Amor Segundo o Cinema

Em Fevereiro, o Amor está no ar. Porquê? Celebra-se o Dia de São Valentim ou, para os mais distraídos em assuntos sacrossantos, o Dia dos Namorados. É a altura ideal para celebrar o Amor sob a óptica da 7ªarte. Rapaz conhece rapariga, mulher conhece amante, marido trai mulher, rapaz “conhece” tarte de maçã. Pontos de partida divergentes que convergem num só. Amor apaixonado, sexual, ocasional, etéreo, platónico, passional, obsessivo, solitário. Tudo variações da emoção mais retratada  no celulóide em cenas para sempre imortalizado no grande ecrã. O Mixtape preparou um especial Dia de São Valentim que promete inspirar os apaixonados e até aqueles que acreditam que este dia é uma grande estopada.

Pode ser desejado, mencionado, consumado ou simplesmente sugerido. Na época dourada de Hollywood, não havia espaço para manifestações físicas, mas a mera sugestão de palavras e o clássico sex appeal das estrelas de Hollywood arrebatavam corações dos espectadores. O tempo de cronometrar 8 segundos para um beijo está a anos luz de distância. Ao longo dos anos, as cenas de amor revelam cada vez pele, ao ponto de suplantarem o próprio filme. Mas, a expressão do Amor, física ou espiritual, mantêm-se acompanhando a evolução dos tempos.

English Patient: Ralph Fiennes & Kristen Scott Thomas

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Se as mulheres já suspiravam com a visão de Ralph Fiennes, gordo e sádico em “Lista de Schindler”, A personagem do conde Almásy: espadaúdo charmoso, bronzeado, sedutor – perdida e obsessivamente apaixonado por Katherine-  fez de Fiennes o eterno quebra corações. Adoro a forma como ele nomeia o vale na base do pescoço dela como o seu local preferido.

 Basic Instint : Sharon Stone & Michael Douglas

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Nunca cena de sexo foi tão longa e bem aproveitada. A química de Stone e Douglas explodiu no ecrã. Sobre esta cena, a personagem de Douglas disse: “She’s the fuck of the century”, já a actriz Sharon Stone fez um comentário amplamente publicitado: “Tive, pelo menos três orgasmos!”.

Revenge : Kevin Costner & Madeline Stowe

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No final dos anos 80 e início dos 90, Kevin Costner era hot property de  Hollywood, partilhando “O Amor” com Sean Young , Susan Sarandon, Mary MacDowell no banco de trás de uma limusine, banheira, bengaleiro, tenda. Num dos filmes mais desinteressantes de Tony Scott, Costner e Madeleine Stowe protagonizam  um bem mais interessante e magnificamente fotografado affair. Para os mais curiosos e pacientes podem ver o video e testemunhar como a química entre dois actores funciona no mais simples acto de fazer limonada.

Tequila Sunrise
: Mel Gibson & Michelle Pfeiffer

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Mel Gibson e Michelle Pfeiffer a emergir da piscina todos nus. Parafraseando a personagem do Raul Julia “it was like a fucking marathon 3 hours, Jesus!” Nos tempos idos em que os belos olhos de Mel Gibson paravam o coração da ala feminina.

Thelma & Louise: Geenna Davis & Brad Pitt

Louise: “You finally got laid properly, I’m so proud…”

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Foi tudo o que bastou para retirar Brad Pitt da sombra, a caminho do título de “O Homem Mais Sexy Do Planeta”.

Breathless : Richard Gere & Valérie Kaprisky

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No apogeu do seu estatuto de sex symbol, Richard Gere contracenou com a francesa Valérie Kaprisky numa adaptação americana do filme de Goddard. No papel de Jessie, Gere é um delinquente em fuga, com tempo para embaciar o ecrã nas cenas de sexo que viriam a ser o SEU  “pão nosso de cada dia” na década de 80.

Devil’s Advocate: Keanu Reeves & Charlize Theron

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Keanu Reeves com outra no pensamento e Charlize Theron contra a parede. Gosto do pormenor dele estar despido com as botas (e a cicatriz na barriga).

Fatal Attraction: Michael Douglas & Glenn Close

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O amor obsessivo de Glen Close por Michael Douglas, levou a ala masculina a pensar duas vezes antes de cometer adultério. Antes de cozer o coelho da filha deste numa panela, Glenn Close professou o amor na cozinha, elevador e outros sítios arredios.

