Televisão Musicada

O dia da Televisão comemora-se  dia  21 de Novembro e para celebrar, nada melhor que uma colectânea audiovisual dos  genéricos de séries de TV favoritos. Sigam-me e relembrem os tempos em um simples acorde que saía da televisão vos chamava para o sofá para assistir ao vosso programa favorito.

Instaurado pelas Nações Unidas em 1996 com o objectivo reforçar o intercâmbio cultural e incentivar as trocas de programas de televisão sobre questões como a paz, segurança, desenvolvimento social e económico,. Convenhamos que é mais divertido compilar os genéricos de TV do meu imaginário. Honrando mais ou menos o verdadeiro objectivo por detrás desta efeméride, não se pode negar o papel importante da tv nas nossas vidas (ainda que o computador esteja lentamente a ocupar o seu lugar) mais como entretenimento do que foco de cultura.

Algumas canções, até hoje estão marcadas na memória ao ponto de me lembrar de um gato que mia no final de Hill Street Blues ou um cão de ladra depois da frase «Sit Ubu, sit. Good dog.Woof.» Esse é o poder da TV. Seguem os dez genéricos (+1)que mais me marcaram, em ordem cronológica.

Family Ties
1982-1989
Johnny Mathis & Denise Williams: «Without Us»

Esta canção faz-me sempre lembrar a minha infância em que assistia religiosamente, aos Domingos, a série «Family Ties» com a minha amiga Guida. Quando ela visitava a madrinha, a minha vizinha, o horário das 19h estava sempre reservado para esse fim, seguindo de conversa sobre o quão fofo era Michael J. Fox no papel de Alex P. Keaton.

Cheers
1982-1993
Gary Portnoy: «Everybody Knows Your Name»

MacGyver
1985-1992
Randy Edelman compôs o tema musical

A adolescência nas tardes de Domingo, às 19h em ponto, hora sagrada para assistir às aventuras de «Mac Gyver». Não interessava onde estava ou quem visitava, assim que começasse o Mac Gyver , já ninguém me arrastava fora do sofá (a não ser no intervalo, nessa altura podíamos seguir rapidamente para casa antes que começasse a 2ª parte). Normalmente a minha mãe alinhava e acabava por ficar até ao intervalo, ela também achava piada ao intrépido aventureiro.

Twin Peaks
1990-1991
Julee Cruise: «Falling»

Os serões nocturnos, passados entre o fascínio e o medo com«Twin Peaks. A etérea voz de Julee Cruise era o momento de calmia na montanha russa de emoções que iam do encanto dos rapazes (belíssimos) da série, ao terror puro do vislumbramento de Bob.

The Simpsons
1989- presente
Danny Elfman compôs o tema

Eis um genérico fora do comum na medida em que cada episódio tinham um segmento diferente. No início, Bart Simpson, escreve algo diferente no quadro da escola e, no final, a família Simpson corre para o sofá com um resultado diferente em casa episódio. Pautado pelo génio musical de Danny Elfman, este era um genérico que se mostrava imperativo ver.

Baywatch
1991-2001
Jimi Jamison: «I’m Always Here»

Confesso que este tema é brejeiro, a fazer companhia ao genérico que mais parece um anúncio de bronzeadores, mas adoro este tema. Fica mesmo no ouvido. A série passava quase sempre na temporada de Verão e, nessas alturas eu estava sempre em casa a gozar férias no sofá, por isso este era o meu tema de abertura de Verão em casa.

Mad About You
1992-1999
Andrew Gold: «Final Frontier»

A minha série favorita, passava na tv a horas de turno da meia noite (muitas vezes 2 da manhã). Os anos 90, marcam o auge da reality tv e o tempo nobre das melhores séries de tv eram relegadas para as madrugadas (e ainda assim é hoje). Assim que oiço os primeiros acordes, o meu coração alegra-se com a perspectiva de assistir à rotina deste casal nova iorquino, cuja relação serve de modelo para a minha relação sonho. Ainda procuro o meu Paul e ainda sem este genérico de cor e volta e meia canto o dito pelos corredores de edifícios ou elevadores.

X-Files
1993-2002
Mark Snow compôs o tema

Na segunda metade dos anos 90, os genéricos de tv assistiram a uma mudança, deixaram de ser cantados e eram maioritariamente instrumentais. Essa particularidade não impediu que os temas musicais ficassem marcados na memória para todo o sempre. Tal como o genérico de Twilight Zone, o de X-Files é trauteado quando mencionamos algo do foro sobrenatural ou fantástico.

