Kiss Kiss Bang Bang

Pauline Kael, uma conhecida crítica de cinema, deu à sua colecção de ensaios o título de “Kiss Kiss Bang Bang”. Escreveu na introdução que havia emprestado o título a um cartaz de cinema italiano e que a frase resume o apelo básico do cinema – beijos e tiros. Por mais refutável que seja a afirmação, é inegável o fascínio que o cinema remete para o beijo cinematográfico. Se eu fosse o Alfredo de “Cinema Paraíso”, este seria o compêndio visual que deixaria a Toto.

Drew Barrymore + E.T (E.T- Extra Terrestrial)

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Um beijo é, usualmente, prelúdio de uma arrebatadora paixão mas também pode ser a elevação de um amor tão puro que não conhece barreiras. Este não foi o primeiro beijo de ecrã que vi, tinha na ideia os clássicos a preto e branco, mas a imagem da Gertie a beijar o E.T, antes deste partir, ficou para sempre tatuada na memória.

 Christian Slater + Patricia Arquette (True Romance)

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Beijos lascivos fotografados em contra luz foi, durante muito tempo, a imagem de marca de Tony Scott. Fê-lo em “The Huger”, “Top Gun” , “Revenge”, “Days of Thunder” e o filme protagonizado pelo meu actor fetiche da adolescência: Christian Slater e Patricia Arquette. True Romance é uma história de amor com o carimbo Quentin Tarantino, contudo, penso que não seria filmado com a mesma intensidade passional fosse ele o realizador. No comentário áudio de Top Gun, o mais novo irmão Scott, explica que era o “modus operanti” de filmar cenas de amor daquela altura mas, o que Tony filma; no quarto, cama, cabine telefónica, consultório médico, carro, água, sai sempre bem.

Leonardo Di Caprio + Claire Danes (Romeo + Juliet)

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Baz Luhrmann capta na perfeição a paixão inocente, mas avassaladora de Julieta e o do seu Romeu. Apaixonam-se através de um vidro de aquário ao som de  “Kissing you” de Desireé mas beijam-se no elevador ao som dos Garbage: “#1 Crush”. A câmara rodopia a 360 graus em câmara lenta. Imagem de marca de Baz e ele fá-lo bem, caramba!

 Ewan McGregor + Cameron Diaz (Life Less Ordinary)

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Celine: What’s wrong?
Robert: What’s wrong, you crazy bitch, is I thought you were gonna shoot me! THAT’S what’s wrong!

Celine toma as rédeas do seu próprio rapto e surpreende Robert com um inesperado beijo após um assalto a uma loja de conveniência. O amor filmado por Danny Boyle nunca é banal mas visualmente perfeito.

Ralph Fiennes + Angela Basset (Strange Days)

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Lenny e Mace dispersam por entre a multidão no primeiro dia de 2000. Ela segue de carro para a esquadra, ele afastando-se, percebe que está apaixonado por ela e volta para trás. Bate no vidro, puxa-a de dentro do carro olhando profundamente nos seus olhos. Ouve-se “Fall in the Light”de Lori Carson e Graeme Revell, caem confettis. Um final feliz reminiscente com aquele dos filmes de John Hughes, quando o gajo finalmente percebe que está apaixonado pela amiga e não a cabra da outra gaja.

Vicent Perez + Isabelle Adjani (La Reigne Margot)

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Quando La Môle descobre que a mulher mascarada é a Rainha Margot “Cette qui l’aime comme se venge”. Vicent Perez parece um anjo. Devia de ser proibido os homens serem assim tão bonitos.

Val Kilmer + Joanne Whalley (Willow)

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Impregnado de pó de “corações despedaçados”, Madmartigan entra na tenda de Sorcha para resgatar a bebé Elora e acaba por declarar-lhe amor eterno. São surpreendidos e antes de escapar Madmardigan rouba um beijo à moda dos grandes clássicos de capa e espada. Tensão sexual entre guerreiros de sexos opostos – Hans Solo e Princesa Leia part II, num reino far…far away.

Matt Damon + Minnie Driver (Good Will Hunting)

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Skylar: You were hoping for a goodnight kiss.
Will: No, you know. I’ll tell ya, I was hoping for a goodnight lay, but I’d settle for a good night kiss.

Diane Lane + Michael Paré (Streets of Fire)

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Lane e Paré, belíssimos neste musical de acção (soa estranho mas é muito bom). Cody diz a Ellen:“You know, no one ever had a hold on me like you did. I would have done anything for you. A long time ago I would have thought you were worthy of it. Not anymore, babe.Sai porta fora, chove intensamente. Ela segue-o e pergunta “What did I do to you that was so wrong?! e beijam-se.

Jena Malone + Hayden Christensen (Life as a House)

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A obstinada Alyssa entra no duche de Sam para perceber se os rumores de homossexualidade dele são verdadeiros. Certo.

