING

Só o pio do pianinho neste filme é o suficiente para me arrepiar a pele, imagine-se tudo o resto e a voz do miúdo a berrar “REDRUM!” brrrrrrrrrrrrrrr

BLAIR WITCH PROJECT

Mesmo sabendo que era um mito “fabricado” e que cada momento foi meticulosamente criado por dois realizadores que massacraram os actores até quase os matarem de susto, eu fiquei horrorizada. Porquê? Bosque em noite cerrada, só a ideia me deixa com MUITO MEDO! A forma como é filmado atinge em cheio o genezinho do horror, pelo menos o meu. Não só porque vemos o terror espelhado no rosto dos actores, mas porque a ideia de estar num bosque escuro como breu deixa-me totalmente HORRORIZADA.

TWIN PEAKS

Na verdade o Killer Bob não povoa o formato cinema, apesar de emergir do imaginário de David Lynch, mas basta olhar para a imagem do assassino de Laura Palmer da série Twin Peaks para desencadear pesadelos vários.

SEVEN

É incrível como um filme que não tem violência explícita e figurando um muito sexy Brad Pitt, pode assustar de tal modo que durante 1 ano nem consegui olhar para a cara de Kevin Spacey (Juro!) Não só isso, como nunca mais consegui ver o filme. Na cena do crime do pecado da “Preguiça”, quando um muito decomposto homenzinho, larga uma exclamação de agonia perante o olhar incrédulo da polícia de intervenção, eu dei um pulo tão grande da cadeira que nem sei como não me deu um ataque cardíaco logo ali.

Obrigado, Óscar

É já hoje a cerimónia que todo o cinéfilo convicto fica acordado para ver. A noite da Cerimónia dos Óscares, premeia os melhores do ano do Cinema, nas categorias interpretativas (e técnicas), mas aquele que sobe ao pódio para receber a estatueta dourada de nome Óscar é igualmente avaliado pelo discurso de aceitação. Alguns desses discursos de tal modo populares que atingem a imortalidade ao fazerem parte do léxico da cultura cinematográfica. Eis alguns exemplos que Cecil Worthington, figura secreta dentro da Academia, gostaria de ignorar.

Adrien Brody
Óscar Melhor Actor por “The Pianist”

Segundo o colunista Ross Moulton da revista Parade, proferir o discurso perfeito é como misturar um cocktail: “uma parte humor, duas partes sinceridade, uma pitada de lágrimas (facultativo) e agitar bem. Por outras palavras: breve e eficaz e ter o público na palma da mão”. Na cerimónia de 2003, Adrien Brody proferiu o discurso perfeito e protagonizou o momento mais inesquecível das precedentes cerimónias. Em total delírio de alegria beijou Halle Berry comme il faut, galante como só ele. Não só isso como teve uma plateia a aplaudi-lo de pé (incluindo os outros nomeados que haviam confessado estar a torcer por Brody).  Ainda interrompeu o corte da orquestra com uma firmeza humilde para proferir uma mensagem de paz, no ano que que os Estados Unidos avançavam para a guerra no Iraque. Nem todos se lembram desse último pormenor, mas lembram-se do beijo a Halle Berry.

Repercussão: Durante um ano inteiro, Brody esteve na berlinda como aquele que beija tudo e todos e vários sketches de comédia, no MTV Movie Awards e Saturday Night Live focaram isso mesmo. O actor voltou à cerimónia no ano seguinte para apresentar a categoria de Melhor Actriz e veio prevenido.

Cuba Gooding Jr.

Óscar Melhor Actor Secundário por Jerry Maguire

Cuba Gooding Jr é recordado como o mais entusiástico vencedor da estatueta dourada. Feliz, mas contido nos agradecimentos iniciais, é impulsionado pelo corte da orquestra como um boneco de mola, agradecendo à população em geral. Aqueles a quem não teve tempo de saudar pelo seu nome, gritou AGRADEÇO A TODOS, pulando esfuziante de alegria pelo palco. Os anos (e as suas escolhas) não foram carinhosas para a sua carreira, mas Cuba Jr. será sempre recordado pelo seu papel vencedor em Jerry Maguire e a frase: “Show me the money”.

Repercussão: No ano seguinte, Ben Affleck e Matt Damon agradeciam a Cuba Gooding Jr. por lhes ensinar a fazer discursos, isto porque estavam igualmente eufóricos a tentar agradecer meio mundo.

Jack Palance

Óscar Melhor Actor Secundário por “City Slickers”

Jack Palance era um actor da velha guarda e poucos colocaram em causa o merecimento do galardão máximo do cinema, tendo em conta a extensível carreira. Contudo, ninguém imaginava que Palance, septuagenário, subisse ao palco e surpreendesse com as suas capacidades físicas e um grande timing cómico.