E.R
1994-2009
James Newton Howard compôs o tema da série

Fã acérrima da série . Os acordes iniciais tinham o condão de me instalar no sofá em entrar «na zona». Ninguém me podia interromper quando assistia à rotina dos médicos e enfermeiras do serviço de urgência , ficava colada ao ecrã pela autenticidade dos procedimentos médicos. Na temporada em que fiz o Erasmus na Escócia, assim que soavam as 9 da noite, seguia como uma flecha para a sala comum da residência universitária e todos sabia que a essa hora estaria em frente ao televisores, fosse sentada, em pé ou encostada à parede. Certo dia, alunos vindos do edifício anexo, tomaram a tv para assistir a outro programa e eu entrei em pânico, protestando sozinha, contra 5 marmanjos. Valeu-me a solidariedade feminina de alunas que tinham tv privada no quarto.. Onde já se viu, impedir uma pessoa do seu momento televisivo semanal. BAH.

 

Lost
2004-2010
Michael Giacchino compôs o tema

Na época de ouro das séries televisivas, pouco tempo era dispensado nos genéricos. Cada segundo era aproveitado para cativar o espectador logo de início. À medida que a tv deixa de ser o suporte de visionamento das séries, dando lugar ao computador, introduz-se o termo binge watching (que pode ser traduzido como maratona televisiva) e o genérico é reduzido a uns segundo de título televisivo. Ainda assim, esses segundos funcionam como reflexo de Pavlov, deixando-nos colados ao ecrã, ainda que antes do genérico, já muito tinha acontecido na narrativa da série.

O 11º genérico segue em menção honrosa
Game of Thrones
2011- presente
Ramin Djawadi compôs o tema

Após décadas de reduzidos ou inexistentes genéricos televisivos, surge este portento instrumental, deveras cinematográfico, a anunciar uma das séries mais marcantes da actualidade. Guerra dos Tronos traz consigo, o recorde de série mais vista de todos os tempo e o regresso do genérico de longa duração, com a particularidade de conter pormenores de localização geográfica diferentes em casa temporada e também o trecho musical mais cativante de todos os tempos. Não é todos os dias que uma orquestra completa com coro, introduz um genérico televisivo. Lah lah lah lah.

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O Elevador

Mais que um dispositivo de transporte que se move verticalmente, o elevador é, no cinema (ou tv), um lugar privilegiado de acção narrativa. Do drama à comédia, há sempre algo interessante a decorrer dentro de um espaço fechado de 1m2 por 1m2. O Mixtape carrega no botão para chamar o elevador e mostra os momentos mais engraçados.

O meu pai conta a história que como conheceu a minha mãe no elevador e lhe roubou um beijo. Em resposta, a minha mãe, jovem rapariga, vinda da província para a capital, aplicou-lhe um valente estalo na cara. Consola-me saber que houve entre eles um momento digno de um guião de comédia romântica, ainda que estejam divorciados e detestem-se. Esta peripécia mostra bem o inesgotável potencial de um elevador nas relações humanas e como isso é explorado no panorama cinematográfico. Ora vejamos:
Grey’s Anatomy

Addison, a personagem da série “Grey’s Anatomy”, defende maravilhosamente a tese que o elevador é um local afrodisíaco, ao mesmo tempo que se sente ensandecer ao explicar essa teoria a um total desconhecido. A sua sanidade mental é posta em causa quanto ouve a voz do “Deus do Elevador”.

Homem Aranha2


O radialista Nuno Mark inventou todo um leque de informações inúteis que se podem usar durante aqueles momentos constrangedores no elevador. Chamou-lhes: “Desbloqueadores de Conversa” ® e nem a genialidade desses desbloqueadores, superam o momento que assistimos nesta cena: “E se apanhássemos o Homem Aranha no elevador?”.

Star Wars (montagem feita pelo youtuber EggWiskHero)


Aqui está uma situação ideal para usar um desbloquear de conversa® do género: Sabia que a palavra laser é a sigla que quer dizer: “light amplification by estimulated emission of radiation”, traduzindo-se por “amplificação da luz por emissão estimulada”?! Aposto que isto é o tipo de informação que deixaria qualquer pai orgulhoso do seu filho, mesmo que este o queira matar caso ele não se junte ao Império do Mal.
500 Days of Summer


Apenas foram precisos 54 segundos para que Tom Hanson se apaixonasse por Summer Finn, apoiando a teoria que os elevadores são óptimos locais para romancear.