Alyssa Look, I thought I was helping you.
Sam: It would help me if I could kiss you.
Alyssa: No. Look I thought we were just friends.
Sam: Well, what you think you know doesn’t necessarily have much to do with reality. I mean I hope I’m not the first one to tell you this.

Zach Braff + Natalie Portman (Garden State)

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AMO esta cena. Argumentistas de Hollywood, ponham os olhos neste timing para um beijo cinematográfico com mais arrebatamento que fogo de artifício. Large grita para o fundo do precipício afogando toda inércia da sua vida, tomando o rosto de Sam nas suas mãos e beijando-a sob chuva torrencial.Lindo!
Ethan Hawke + Gwyneth Paltrow (Great Expectations)

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Visual e musicalmente perfeito, a adaptação moderna do livro de Charles Dickens com o mesmo título é o melhor filme de Alfonso Cuarón. A química entre Hawke e Paltrow extravasa o ecrã e o beijo surpresa no repuxo mostra o verdadeiro sentido de “beijo molhado”.

Josh Hartnett + – é indiferente!- (na foto) Diane Krueger (Wicker Park) /Kirsten Dunst(Virgin Suicides) / Laura Harris (The Faculty)

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Josh Hartnett poderia até beijar uma parede, o vazio ou um rinoceronte, surtiria o mesmo efeito. Sofia Copolla captou a mística libidinosa de Hartnett na perfeição, pondo-o a percorrer, em câmara lenta, um corredor de liceu ao som de “Magic Man” dos Heart. A ala feminina suspira e nem sequer um beijo é trocado. É tudo, altura, olhar, postura, mãos. Efeito ‘crescendo’ quando inclui beijo 

Keanu Reeves + – é indiferente!- (na foto)Lori Petty (Point Break) / Charlize Theron (Devil’s Advocate) / Cameron Diaz (Feeling Minnesota)

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No ecrã, Keanu já beijou mulheres e homem e dá-me o mesmo tesão (desculpem, fui muito directa?!) Monica Bellucci mencionou que beijou Keanu Reeves 20 vezes numa cena de “Matrix – Reloaded” e adorou cada minuto pois “o Keanu beija muito bem”.

Richard Gere + -é indiferente!- (na foto) Debra Winger (Officer and a Gentleman) /Valerie Kaprisky (Breathless)

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Confesso que não sou fã do Richard Gere, mas que este homem sabe beijar no grande ecrã, sabe. Aprendam com o mestre. A idade passa por ele mas não o dom ósculativo que continua vivo e de boa saúde..

Michael Douglas + Kathleen Turner (Romancing the Stone)

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Michael Douglas outrora foi uma bomba sexual dentro e fora dos ecrãs. Presentemente apenas expressa o seu potencial à sra. Douglas, Catherine Zeta-Jones, à porta fechada, mas fica aqui a recordação do melhor beijo dos anos 80 com a partenaire Kathleen Turner.

Adrien Brody + Halle Berry (Cerimónia dos Óscares 2003)

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Bem sei, tecnicamente não é um beijo cinematográfico porque aconteceu em tempo real, em directo, em frente de milhões de espectadores. Quem assistiu sabe que não há beijo mais arrebatador que aquele que apanhou de surpresa Halle Berry.

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Top Piegas

A imagem ilustra a “Apoteose da baba e ranho”, expressão que uso quando assisto a uma cena demasiado emocional. Numa semana plena de razões para chorar, eis uma lista onde podem chorar à vontade –  O top 10 de filmes que me levaram às lágrimas. A tal apoteose da baba e ranho, atenção, não é uma figura de estilo, mas uma expressão que deve ser levada à letra. Não gosto de tops pois não consigo quantificar algo como sendo melhor que outro, porém tendo em conta que este top se baseia no número de lágrimas choradas por metro de fita cinematográfica, torna-se bem mais fácil.
Não se pense que, por criar o Top Piegas sou pessoa de choro fácil, nada mais afastado da realidade. Contudo, sentada numa cadeira de sala de cinema, onde a o instrumental alia-se com a imagem, o meu canal lacrimoso é atacado em força. Tendo em conta que metade deste top diz respeito a filmes visionados na infância, explica a facilidade da lágrima, porém a segunda metade corresponde à idade adulta e após rever os seguintes clips, rodeada de lenços de papel encharcados e com olhos inchados. Chego à conclusão que ainda atingem o canal lacrimoso.
Aqui fica, por ordem decrescente de lágrimas
1. ET – EXTRA TERRESTRIAL (E.T – O Extra Terrestre)
Razão: Captura e morte do E.T