Repercussão: Minutos após o seu discurso de agradecimento, os telefones da agência que representava o actor não pararam de tocar com propostas mirabolantes, as mais consistentes sendo de produtores que queriam Palance nos seus vídeos de exercício físico. Billy Crystal aproveitou a deixa e deu a Jack Palance um papel de destaque na abertura dos Óscares do ano seguinte

Roberto Benigni

Óscar Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Actor Principal por La Vita é Bella

Sendo italiano, com um mínimo conhecimento da língua inglesa, não se pode dizer que foi um discurso eloquente, mas foi exuberante em comicidade. Roberto Benigni saltou para cima da cadeira esbracejando a vitória com braços no ar e confessando ingenuamente (pelo segundo Óscar) que já tinha usado todo o inglês que sabia. A melhor frase da noite, para além do bonito agradecimento à sua família e mulher, foi: “I want to make love to everybody!”

Repercussão: No ano seguinte, ainda se falava na contagiante presença de Roberto Benigni que se manteve sossegado na cadeira durante a cerimónia, Billy Crystal, o apresentador desse ano não perdeu a oportunidade de lembrar o saltitante  italiano.

Sally Field
Óscar Melhor Actriz Secundária por “Places of the Heart”

O segundo Óscar para a actriz Sally Field foi o mais memorável para si, segundo as suas palavras, e igualmente o público que nunca esqueceu o ingenuamente honesto: “I can’t deny the fact that you like me, right now, you like me!”

Repercussão: Field foi gozada em vários meios de comunicação pelo desabafo, mas a própria parodiou a frase resumida (erradamente) a “You like me, you really like me” num anúncio e igualmente na sua introdução dos nomeados para Melhor Actor na cerimónia do ano seguinte, mostrando o desportivismo do seu sentido de humor. Anos mais tarde, a frase continua a figurar no imaginário televisivo e também Billy Crystal a usou numa montagem introdutória.

Nota: Em título de curiosidade, no vídeo em link, em 1m30s conseguem ver a então adolescente Angelina Jolie ao lado do pai Jon Voight.

Anfitriões dos Óscares

É já na madrugada de Domingo para segunda, 26 de Fevereiro, que os Óscares celebram a sua 89ª edição. Da primeira e privada cerimónia no salão do Roosevelt Hotel em 1929 até à transmissão televisiva, com uma audiência de milhões, sobressaem um naipe de anfitriões destacados para animar a noite mais importante do Cinema. Eis a sua herança.

BOB HOPE
1940 a 1943 1944, 1946/53/55/58/59 (co-anfitrião), 1960 a 1962, 1965 a 1968 e 1978

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O rei dos anfitriões que guarda o recorde supremo como anfitrião (um total de 19 vezes), Bob Hope é o genuíno sr. entretenimento, habituado a animar as hostes desde os seus tempos de locutor de rádio o que explica o seu a-vontade e favoritismo. Apresentou a cerimónia na passagem do preto e branco para a emissão a cores, estendendo-se por quatro décadas e pela sua contribuição ganhou um prémio honorário em 1966.

Imagem de Marca: Bob Hope era um performer nato, artista do vaudeville, da Broadway e da rádio, tinha um incrível sentido cómico e excedia no improviso.

JOHNNY CARSON
1979 a 1982 e 1984

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O sr. televisão, conhecido e amado apresentador do Tonight Show fez a sua transição para o universo de apresentação de prémios cinematográfico na década de 80. Numa época em que poucos ligavam à transmissão da cerimónia com a sua interminável duração e inusitados número musicais que se estendiam até à exaustão, Carson foi um oásis cómico e o terceiro anfitrião que mais vezes o fez num total de cinco vezes.

Imagem de Marca: nada lhe escapa e tem um timing inato de quem já está habituado a apresentar e conhece bem o seu público.

BILLY CRYSTAL
1990, 1991, 1992, 1993, 1997, 1998, 2000, 2004 e 2012

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Billy Crystal deu início à jornada anfitriã no início da década de 90, numa altura em que a Cerimónia assistia a um decréscimo de audiência. O seu desempenho como mestre de cerimónias dos Óscares foi de tal modo bem sucedido que marcou presença um total de nove vezes, estendo-se por década e meia directamente. A sua última presença como mestre de cerimónias não foi particularmente auspiciosa, talvez por ter sido uma escolha de emergência dado o azedume criado pelas declarações menos elegantes do director escolhido pela Academia para esse ano, Brett Ratner. Consequentemente o anfitrião Eddie Murphy declinou e Crystal foi trazido para salvar a Academia.Está a par de Bob Hope na excelência, secundado no número de vezes que apresentou. É sem dúvida o mais lembrado da minha geração e ganhou três prémios Emmy pela sua apresentação da Cerimónia dos Óscares.