Drive

Esta cena engloba o que de melhor e de pior pode acontecer num elevador. Amor-Violência. O sentido de  protecção de quem se gosta, aliado a uma táctica de distracção que acaba por ser uma declaração de amor. A direcção de cena do realizador Nicholas Winding Refn neste pequeno espaço restrito é irrepreensível: plano aproximado em câmara lenta, fechado dos rostos das duas personagens que se beijam e trocam um último intenso olhar antes da acção voltar a plano aberto, velocidade real, a personagem Ryan Gosling a eliminar a ameaça com extrema violência.

Saturday Night Live: Lost Elevator (TV)

O que aconteceria se encontrássemos o nosso actor da nossa série favorita no elevador. Este é um sketch da série de comédias, mas muitos actores mencionaram experiências de encontros com fãs no elevador que incluem, identidades trocadas, fãs cépticos e crianças com dificuldade em acreditar que Tom Hanks é o Woddy de Toy Story

The Departed


Também são óptimo locais para conseguir encontros românticos, mas esta técnica é só para os audazes.

Grey’s Anatomy


Nesta série, o elevador chega a ser uma personagem, tal a sua importância, na forma como os intervenientes se encontram para flirtar, conversar e também fazer a coloquial “rambóia”. Neste clip, Meredith Grey tenta, em vão, lançar as regras de cortesia profissional entre MacSteamy.
Liar Liar

O elevador é um sítio complicado quando estamos ao lado de desconhecidos. Em espaço tão exíguo, não há como evitar a pessoa que está ao nosso lado e não sabemos bem se devemos iniciar uma conversa ou permanecer em silêncio. Nesta cena, Jim Carrey diz aquilo que a maioria dos homens pensaria ao partilhar o espaço com uma senhora de seios voluptuosos.
Burnistoun (TV)


Este sketch da série de humor escocesa Burnistoun, demonstra a dificuldade em compreender o sotaque escocês, e fá-lo de uma maneira tão hilariante que damos graças a Deus por existirem elevadores onde se pode fazer isto.

Speed


Para um espaço contido, onde não há espaço de manobra para muita coisa, Jan Le Bont filma com mérito uma grande cena de acção, onde dois polícias de intervenção de Los Angeles têm de ser criativos para salvar passageiros de um elevador sabotado pelo maléfico Dennis Hopper. O humor negro entre os dois polícias Harry e Jack é digno de nota, especialmente a resposta de Jack à pergunta de teste.

Ghost

 

Eis um exemplo de como se divertir num elevador cheio de gente. É essencial um parceiro do crime cómico que saiba improvisar. Gostaria de acrescentar que dois amigos meus fizeram algo parecido, em que um desabafava sobre o adultério cometido ao outro e como a protagonista de uma aventura amorosa tinha uma doença contagiante. Penso que fizeram isso mais do que uma vez e sempre acrescentando uma maior sordidez.

Surto de gargalhadas

Se é verdade que o riso é contagiante, depois de verem o seguinte compêndio de gargalhadas, é melhor ficarem de quarentena para não causar uma epidemia de risota.

No cinema, não é só do género comédia que se retiram gargalhadas, embora seja esse o género por excelência. Alguns actores possuem um riso característico que encantam os espectadores, outros recriam risotas específicas para caracterizar a personagem que interpretam. Existem ainda aqueles que, fora do personagem que interpretam e no stress que não conseguirem terminar uma cena, não conseguem parar de rir, o que acaba por ser uma fonte inesgotável de riso para o blooper reel (vulgo gaffes).

Tom Hanks:The Money Pit

Este filme é um clássico dos anos 80 e continua a ser uma fonte inesgotável de riso não interessa quantos visionamentos passados. The Money Pit tem a sua cota parte de slapstick e um par de comediantes no auge do sucesso televisivo, mas é esta cena da banheira que leva a personagem de Tom Hanks à loucura do riso incontrolável. Infelizmente nunca vi este filme no cinema, vi-o em casa com as minhas vizinhas e foi uma enxurrada de risada.