Aqui está um exemplo que faz jus  à ilustração que introduz este tema. Para uma criança de 5 anos que nem sabia ler as legendas e via o seu primeiro filme não animado numa sala de cinema, o E.T era um animal de estimação que, tal como um cão, adoraria mimar. Assim que vi os homens com os fatos espaciais a entrar na casa, pressenti imediatamente que o E.T estava ameaçado e berrei em pranto. Devo ter chateado metade da lotação daquela sala com a minha berraria soluçante mas, sinceramente, nunca havia sentido uma tristeza tão avassaladora na minha curta vida. Quando o E.T  jaz no chão e chama desesperado por Elliot quando são separados, entro em choque e chorei com tal intensidade que a minha garganta inchou, os meus ouvidos entupiram, engasguei-me na própria baba e preguei um grande susto à minha mãe. Juro que nunca na vida chorei tanto como naquele momento – nem mesmo nas férias do Algarve, no ano seguinte, quando escorreguei de um muro, deixando a coxa em carne viva e acreditei piamente que ia morrer. No limiar da década de 90, já o E.T estava disponível para aluguer e passava na tv, não diminuiu muito o meu fluxo lacrimal. Já na adolescência, via o E.T com uma toalha no colo, longe de olhares alheios para não verem a minha triste figura. Pela ocasião do vigésimo aniversário da estreia do filme, já tinha algum controlo e “flanqueada” por dois distintos críticos de cinema, pratiquei (com treino) o que chamo de “choro em silêncio”.
2. NEVER ENDING STORY ( História Interminável)
Razão: A morte de Artax

“História Interminável” não guarda o recorde de mais lágrimas, porém detém o recorde absoluto de filme mais visto na infância – um total de mil e quinhentas e trinta e nove vezes. Nunca o vi no cinema, mas via-o obsessivamente no vídeo lá de casa. Assistia ao filme antes de ir para a escola, quando regressava, quando fazia os trabalhos de casa, quando recebia visitas dos amigos. Estes podem testemunhar a facilidade com que ligava a torneira das lágrimas quando o cavalo Artax sacumbiu às traiçoeiras águas do Pântano da Tristeza. Em minha defesa apraz dizer: se até o realizador do filme não resistiu à emoção ao gravar a cena, imagine-se qual o estado de espírito desta amante suprema de animais, ao ver a morte de um cavalo. A mancha da mesa da sala de estar da minha antiga casa, atesta o meu estado de precipitação lacrimal.
3. ELEPHANT MAN (O Homem Elefante)
Razão: Crueldade Humana


Vi este filme na tv quando era novinha, na altura não sabia que o personagem de John Merrick era baseado numa pessoa real. Mesmo alheia ao pormenor da veracidade da história de vida de Merrick, assistir a atroz crueldade humana, perante alguém fisica, cultura, emocionalmente diferente é algo que foi (e é) difícil assimilar. Particularmente em criança, mas ainda o é hoje. A profunda tristeza e horror pela forma como tratavam um ser humano deformado, como um bicho, ficou marcada na minha memória. Jamais esquecerei a desumanidade de uma multidão diante um finalmente feliz Merrick.

4. ANIMAL FARM (O Triunfo dos Porcos)
Razão: Morte de Boxie

Achei estranho assistir a um filme de animação em plena noite, mas o protagonismo de amorosos animais de quinta a conviver em harmonia uns com os outros, sossegou a minha mãe que permitiu que a sua filha de 8 anos ficasse até mais tarde a ver televisão. Mal sabia ela, muito menos eu, que o filme nada tinha de infantil e tudo de revolucionário. A adaptação cinematográfica do livro de George Ornell “O Triunfo dos Porcos” é um retrato crítico á sociedade capitalista que corrompe os valores humanos. Assim que os amorosos porquinhos cresceram para personificar malvados tiranos que escravizam os restantes animais de quinta, questionei-me como seria possível existir um filme de desenhos animados tão cruel. Quando o cavalo Boxer morreu já estava lavada em lágrimas e fui de bom grado para a cama antes de terminar o filme. Façam o que quiserem mas, pelo amor de Deus, não matem os animais! Até o serial killer de “O silêncio dos Inocentes” tinha estima pelo seu cãozinho. Ainda bem que a minha mãe nunca me levou a ver o “Bambi”! Imaginem o descalabro que isso significaria para tamanha defensora da causa animal.
5. DEAD MAN WALKING (A Última Caminhada)
Razão: Redenção, Humanidade


A meio da tabela, chegamos aos filmes visionados em idade adulta. Lembro-me do arrumador nazi da já extinta sala Alfa e como chorei baba e ranho, limpando tudo nas mangas da camisa, não não fosse o homem apontar-me a luzinha e expulsar-me dali. Um espectador ousou perguntar porque as luzes estavam acesas na altura dos trailers e o arrumador Nazi resmungou apoplético “tou farto de dizer que é sempre assim durante os trailers!” Medo, medo! Pena de morte é um assunto que já de si me melindra bastante, acho uma hipocrisia o mesmo Estado que diz não deves matar, o faça impunemente, porém, o que mais me comoveu foi a humanidade da irmã Prejean nas suas palavras: “ You look at me when they do this thing and I’ll be the face of love for you”. Baseado no verdadeiro testemunho da irmã, este mostra que o ódio não se combate com ódio. A dúvida sobre a culpabilidade de Poncelet permanece durante todo o filme, até ao momento final. Vendo atrocidade do crime cometido em paralelo com o “assassinato estatal” testemunha-se que a redenção  provêm do reconhecimento da verdade, assim como o maior castigo.