9/2 Weeks:
Kim Basinger

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Quem quer saber do Mickey Rourke quando se tem a Kim Basinger a fazer um soberbo strip ao som de “You can leave your hat on”?! Voyeurismo, sim!

Ghost: Patrick Swayze & Demi Moore

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Swayze e Moore, protagonizam um amor que sobrevive à morte. Manifestado em vida nesta cena, com o tema “Unchained Melody” dos Righteous Brothers, em perfeita sincronia com os movimentos da paixão. Uma das mais memoráveis cenas de amor do cinema, fez correr muita tinta e multiplicou-se em imitações baratas. Nenhuma suplantou a original.

Jerry Maguire: Tom Cruise Reneé Zwellweger

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“That’s not a dress, that’s a Audrey Hepburn movie…”

Renée Zellweger luminosa, quebra o medo de relacionamento amoroso com Tom Cruise que nos leva às lágrimas com a declaração: “You…complete me!”

Pretty Woman: Richard Gere & Julia Roberts

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Dos sítios onde praticar “O Amor”, um piano é o mais requintado. Não é aqui que Julia Roberts beija Richard Gere mas é um hors d’oeuvres de luxo que antecede a refeição principal com direito a “Amo-te” no final.

Bram Stoker’s Dracula: Gary Oldman & Winona Ryder

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Num plano subliminar, Drácula de Bram Stoker é uma ode ao prazer oral. Pode parecer estranho considerar erótica, a cena em que uma mulher suga o mamilo cortado de um homem. Com Gary Oldman a sussurrar: “Walk with me to be my loving wife forever”, é também uma ode ao prazer auditivo!

L.A Confidential: Kim Basinger & Russell Crowe

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Lynn Bracken: I see Bud because I want to. I see Bud because he treats me like Lynn Bracken and not some Veronica Lake look-alike who fucks for money.

A velha história da prostituta de luxo que conquista o coração do polícia durão. Russel Crowe e Kim Basinger sob direcção de Curtis Hanson oferecendo um  novo fôlego ao film noir marca a diferença.

Tudo o Vento Levou Vivien Leigh & Clark Gable

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A mera sugestão de Gable é suficiente para palpitar o coração de Vivien Leigh:

“You should be kissed and often, and by someone who knows how”

The last of the Mohicans : Daniel Day Lewis & Madeline Stowe

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É difícil esquecer o encontro amoroso de Day Lewis e Madeline Stowe por detrás de uma queda de água. Haverá sitio mais perfeito?

Out Of Sight: George Clooney & Jennifer Lopez

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O poder da sedução começa pelas palavras e acaba num quarto de hotel. Clooney e Lopez com a quimíca perfeita, susceptível de embaciar o ecrã. Confesso que George Clooney nunca esteve na minha lista de preferências, mas mudei de ideias depois de ver este filme.

American Pie:  Jason Biggs e …a tarte (!?)

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À pergunta: “Qual é a sensação de entrar numa mulher”, respondem a Jason Biggs “É como uma tarte de maçã”. O que aconteceu a seguir, explica o porquê do título “Americam Pie”. O amor solitário no seu melhor (pior) nível.

Call Me by your Name: Timothée Chalamet e Armie Hammer

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Com a estreia de Call me By Your Name, assistiu-se a outra cena de…”amor”… com fruta, ainda que num melhor nível ,visionado com algum embaraço. No entanto, o actor Timothée Chalamet teve direito a nomeação para o Óscar como melhor actor e a química entre a sua personagem Elio e Oliver (Armie Hammer), transpira sensualidade nos mais pequenos pormenores

Mulholand Drive: Naomi Watts & Laura Harring

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Nunca uma relação entre duas mulheres foi tão magnética, misteriosa e sedutora. Amor obsessivo filmado por David Lynch.

Brokeback Mountain: Jake Gyllenhaal & Heath Ledger

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O amor não vê fronteiras. A  relação secreta de dois cowboys num período de 20 anos comoveu meio mundo e mudou o estereótipo da homossexualidade.

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No Pólo Norte, Nada de Novo

Decerto já repararam que está frio. A frente fria que vem do Polo Norte está a dar cabo dos nossos nervos e obriga-nos a vestir como aquele logótipo dos pneus Michelin. Pensem pelo lado positivo, por mais frio que esteja, não se compara em nada com o sofrimento regelado dos personagens que por aqui vão desfilar. Há ainda quem passe muito mais frio.