Rick Gervais: “Pop Nobing” Extras

Rick Gervais é conhecido pelo seu humor de rosto cerrado, silêncios desconfortáveis e textos que nem sempre fazem sentido. Confesso que não é o tipo de comédia que me agrada, porém, quando Gervais se espalha ao comprido e falha as falas ou as deixas, é o momento em que a sua característica e estridente gargalhada emerge e aí não há espectador que consiga manter uma expressão séria. Esta cena, em que Keith Chegwin mímica o acto sexual do “pau” a enfiar no “buraco” foi a mais difícil de filmar na série “Extras”. Gervais, simplesmente, não consegue parar de rir. E nós também não!

Herman José: Lauro Dérmio apresenta

Outro exemplo de gargalhada estridente que atinge em cheio o nosso nervo do riso. Herman José esforça-se ao máximo para conseguir dizer a frase: “Não pirilamparás a mulher do próximo” numa caricatura do cineasta Lauro Dérmio, mas falha sistematicamente, deixando escapar gargalhadas que o levam às lágrimas.

Julia Roberts: Pretty Woman

Na cena em que Edward oferece o colar a Vivian, Richard Gere improvisou fechando a tampa do estojo em cima dos dedos de Julia Roberts de propósito. O resultado é uma genuína gargalhada, marca registada do carisma pessoal de Roberts. O realizador ficou encantado com a gargalhada e permitiu que a cena ficasse assim. É essa mesma gargalhada que faz as delícias dos espectadores.

Eddie Murphy

Vi recentemente um documentário sobre Eddie Murphy onde o próprio confessava que a gargalhada que o caracterizou no início da carreira é deliberada e não a sua verdadeira forma de rir. Durante anos e anos, as pessoas que se cruzavam com Eddie Murphy pediam-lhe para recriar a gargalhada e ele ficou de tal modo farto que já não a recria em filme (ou na vida real). Falsa ou não, a gargalhada Eddie Murphyana contagia sem sombra de dúvida.

Seth Rogen

Seth Rogen tem um passado de stand up e isso transparece na forma como domina o timing, amiúde faz vozes para filmes de animação e embora o espectador não consiga ver o actor, sabe imediatamente reconhecê-lo devido à sua característica gargalhada. Uns acham-na irritante, eu acho-a adorável. Aqui, em discurso directo numa entrevista para o New York Times, a gargalhada aparece em todo o seu esplendor.

Alf

A minha geração recorda com carinho a hilariante personagem de Alf, um simpático extraterrestre que aterra na casa dos Tanners e vira as suas vidas do avesso. Alf é na sua essência um cómico, assim como o bonequeiro que lhe dá vida. Paul Fusco foi o criador da personagem e simultaneamente quem manobrava o boneco e fazia a sua voz daí a personagem parecer tão genuína. A gargalhada de Alf finalizava cada piada que ele dizia e ficou de tal modo famosa que passou a representar o logo da companhia ao qual Paul Fusco pertencia.

Ewan McGregor



No primeiro minuto que vi Ewan McGregor no grande ecrã, fiquei encantada com o seu sorriso e não conseguia parar de rir com a sua gargalhada. É infalível e deveras contagiante. Com o linguajar escocês as gargalhadas aumentam. Este clip mostra um resumo do documentário “The Long Way Down” onde ele e Charles Boorman aventuram-se numa viagem de mota entre a Escócia e África do Sul. Nestes 6 minutos de improvisação em frente à câmara, sem qualquer ensaio ou guião, vemos McGregor no seu melhor e desafio-os a não rir. Acreditem, será difícil.

Mike Myers: Austin Powers “Yeah Baby”

Tal como Hanks e Murphy, Mike Myers traz consigo a herança do Saturday Night Live e alguns dos personagens criados na série chegaram mesmo a dar o salto para o cinema. Porém Austin Powers foi uma personagem pensada inteiramente por Myers, tendo em mente os filmes de espionagem britânicos dos anos 60. São muitas as frases que ficam no ouvido e às quais não conseguimos parar de rir. Uma delas é este “yeah baby yeah”, com a dentuça feia de Austin.

Jim Carrey

Não interessa qual o clip que aqui coloco, Carrey conta-se entre um dos muitos cómicos que inventam uma risada em cada comédia que protagonizam. Seja esta, ou esta , faz-me sempre rir descontroladamente. A suas performances são hilariantes, e mesmo em tom sério (género onde aliás Jim Carrey surpreende) consegue contagiar-me com a sua gargalhada.