6. SCHINDLER’S LIST (A Lista de Schindler)
Razão: Extrema Crueldade Humana


Steven Spielberg está no top da minha lista de realizadores favoritos( ainda nem havia atingido a puberdade e já o era). É a minha convicção inabalável que Spielberg faz filmes extraordinários, muito bons e bons, jamais maus! Acho que em toda a filmografia, apenas falhei um escasso par de títulos. A Lista de Schindler esteve muito perto de ser um filme não visionado devido ao tema que sempre me melindrou – o Holocausto. Spielberg até aqui era conhecido pela boa disposição e entretenimento que imprimia nos seus filmes, lidar com tema tão obscuro e pesado parecia algo totalmente fora do seu alcance. A minha dedicação ao realizador venceu, mas foi uma experiência demasiado brutal. De tal intensidade que pela altura do massacre no ghetto (cena que não figura neste vídeo devido ao conteúdo violento do mesmo), senti vontade de vomitar e estive mesmo para sair da sala tal o prolongamento da agonia, dos gritos, do sangue (que era a preto e branco), da crueldade extrema – aleatória, cega, sem compaixão, sentido ou humanidade. Nem tinha a desculpa de assimilar que esta era uma obra de ficção. Saber que tamanha atrocidade aconteceu em pleno século XX é demasiado para quem ingenuamente acredita na bondade humana.

7. DANCER IN THE DARK

Razão: Destruição de um Coração Puro


Eis um filme que deliberadamente exagera no grau de crueldade, trazendo a má sorte, incompreensão e corrupção emocional ás suas personagens. Lars Von Trier e Björk, respectivamente realizador e cantora, que não me agradam particularmente, abriram a minha torneira da choradeira com um relato de faca e alguidar que não lembra o menino Jesus. Uma emigrante de leste, inocente e pura, luta para sustentar o filho, sonhando viver dentro de um musical. A moçoila é enganada pelo vizinho que lhe rouba as economias para pagar os gastos excessivos da mulher e a partir daí a pobre Selma sente na pele o degredo semelhante à figura bíblica de Jó. Não consegui resistir e o grande culpado é a magistral composição musical. De que outra maneira se pode explicar as lágrimas que rolaram logo no genérico de abertura? Um ecrã a negro só com um instrumental – pelo amor dos santos! Mas, confesso, chorei porque é-me difícil assistir á destruição de um coração puro. Ficção ou não.

8. TITANIC
Razão: Morte do Navio


Aposto que estão surpresos por este filme não figurar no topo da lista? Embora tenha havido sessões de choro fortes, foram um tanto ou quanto dessincronizadas com o resto da audiência. Para começar chorei logo nos créditos introdutórios (onde já se viu?!). A choradeira, ainda que ao nível silencioso, aumentou de tom a partir do momento que o navio fica condenado a morrer. Esqueçam a Rose e o Jack, história de amor, tadinho do parzinho vai ficar separado. Não. Eu chorei com a destruição do navio e o pânico dos passageiros. James Cameron fez um trabalho esplêndido ao trazer de volta a memória do Titanic, com tal fidelidade, veracidade e humanidade que os espectadores sentiram empatia pelos personagens, sabendo de cor o seu destino. Foi impossível compilar todos os momentos Buá, mas este seguramente é um deles.

9. COLOR PURPLE (Cor Púrpura)
Razão: Separação das Irmãs


A única felicidade de Cellie no meio de abusos, maltratos e desrespeito, sofridos desde tenra idade, é a sua irmã. Quando o marido ciumento de Celie as separa, sentimos na alma a dor da separação das duas irmãs que se amam. Se vocês não sentem nem um prenúncio de uma lágrima que seja nesta cena, desculpem lá, mas algo de muito errado se passa com o vosso centro emocional. Tenho dito!
10. REQUIEM FOR A DREAM
Razão: Desilusão de uma vida perdida

O segundo filme realizado por Darren Aronofsky não é de fácil visionamento e seguramente não o verei de novo, porém, é uma viagem emocional que ninguém deve perder. Um filme visual e musicalmente magistral, percorre as estações do ano como estados emocionais. Segue do encantamento e euforia da Primavera, para a devastação e decepção cruel do Inverno. Aronosfsky fala de vícios, não só químicos, mas aqueles que guardam a ilusão de uma vida melhor. O nível de choro atinge o pico do insuportável nesta cena, quando Marion pede para Harry regressar a casa e este mente dizendo que em breve o fará. É de uma tristeza avassaladora, pois tanto o espectador, como as personagens sabem que tal não vai acontecer, apenas se agarram a uma réstia de esperança que em breve morrerá.

E Tudo o Vento Levou

O forte vento que se faz sentir lá fora serve de inspiração para uma colectânea de sequências cinematográficas onde o vento tem um papel importante. Neste dia de forte ventosidade, o Mixtape aconselha que fiquem sossegados no sofá em casa na companhia de um destes filmes, ou até uma maratona cinematográfica se são cinéfilos de núcleo duro.