Nota: Este texto foi redigido sob o quentinho do aquecedor

Ice Age – The Dawn of Dinosaurs

Na Idade do Gelo, o frio era historicamente abaixo do normal e apenas as criaturas de espesso pêlo sobreviviam, ou aqueles que se cobriam com as suas peles. Nesta tundra pré histórica, o esquilo Scrat mantinha o ânimo quente ao pensar na sua amada bolota. Nem rajadas de frio gélico, nem a neve, afastam Scrat do fruto seco mais apetecido.

Temperatura: quente de tanto rir.

Fargo

Fargo encontra-se na fronteira entre os estados de North Dakota e Minnesota, apenas os estados mais frios dos Estados Unidos da América. Poderia ser uma cena de um estúdio, onde a neve é feita de puré de batata, mas percebe-se pela roupa e pelo bafo que estamos perante frio na ordem dos vinte graus negativos. BRRRRRRRR. Porém, Frances McDormand irradia perfeição na sua interpretação de uma polícia grávida, a braços com a investigação de um rapto a la Irmãos Cohen.

Temperatura: Negativa na temperatura, positiva na interpretação. Frances levou um Óscar de Melhor Actriz Principal para casa.

The Long Kiss Goodbye

O que será mais frio que a temperatura negativa lá fora? Ser mergulhada à força dentro de água gelada. Para o comum mortal, isso seria meio caminho andado para um falecimento precoce. Para a dona de casa, ex agente do governo é tempo cronometrado para abater o inimigo.

Temperatura: Morna. Geena Davies está num estúdio e, embora acredite que a água do tanque não esteja necessariamente quente, e está exposta a hipertermia com aquele neglige, encontra-se numa situação relativamente confortável.

Reindeer Games


Ingerir bebidas quentes é uma boa ideia quando está frio, mesmo quando somos ameaçados de morte por um gang de larápios. Peçam com jeitinho e talvez tenham direito à uma fatia de tarte para acompanhar.

Temperatura: Quentinha depois do chocolate quente.

Titanic

A personagem de Leonardo DiCaprio, explica a Rose, qual a sensação de entrar em contacto com a água numa temperatura tão baixa: “a dor atinge-te como milhares de facas espetadas em todo o teu corpo. Não consegues respirar, nem pensar em nada que não a dor que sentes” Com esta explicação tão pormenorizada, chegamos a esta cena com um frio na espinha (e no coração). A grande maioria dos passageiros do Titanic morreu de hipotermia devido às temperaturas geladas do Oceano Atlântico.

Temperatura:
Tépida. Foi plenamente divulgado o frio que os actores passaram nas cenas de água, como esta estava à temperatura ambiente para não criar vapor, no entanto, nesta cena em particular, a água estava morna e os actores e extras mergulhavam em banheiras de água quente entre os intervalos.

Love Actually

Pode-se sempre contar com o Reino Unido no que diz respeito a condições metereológicas deprimentes. Más condições metereológicas dão azo a estados comportamentais infelizes, mas aqui o nosso amigo Colin tem um plano perfeito. Mochila cheia de profilácticos, rumo a qualquer bar dos Estados Unidos da América onde hordas de raparigas o esperam. É afinal o sonho de qualquer macho e todos sabemos, especialmente os habitantes do Midwest norte americano, que os bares daquela zona estão povoados com raparigas esbeltas e sensuais, dispostas a dar guarida a pobres mochileiros estrangeiros.

Temperatura: A ferver, apesar das raparigas, coitadas, não terem dinheiro para comprar pijamas. Curiosamente, tenho um amigo que vive no estado da capital de Milwaukee, viu o filme no cinema e quando esta cena surgiu a sala de cinema, em peso, riu à desgarrada.

The Day After Tomorrow


Percebe-se que está mesmo frio quando a mãe de todas as frentes frias, consegue congelar líquidos em ebulição e mumificar corpos em gelo em questões de segundos.
É muito frio…

Temperatura: A ponto de granizado.

Lord of the Rings – The Two Towers

A passagem de Caradhras é um sítio bastante frio, como aliás em todos os cumes de montanha, este ainda mais com o encantamento mal intencionado de Saruman.