Imagem de Marca: pot-de-porri musical dos cinco filmes nomeados e montagens introdutórias onde substitui personagens dos filmes nomeados. Uma personagem recorrente é a sua imitação de Sammy Jr.

WHOOPI GOLDBERG
1994, 1996, 1999 e 2002

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Poderia parecer uma escolha inusitada para a conservadora Academia, pelo seu conhecido stand up sem filtros ou medo de ser politicamente incorrecta, a própria brincou no seu discurso de abertura:«Com que então eu tenho o microfone em directo durante 3 horas. Nunca houve tantos executivos a suarem por uma mulher deste Heidi Fleiss», mas Whoopi foi mestre de cerimónias durante quatro cerimónias e fê-lo com distinção, em parte dado o seu calo como comediante stand up. Foi a primeira mulher anfitriã, convidada um total de 4 vezes.

Imagem de Marca: Humor acutilante e destemido, mas em duas cerimónias incarnou algumas das personagens nomeadas, sendo a mais espectacular a entrada à la Moulin Rouge no ano de 2002

STEVE MARTIN
2001, 2003 e 2010 (em parceria com Alec Baldwin)

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Steven Martin tem a herança do stand up na sua actuação o que o deixa a-vontade num palco em frente de muitos milhões, e tem a mais valia do improviso. Mostrou-o da maneira mais hilariante quando, ao ver Danny de Vitto a comer umas asas de frango no intervalo da cerimónia, correu para ele, em directo, com um pacotinho de molho.

Imagem de marca: Consegue ser sarcástico sem esforço e sem medo

CHRIS ROCK

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Chris Rock é o comediante que não tem medo de dizer o que não deve e de forma ruidosa, por isso foi uma surpresa a Academia, considerada conservadora, escolhê-lo. Numa altura em que as audiências baixavam e queriam abranger diferentes públicos, Rock fez bem o seu papel de anfitrião, tocando em temas delicados com audácia hilariante sem ser desrespeitoso. Voltou em 2016 no centro de uma forte polémica em que a Academia foi acusada de perpetuar racismo e ser afoita a diversidade racial, por não escolher candidatos negros, numa lista de nomeados predominantemente branca (ainda que com a comunidade sul americana bem representada). Chris Rock fez da polémica parte essencial do seu monólogo de abertura em segmentos com humor certeiro.

Imagem de Marca: Faz sempre um segmento em que entrevista afroamericanos à saída de salas de cinema em bairros predominantemente negros, perguntando se viram os filmes nomeados. O resultado é sempre uma surpresa engraçada e uma perspectiva diferente.

JON STEWART
2006 e 2008

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O apresentador do Daily Show bisou, com distinção, como anfitrião na cerimónia dos Óscares, depois de uma incessante procura para substituir os apresentadores de serviço, acima representados. A sua montagem introdutória brincou com essa particularidade. Interventivo na dose certa e óptimo no improviso, foi uma delícia vê-lo brincar com a peculiar atribuição do Óscar para Melhor Canção do filme Hustle & Flow «It’s Hard out there for a Pimp» em 2006: «Contagem dos Óscares: Three 6 Mafia -1 Óscar, Martin Scorsese – 0» (curiosamente, o realizador venceu no ano seguinte).

Imagem de Marca: Não tem medo da piada política, a sua capacidade de improviso e classe. Quando a vencedora pela Melhor Canção:«Falling Slowly» Marketa Irglova foi impedida de fazer o seu agradecimento devido à interrupção da orquestra, Jon Stewart fez questão de chamar a cantora de novo ao palco para o fazer.

ELLEN DEGENERES

2007, 2014

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Ninguém quis tanto ser anfitriã da cerimónia dos Óscares como a comediante, apresentadora Ellen Degeneres, ela própria menciona isso mesmo no seu discurso. Vindo de um passado de stand up na comédia numa altura em que homem davam cartas foi só quando se tornou uma popular no talk show com o seu nome que a Academia a convidou e voltou a convidar em 2014, uma das edições com maior audiência em grande parte por momentos espontâneos percorrendo a plateia, ora descaradamente entregado um guião a Martin Scorsese  ou fotografar  Clint Eastwood para a sua página pessoal.