 

Em criança, em dias de muito vento, adorava escapar-me para a varanda e aninhar-me no sofá que lá estava, envolta num longo cobertor só para ouvir o som do vento e senti-o no meu rosto. Era o meu prazer secreto, se os meus pais adivinhassem tal proeza, de certeza seria levada a puxão de orelhas para o interior da casa. Ainda hoje gosto de adormecer ao som de tempestade de vento que varre tudo no seu caminho. Mas nesta edição o vento é projectado em ecrã.

No cinema o vento é um agente de mudança simbólica ou emocional. Pode representar a passagem para outra dimensão ou estado ilusório, pode unir ou reconciliar os protagonistas ou ser simplesmente uma metáfora do estado de alma revolto. Também é um factor meteorológico muito usado nos filmes desastre e, com avanço dos efeitos visuais digitais, a tela de cinema detém a visualização privilegiada da força sibilante da Mãe Natureza.

American Beauty

 

Palavras ao vento: «That’s the day I realized that there was this entire life behind things, and this incredibly benevolent force that wanted me to know there was no reason to be afraid, ever.»

 No oscarizado American Beauty, o vento protagoniza o momento poético do filme, directamente saído da experiência de vida e exímia escrita de Alan Ball, o argumentista. Emociono-me sempre quando vejo esta cena pois também partilho a ideia que observar algo maravilhoso nem sempre cabe no coração.

The Wizard of Oz

 

Palavras ao Vento: «Toto, I don’t think we’re in Kansas anymore»

 No maravilhoso clássico dos anos 30, o forte vento na forma de tornado, transporta Dorothy da simples vida real de uma quinta do Kansas para um mundo de maravilhosa fantasia onde esta, mais três personagens caricaturadas, embargam numa aventura em busca do Feiticeiro que resolverá todos os problemas. Tal como em Alice no País das Maravilhas, o vento é como o espelho, um portal de entrada que não é mais que uma viagem de descoberta interior.

Wunthering Heights

Palavras ao vento: «I have not broken your heart – you have broken it; and in breaking it, you have broken mine.»

 Do antigo dialecto britânico, Wunthering é o adjectivo que descreve uma zona geográfica assomada por fortes e uivantes rajadas de vento. A autora Emily Brontë coloca os protagonistas de trágico amor nas charnecas do norte de Inglaterra, onde a condição meteorológica é inóspita, cruel e fustigante, como os seus protagonistas. Heathcliff e Catherine amam-se, mas não conseguem assumi-lo por defeito de carácter: o orgulho e a frivolidade. A adaptação cinematográfica de 1992 com Ralph Fiennes e Juiette Binoche é a minha favorita e a cena em que Heathcliff toma conhecimento da morte de Catherine, Fiennes exterioriza uma palete de emoções que vai da angústia, fúria e loucura com uma intensidade tão impressionante como o vento que sopra forte na charneca.

 E.T – Extra Terrestrial

Palavras ao vento: «Run for your life! Back to the river! Back to the forest»

 Numa das mais deliciosas cenas do filme E.T, o vento que de rompante entra dentro da sala de aula é figurativo de um estado sonho em que o pequeno Henry se encontra. A ligação emocional com o extra terrestre é evidenciada  quando E.T, que está em casa ébrio, assiste a uma cena romântica entre John Wayne e Maureen O’Hara no filme«The Quiet Man» e Elliot emita o gesto. Spielberg é brilhante ao filmar a sequência em pantomima evocada pelos filmes mudos, onde não faltou o levantar de calcanhar da menina arrebatada pelo beijo de Elliot.

The Neverending Story

Palavras ao vento:(the Nothing) «It’s the emptiness that’s left. It’s like a despair, destroying this world. And I have been trying to help it.»
A terra de Fantasia onde estão concentrados todos os sonhos e fantasias da humanidade, está a morrer pois os humanos perderam a fé nos sonhos. Esse nada que se instala dita o fim da terra de fantasia que se dissipa sob fortes ventos. Em Neverending Story, o vento é manifestação física de sonhos perdidos.

Twister

 

Palavras ao vento: « “The Suck Zone”. It’s the point basically when the twister… sucks you up. That’s not the technical term for it, obviously»

 No filme de Jan de Bont, os tornados são protagonistas meteorológicos, Twister segue uma inusitada equipa de profissionais que perseguem tornados para recolherem dados. Parece ficção mas não é, existem de facto corajosos insanos o suficiente para estar perto de tornados. Nem todos têm a «sorte» de ver o interior de um tornado em acção, excepto nós, os espectadores com a ajuda de muito convincentes efeitos visuais, no conforto e segurança da sala. é a magia do Cinema.