Temperatura: Insuportavelmente quente. O cume da montanha existe, mas a cena foi feita num estúdio onde os actores estavam a suar ao ponto da desidratação. Orlando Bloom confessou no comentário do dvd que a temperatura no estúdio era insuportável e muitas vezes engasgaram-se com o material que usaram para a neve.

Bridget Jones Diary

Quando neva lá fora, a probablidade de estar um frio de rachar aumenta, nesta ocasião convém ir bem agasalhada com duas ou três camadas de roupa. Não é de todo prudente sair de casa só com cuecas, ainda que estas tenham padrão leopardo, um animal que habita no continente africano, onde é bem mais quentinho.

Temperatura: Fria, mas o Amor aquece o nosso coração.

The Eternal Sunshine of the Spotless Mind



Joel sente uma vontade incontrolável de viajar até à costa no dia dos Namorados, sem razão aparente. Se ele está disposto a desbravar vento gélico e temperaturas baixas para passear junto à beira mar, é porque algo muito importante o atrai até lá.

Temperatura:
Filmado na cidade de Mountauk,no Estado de Nova Iorque, em pleno Inverno, é seguro dizer que estava um briol que não se aguentava. O nariz vermelho não engana.

Home Alone

Um sábio conselho. Se as temperaturas são baixas e neva, não é prudente molhar as escadas de acesso à casa. Tal pode dar azo a quedas, ainda que hilariantes, muito perigosas para a saúde.

Temperatura: Escorregadia, no mínimo.

James Bond – The Living Daylights

Se há alguém capaz de escapar a vilões de metralhadoras com um violoncelo a servir de trenó, esse alguém é Bond. James, Bond. E ainda o faz com estilo.

Temperatura: Cool, muito cool

 

5 Declarações de Amor Cantadas

Em dia de Namorados, o Mixtape segue o lema de Marco Paulo, declarando os seus dois amores. A Música e o Cinema unem-se nestas cinco declarações de amor cantadas. A premissa preferida no cinema – rapaz apaixona-se por rapariga, dá azo à partilha de sentimentos através da canção. Se a vida imita a arte e a arte imita a vida, inspirem-se nesses exemplos de romantismo para conquistarem a vossa cara-metade neste dia de quase obrigatório romantismo.

Moulin Rouge

Os filmes de Baz Luhrmann são, por excelência musicados, mas a canção com que que Christian (Ewan McGregor) declara o seu amor por Santine (Nicole Kidman) é uma portentosa colectânea de dez canções de amor. Um mash up de deleite visual que não só conquista a irredutível cortesã Santine, como delicia o espectador.

10 Things I Hate About You

Uma versão moderna da peça de Shakespeare «A Fera Amansada», Verona (Heath Ledger) tenta «domar» Kat (Julia Stiles) apelando ao seu coração. Expõe-se em grande, cantando «Can’t Take My Eyes Off you» em frente do liceu, recrutando a ajuda da Banda. E pelo sorriso de Kat, o sucesso parece garantido.

The Wedding Singer

Compor uma canção para a sua apaixonada, até pode ser relativamente fácil para um performer habituado a animar festas de casamento, mas conseguir uma estrela de rock como Billy Idol para fazer a apresentação da sua entrada triunfal, já é coisa mais complicada. Nada que Robbie (Adam Sandler) não consiga desencantar para mostrar o seu amor por Julia (Drew Barrymore).

Say Anything

Possivelmente uma das mais queridas declarações de amor, é singela na sua concretização, mas poderosa na intensão. Depois de romper com o dedicado Lloyd Dobler (John Cusack), Diane Court (Ione Skye) é serenada, sob a sua janela, pela canção que tocava quando os dois fizeram amor pela primeira vez. No leito amoroso Diane pediu a Lloyd para escutar com atenção a canção de Peter Gabriel em «Your Eyes» e ele assim fez: «In your eyes/the light the heat / In your eyes I am complete / In your eyes I see the doorway to a thousand churches»

Blue Valentine

Dean (Ryan Gosling) oferece a Cindy (Michelle Williams) um CD com uma versão rara de uma canção que assegura ser só deles, com a convicção inabalável de quem está profundamente apaixonado. Quem viu o filme, sabe que as coisas não correm lá muito bem, à medida que o tempo (e a vida) avançam, mas, ainda assim, é bonito ver a cara metade expedita na procura da banda sonora do seu amor.