Imagem de Marca: Ellen tem o hábito de descer até à plateia e surpreender os nomeados com momentos ensaiados para improvisar que acabam por ser tornar espontâneos e alguns de dimensão tão grande que são responsáveis por “avariar a internet”- a selfie que passou a groupie

Outrora, a função de mestre de cerimónias era um cargo quase vitalício, revelando-se impressionantes recordes de longevidade. Nos dias de hoje, com a cerimónia a perder a audiência dos mais jovens, a escolha de anfitrião revela-se mais complicada a julgar pelas ousadas escolhas. Algumas vencedoras – Hugh Jackman a que mais impressionou  , outras nem tanto – David Letterman e James Franco como co-apresentador, outras arriscadas – Seth MacFarlane, mas sempre despertando a curiosidade dos cinéfilos. Este ano, o desafio pesa nos ombros de Jimmy Kimmel . Espera-se um qualquer segmento onde Matt Damon apareça sem ser convidado já que esse é um segmento recorrente com Kimmel, resta saber se deixará a sua marca. Se resistirem ao sono durante a transmissão madrugada fora, ficam a saber.

 

Anti Valentim

Para aqueles que estão fartos do clima de romantismo exacerbado que existe em cada esquina, loja, meio de comunicação e rede social no dia de São Valentim, eis um mixtape dedicado a vocês, ranzinzas. Se as canções melosas que passam na rádio e o marketing a fazer render o peixe do Amor, vos irritam profundamente, talvez se revejam nestes 5 momentos anti São Valentim. E quem era mesmo esse São Valentim? Barney, a personagem de «How I Met Your Mother» explica.

St Elmo’s Fire

Frase lapidar: You know what love is? Love is an illusion created by lawyer types like yourself to perpetuate another illusion called marriage to create the reality of divorce and then the illusionary need for divorce lawyers.



Some Kind of Wonderful

Frase lapidar: Did you know a woman can be anything she wants to be?

Almost Famous

Frase lapidar: Sweet? Where do you get off? Where do you get sweet? I am dark and mysterious, and *pissed off*! And I could be very dangerous to all of you! You should know that about me… I am the enemy!

Valentine’s Day

Frase lapidar: He’s married


Adão e Eva

Frase lapidar: (o decoro não me permite escrever…)

Trumpocalypse

 

Hoje, acordamos com a notícia que Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos. Esqueçam o «foi», estamos a falar de um presente bem próximo.  Um capitalista narcisista, homem de negócios astuto mas sem experiência política que uns chamam racista, outros machista, outros ainda chamam nomes piores. Estamos com a sensação que será um presente com um futuro comprometido.

Quem acompanhou a corrida eleitoral norte-americana, desde as primárias, percebeu alguns pontos essenciais da agenda política de Trump

– Trump irá construir um muro pago pelo México (muro em cima, e muro por baixo pois os mexicanos são manhosos nos subterrâneos), para manter mexicanos maus no seu país e também fechar fronteiras para outros não americanos maus.

– Trump irá construir infraestrutura e postos de trabalho SÓ com trabalhadores americanos (talvez ele não tenha percebido que existe uma grave crise financeira mundial)

– Trump não acredita que exista aquecimento global (aliás, ele acha que está bastante frio)

– As mulheres  são bem-vindas no local de trabalho, mas têm de ser bonitas a um nível de pontuação 10. (8 e 9 são aceitáveis, mas camafeus, nem pensar!)

O site Trump Facts enumera alguns outros pontos de vista pela voz do próprio Trump.

Nem tudo são más notícias. Este será um mandato pleno que comédia da boa, com gaffes apoteóticas a nível de George W.Bush Jr.. A música será melhor, não haverá membro da comunidade musical que não queria escrever uma canção pungente sobre o estado da política e deste homem em particular e serão canções do caraças. O mesmo vale para  arte em geral. Vão voltar os títulos badass, estilo “Operação Águia Liberta”,  “Missão Bomba Neles” , “Política Trumpness”,  “Make Women a 10 Again”.

Para já fica uma colectânea de canções que entram em sintonia com a ideia de KABOOM, tempos difíceis aproximam-se e sobre homens com discurso inflamado de ódio que ascendem ao poder e a coisa dá para o torto. Estilo aquele senhor alemão gesticulante de bigodinho curto com umas calças abaloadas em cima com um discurso muito inflamado. Estão a ver?…

  1. The Prodigy: Firestarter
  2. Green Day: American Idiot
  3. The Doors: People Are Strange
  4. Pearl Jam: W.M.A
  5. Duran Duran: Wild Boys
  6. Tina Turner: We Don’t Need Another Hero (Thunderdome)
  7. Rammstein – Amerika
  8. Muse: Intro
  9. Muse: Apocalypse Please
  10. R.E.M: It’s the End of the World as We Know it (I Feel Fine)