Bram Stoker’s Dracula

 

Palavras ao vento: «I have crossed oceans of time to find you»

 Na mais perfeita adaptação do clássico literário de Bram Stoker, Drácula é um conde romeno amaldiçoado por desafiar a lei cristã. Amargurado com a morte da sua mulher, Dracul torna-se um ser sobrenatural que suga o sangue para garantir a imortalidade. «Também eu sou capaz de amar»diz o monstro e, em busca da alma da sua mulher, reencarnada em Mina na distante Inglaterra, o conde percorre os mares dentro de um caixão. No filme, os fortes ventos estão directamente relacionados com a incarnação monstruosa de Drácula. Durante a viagem, fortes ventos assolam o navio que o transporta, ao encontro das suas vítimas, em particular Lucy, o forte vento é a interpretação de natureza obscura do homem em  forma de monstro. Já com Mina a seu lado, na corrida contra o nascer do sol, esta invoca a tempestade para escurecer os primeiros raios de luz.

Fade In /Fade Out

Cada espectador guarda na memória a sua lista de filmes preferidos pelas mais variadas razões; guião, elenco, identificação com a história, estética visual. Alguns filmes marinaram uns tempos no limbo da indecisão até agraciar a lista das preferências. O tempo, a maturidade, a experiência, repetidos visionamentos são factores, porém no Cinema, tal como no Amor, há filmes que nos conquistam logo no primeiro minuto, antes mesmo dos créditos de abertura. Há outros que nos conquistam no final. 

Na lista que se segue o denominador comum nos dois é a banda sonora. Instrumental ou vocalizada, é o caminho directo para o meu nervo emocional. O que me faz chorar em segundos, sentir falta de ar ou adrenalina a subir dado a intensidade das imagens aliadas à música. Eu diria que esta lista é um Top 10 +, mas eu não lido bem com números redondos e fiz batota na lista de melhores sequências introdutórias

 Star Wars



A abertura deste filme é um clássico. Apenas uma frase em fundo negro no silêncio “A long time ago, in a galaxy far, far away…”, disparando num Bang instrumental da autoria de John Williams, que vai direito estômago, como se fossemos impulsionado num foguetão rumo às estrelas. Nem todos sabem que a disposição do crawl up (na gíria cinematográfica) foi inspirado na série Flash Gordon dos anos 30, ainda menos sabem que George Lucas, o realizador do filme, pagou cerca de 250 mil dólares de multa ao Sindicato das Ciências Cinematográficas, para manter os créditos do filme no segundo episódio da saga. Não obstante as maravilhas técnicas por detrás desta introdução, é o tema de John Williams que torna a sequência de abertura intemporal e inesquecível, particularmente numa sala de cinema.

Romeo + Juliet

 

Baz Lurhmann é um visionário, aficionado por ópera e isso reflecte-se na sua interpretação cinematográfica da tragédia de William Shakespeare: Romeu e Julieta. Baz adapta a peça situando-a numa actualidade hiperbolizada, mas mantendo o texto literário original do século XVI. A sequência arranca numa orgia sonora no tema instrumental que lembra “O Fortuna” da ópera Carmina Burana, enquanto as imagens disparam a uma velocidade estonteante na mesma cadência da música. Como fogo de artifício que dispara com estrondo, retirando-nos o fôlego e nos projecta directamente no mundo Lurhmanniano.

25th Hour

O tema de Terrence Blanchard, que ecoa como um triste requiem às Torres Gêmeas, é simplesmente magistral e complementa na perfeição com a estética visual criada por Rodrigo Prieto. Os créditos iniciais parecem casuais efeitos luminosos para evidenciar em crescendo musical os holofotes emitindo um feixe de luz que se eleva aos céus no preciso local onde jaz a memória do ataque terrorista de 11 de Setembro.

Bram Stoker’s Dracula

O filme inicia com o prólogo, contextualizando o passado do conde Drakul, uma triste e trágica história de amor e perda que leva o conde a amaldicionar Deus e tornar-se numa figura das Trevas. Todo o ambiente lembra um quadro em tons fogo, um teatro de sombras, ao som do portentoso instrumental da autoria de Wojciech Kilar. Começa de mansinho para crescer numa intensidade quase sufocante, como uma vibração que atinge o peito sucessivamente, revelando-se uma experiência catártica antes mesmo do título genérico. Toda a banda sonora: sorumbática, sombria, triste, pujante de drama é uma presença omnipresente revelando os estados de alma dos outros personagens.

Titanic

Confesso! Choro facilmente nos filmes, especialmente quando as imagens são aliadas a uma banda sonora arrebatadora. No caso de Titanic, as lágrimas rolaram pela minha face aos 30 segundos do início do filme. Tudo o que bastou foi ouvir a etérea voz da Sissel no tema instrumental composto por James Horner: “Never an Absolution” enquanto desfilavam as imagens recriadas da saída inaugural do Titanic, intercaladas com as imagens reais do navio no fundo do mar. Foi a primeira vez que chorei num genérico, mas fiquem a saber que não larguei nenhuma lágrima no genérico final ao som da canção da Celine Dion: My Heart will Go on”!