Eu, Cameo

Para aqueles que não são versados na gíria cinematográfica, explico que um cameo diz respeito a uma pequena participação surpresa de um protagonista das artes num programa de tv, filme ou vídeo musical. A linha que separa a participação cameo de uma participação especial é ténue, mas diferenciada pela inclusão do nome do artista nos créditos iniciais (de outro modo estragaria a surpresa, não é verdade?). Que comece o compêndio de cameos.

Alguns cameos são presenças sem falas, outros têm diálogo ou uma frase. Alguns representam-se a si próprios numa realidade alternativa, outros surgem como personagens que desempenharam em filmes ou séries de tv que de algum modo estão ligados ao contexto. Não há limites nem regras, é um pouco vale tudo, desde que contenha o elemento surpresa e o efeito cómico também. Alfred Hitchcock foi um dos primeiros cineastas a explorar esta coisa do cameo, surgindo amiúde nos seus filmes.
Bruce Willis
“Mad About You” (TV)

No episódio em que Jamie dá entrada no hospital para ter o bebé, Paul embarca numa odisseia para trazer a aliança da esposa que ficou esquecida no apartamento. Ao regressar depara-se com um aparatoso dispositivo de segurança devido à hospitalização de Bruce Willis depois de um acidente na filmagem do seu último filme: “Die Already”. Uma clara graçola à franchise, com a conivência de Willis (na altura a filmar “Doze Macacos”), absolutamente hilariante, satirizando o seu personagem do durão desbocado John Maclaine.

Anos mais tarde, Willis participa, como ele próprio, em “Ocean’s 13“, confrontando-se com a personagem Tessa, protagonizada por Julia Roberts, fazendo-se passar por…. Julia Roberts! Sim, é confuso, mas bem explicadinho soa assim: Julia Roberts interpreta a personagem de Tessa que, levando a cabo, um esquema, faz-se passar pela actriz Julia Roberts.

Pearl Jam
“Singles”

A carta de Amor de Cameron Crowe à cidade de Seattle resulta numa extraordinária banda sonora que, não só reflecte a década de noventa, como inclui participações dos músicos que definiram a cena musical de Seattle. A mais curiosa, os três elementos dos Pearl Jam, aqui como companheiros da banda de Cliff (Matt Dillon), os Citizien Dick. Outros cameos incluem, o próprio realizador, Chris Cornell dos Soundgarden e Tim Burton.

Bruce Springsteen
“High Fidelity”

Quando Rob Gordon (Cusack) deambula sobre a possibilidade de falar com todas as suas ex-namoradas para perceber o que falha nas suas relações, remete para uma canção de Bruce Springsteen. Qual não é o nosso espanto quando o Boss, ele próprio, improvisa pérolas de sabedoria dedilhando a sua guitarra.

Alice Cooper
“Wayne’s World”

Quando se fala em Alice Cooper, imaginamos algo decadente, macabro, obscuro e até sanguinário. Quando Wayne e Garth, de acreditação Livre Acesso em riste, entram no camarim de Cooper, não estão preparados para a presença serena e algo didáctica de tão visualmente assustador performer. E nós também não, daí a piada. A realizadora Penelope Spheeris confessou que, inicialmente pensou, em Ozzy Osbourne para o papel, mas este rejeitou. O futuro ditaria que o público veria igualmente Ozzy num ângulo bem diferente daquele que estamos habituados.

Steven Spielberg, Tom Cruise, Gwyneth Paltrow, Britney Spears, Kevin Spacey, Danny DeVito
“Austin Powers – Golden Member”

A predilecção das aventuras do espião Austin Powers, está na justificação para a incrível parada de artistas que brindam os créditos iniciais do terceiro filme da saga Austin Powers. Primeiro um spoof do spoof que são as aventuras do espião de Sua Majestade preso da década errada. De seguida de um making of com direito a ver os seios de Britney Spears a disparar rajadas de munição.

Harrison Ford
“E.T – Extra – Terrestrial”

Aqui está um cameo muito bem disfarçado, são poucos os que reconhecem a figura e voz de Harrison Ford como o professor de Elliot na sequência da dissecação dos sapos. Ford aparecia noutra cena, que acabou por ser cortada, mas pode ser vista no DVD.

Cher
“Will & Grace” (TV)

Esta série teve inúmeras e frutíferas participações especiais, ou os actores protagonizavam personagens ou interpretam si mesmas. Este cameo de Cher é inesperado e não seria o único na série. Engraçado como Jack, fã número um de Cher, a ignora por completo, tomando-a por um travesti muito bem disfarçado.