Dancer in the Dark

Em 2000, com a polémica do filme de César Monteiro “Branca de Neve” ainda no ar(mais de metade do filme passa-se em ecrã negro), temeu-se o pior no visionamento do filme do nem sempre ortodoxo Lars Von Trier. Assim que o instrumental conduzido por Vincent Mendonza: “Overture” foi crescendo em intensidade, o ecrã negro deixou de ter importância durante os três minutos que assim permaneceu. Cada minuto vivido com equivalente intensidade emocional, introduz-nos no mundo de Selma, quase à beira da cegueira com capacidade de sonhar as mais bonitas imagens ao som da música. Esta foi a segunda vez, que chorei logo no genérico, os instrumentais em crescendo são canais directos para os tubos lacrimais. A sério…

Pulp Fiction

Quentin Tarantino escolhe com muito cuidado a sua banda sonora, sempre composta por canções e não a usual score. Ele afirma que o tema de abertura é o mais importante pois transmite qual o ritmo do filme. Ainda nas suas palavras: “Usar um tema como Misirlu (tocado por Dick Dale & His Del-Tones)é dizer ao público preparem-se para ver um grande épico que começa com um Bang”. É isso mesmo, nem vale a pena acrescentar mais nada. o tema de abertura precedido por um assalto a um restaurante é o lamiré para uma aventura desenfreada, assim como o ritmo do tema que sobe a adrenalina de qualquer um.

Shoot ’em Up

A introdução transmite o ritmo TODO no filme, o aparecimento do título genérico é, talvez, o único momento parado. O tema “Breed” dos Nirvana marca o ritmo de coreografadas e vertiginosas cenas de tiroteio. Acho piada como o logótipo da New Line entra no barulho ao ser polvilhado de balas.

Indiana Jones and the Temple of Doom

Os genéricos de todas as aventuras de Indiana Jones têm uma particularidade engraçada, pois sobrepõem o logótipo da Paramount – uma montanha – numa imagem real de algo com a mesma silhueta e forma. Escolho este genérico pois satisfaz a minha paixão pelos musicais Hollywoodescos inspirados na Broadway.

Le Fabuleux destin de Amélie Poulin

Mais um genérico que contextualiza a vida da personagem. Aqui vemos o crescimento da pequena Amélie de uma forma peculiar. Um caleidoscópio de singularidades curiosas, narrado em forma teletexto que, mais tarde seria copiada noutros filmes. Ao som do piano inspirado de Yann Tiersen. Um mimo!

Love is all Around

Quando vi este genérico fiquei comovida pelo facto do realizador, Richard Curtis, sentir o mesmo que eu em relação à porta de chegadas dos aeroportos. Não sei bem porquê, mas quando estou no aeroporto, não resisto a espreitar a porta de chegadas e sentir-me contagiada pela felicidade genuína dos rostos que por passam. A melodia melancólica de Craig Armstrong lembra um dia triste de chuva, mas esta montagem, onde pessoas reais e não actores partilham momentos de pura alegria é tudo menos melancólica.

FADE OUT

A lista seguinte foca os filmes, ainda que extraordinários, revelam cenas finais que tornam o filme inesquecível, para sempre tatuados na memória. A maior parte destes filmes não tem final feliz ou desejado, mas a banda sonora é a grande responsável por conduzir os respectivos finais à apoteose. Noutros filmes, é a viragem dramática que a banda sonora ajuda a criar, mas que vale por si só.

ADVERTÊNCIA
Aviso para não veres os vídeos dos filmes indicados em baixo, pois irá arruinar a experiência do visionamento do filme.

Nuovo Cinema Paradiso



O filme é uma ode ao cinema e como tal apaixonei-me imediatamente por ele. A sala de cinema da minha terriola foi praticamente uma irmã e ainda penso nela com doce nostalgia. A cena final, onde o adulto Toto vê uma montagem das cenas românticas, cortadas pela censura do padre da aldeia, ao som do belíssimo instrumental de Ennio Morricone, entra pelo meu coração adentro com avassaladora emoção. Não sei explicar porque todos os instrumentais de Morricone me fazem triste ao ponto de chorar sem perceber porque carga de água, mas neste filme, imprime uma marca de felicidade que extravasa a própria felicidade. Possivelmente o melhor final cinematográfico de todos os tempos.

American Beauty



De novo, um filme que me conquistou logo no genérico como um brilhante e sarcástico guião e assim continua até ao final, simplesmente magistral. O discurso final de Lester Burham (Kevin Spacey) pautado pelas doces notas musicais de Thoman Newman é uma inspiração e ainda conservo o texto de Alan Ball na minha agenda:

It’s hard to stay mad, when there’s so much beauty in the world. Sometimes I feel like I’m seeing it all at once, and it’s too much, my heart fills up like a balloon that’s about to burst… And then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain and I can’t feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life… 

Thelma and Louise

Este final não seria o mesmo sem o tema de Hans Zimmer: “Thunderbird”. Sei-o porque vi o final alternativo no Dvd (edição de coleccionador) e não produz qualquer impacto. Os acordes iniciais são como um chorar de despedida e é voando com o seu Thunderbird pela imensidão do Grand Canon, que estas duas amigas se despedem. A imagem é parada seguida de flasbacks com os momentos que Thelma e Louise passaram. O resultado final é magnâmico e inspira muito mulherio a seguir a tag line: Somebody said get a life… so they did. “

Braveheart

Vi este filme, muito contrafeita e em VHS pois não havia perdoado o facto do mesmo ter ganho o Óscar de Melhor Filme em vez de Dead Man Walking (o meu favorito nesse ano). Longe de ser um mau filme, é deveras inspirador, com imagens belíssimas de uma Escócia que só iria conhecer um ano depois. Foi a sequência final que vai desde a cena de tortura em que William Wallace grita “FREEDOM” e morre, culminando na batalha de Bannockburn. Quando Robert the Bruce, em clara desvantagem numérica, avança para as tropas inglesas levando a Escócia até à liberdade é uma sequência apoteótica. A música de James Horner entra pelo ouvido como um grito de Guerra e a sério que me fez levantar e berrar: “FUCK THE ENGLISH!” Ok,o meu grito foi interno, mas que este final nos faz levantar da cadeira com vontade de conhecer a Escócia, podem crer que faz.

E.T- Extra Terrestrial

Basta dizer que este é o filme da minha vida. Vi-o numa sala de cinema com a tenra idade de 5 anos, ainda sem saber ler. Marcou-me para sempre e não tive dificuldade em perceber o que se passava, apesar de não saber ler as legendas. A música de John Williams guiou-me sempre até ao final que é triste pois resulta numa separação entre dois amigos, mas deixa uma marca inesquecível na memória. É o típico final que nos leva à apoteose da baba e ranho. John Williams tem esse poder, o de contar uma história com a música. Spielberg faz isso com as imagens, mas puder contar com Williams para amplificar a história é uma bênção.

The Bridges of Madison County

Talvez este seja um filme demasiado romântico, tendo em conta que é realizado pelo durão Clint Eastwood. Na minha modesta opinião, é uma história de amor muito bonita que se concretiza mas não pode se prolonga por vontade da personagem interpretada magistralmente por Meryl Streep. Na cena final, chove torrencialmente, Francesca, deseja mais que tudo fugir com Robert, mas faz o derradeiro sacrifício de o deixar partir para ficar com a família. A dor espelhada no rosto de Streep inunda o nosso coração de tristeza, mas a ideia de preservar para sempre um momento tão perfeito é igualmente memorável.

Dead Man Walking

O desfecho deste filme vale por 10 debates sobre a pena da morte. A cena que me fez chorar baba e ranho (literalmente!) é tão brilhante que basta pensar nela para me virem lágrimas aos olhos. Quando Poncelet (Sean Penn) faz o percurso para a câmara da morte, a irmã Prejan (Óscar mais que merecido para Susan Sarandon), olha para ele e diz: “The last thing I want you to see in this world is hate. When they do this, look at me and I’ll be the face of love for you”. A sublime voz de Nusrat Fateh Ali Khan, acompanha a verdade do que aconteceu na noite em que Poncelet violou e assassinou uma mulher, intercalando com imagens do procedimento de injecção letal. A genialidade desta sequência é estabelecer um paralelo entre um ser humano a matar outro humano e o Estado a matar um ser humano. Embora seja uma cena de uma brutalidade para além da minha capacidade de absorção, é poética na sua concretização.

Primal Fear

O momento em que este filme faz a transição de interessante para “c’um caneco!” é exactamente no final, nesta cena. Observar um actor deste calibre em acção é puro deleite, até nos esquecemos da música de fundo.

Lost in Translation

O segundo filme de Sofia Copolla é quase um slideshow fotográfico, a própria diz que se inspirou em fotografias que tirou na sua viagem ao Japão. A sua equipa técnica achava aquele método deveras estranho, mas o filme é uma delicia visual e emocional. A última cena, em que Bill Murray despede-se de Scarlett Johansson, ambos partilham um momento especial,a personagem de Murray sussura algo ao ouvido de Scarlett que é inaudível para o espectador, mas é exactamente isso que faz a cena especial. Um momento só deles que assistimos com genuíno prazer. o filme termina com um travelling estrada fora ao som dos Jesus and Mary Chain: “Just Like Honey”. Existe tema de fecho mais propriado?! Adoça os sentidos como doce mel. Perdoem-me a má qualidade do video, mas parece que o Youtube dedica mais tempo a descortinar o conteúdo das palavras sussurradas do que salientar o clip final

6th sense

Uma palavra – reviravolta, conhecido na gíria cinematográfica como twist
Tornou-se a imagem de marca de M. Night Shyamalan (até enjoar). É uma revelação ver a reviravolta surgir à nossa frente e ver o público soltar um “ahhhhhh!” quando acontece. Banda sonora irrelevante, embora o sr James Newton Howard mereça ser louvado.