Matt Damon Ben Affleck Gus Van Sant
“Jay & Silent Bob”

O filme é mau e talvez Matt Damon e Ben Affleck o soubessem mas, como o primeiro diz no filme “quem manda dever favores a amigos?!”. Este é o melhor momento do filme. A cena diz respeito à filmagem de uma suposta sequela de “Good Will Hunting”, dirigida (ou não) por Gus Van Sant.

Robert Patrick
“Wayne’s World”


Um bom exemplo de cameo, com Robert Patrick a bisar a arrepiante personagem de T1000 em Terminator – Judgment Day que ainda estava fresquinha na memória dos espectadores aquando a estreia de Wayne’s World em 1992.

Brad Pitt & Matt Damon
“Confessions of a Dangerous Mind”

O poder de influência de George Clooney, não só consegue contratar Julia Roberts por uma nota de 20 dólares, como “pesca” estes dois belos cromos, na realização do seu primeiro filme.

Michael Jackson
Men in Black

Michael Jackson, um alien a requisitar um lugar como agente MIB. Realidade ou ficção?! Apenas um cameo muito bem pensado.

Keith Richards
“Pirates of the Caribbean – At World’s End”

Quando Johnny Deep confessou ter baseado o seu personagem de Jack Sparrow no legendário guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, estava longe de imaginar que ele aceitaria interpretar o seu pai no terceiro filme da saga Piratas das Caraíbas. Quanto ao espectador, foi uma surpresa já anunciada, mas talvez a surpresa maior foi saber que Richards partiu a cabeça ao cair de um coqueiro quando estava no local da filmagem. Há pessoas que mais parecem personagens de filme e Keith Richards é uma dessas pessoas.

Marshall McLuhan
“Annie Hall”

O que faz um estudioso da comunicação num filme de Woody Allen? Ajuda a provar um ponto de vista. Parafraseando Woody Allen ” Se ao menos a vida real fosse assim…”

Michael Jackson: Liberian Girl (Video clip)

O obsceno número de cameos no videoclip de um dos singles do álbum Bad, não só impede a menção a todos os artistas (cantores, actores, realizadores, produtores) nele incluídos, como me atrevo a caracterizar este clip como um enorme cameo em forma de vídeclip.

Os realizadores, volta e meia, gostam de meter uma perninha na interpretação, ou por piada ou por falta de casting. Peter Jackson é daqueles que raramente falha um cameo.

Também Martin Scorcese

Kiss Kiss Bang Bang

Pauline Kael, uma conhecida crítica de cinema, deu à sua colecção de ensaios o título de “Kiss Kiss Bang Bang”. Escreveu na introdução que havia emprestado o título a um cartaz de cinema italiano e que a frase resume o apelo básico do cinema – beijos e tiros. Por mais refutável que seja a afirmação, é inegável o fascínio que o cinema remete para o beijo cinematográfico. Se eu fosse o Alfredo de “Cinema Paraíso”, este seria o compêndio visual que deixaria a Toto.

Drew Barrymore + E.T (E.T- Extra Terrestrial)

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Um beijo é, usualmente, prelúdio de uma arrebatadora paixão mas também pode ser a elevação de um amor tão puro que não conhece barreiras. Este não foi o primeiro beijo de ecrã que vi, tinha na ideia os clássicos a preto e branco, mas a imagem da Gertie a beijar o E.T, antes deste partir, ficou para sempre tatuada na memória.

 Christian Slater + Patricia Arquette (True Romance)

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Beijos lascivos fotografados em contra luz foi, durante muito tempo, a imagem de marca de Tony Scott. Fê-lo em “The Huger”, “Top Gun” , “Revenge”, “Days of Thunder” e o filme protagonizado pelo meu actor fetiche da adolescência: Christian Slater e Patricia Arquette. True Romance é uma história de amor com o carimbo Quentin Tarantino, contudo, penso que não seria filmado com a mesma intensidade passional fosse ele o realizador. No comentário áudio de Top Gun, o mais novo irmão Scott, explica que era o “modus operanti” de filmar cenas de amor daquela altura mas, o que Tony filma; no quarto, cama, cabine telefónica, consultório médico, carro, água, sai sempre bem.

Leonardo Di Caprio + Claire Danes (Romeo + Juliet)

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Baz Luhrmann capta na perfeição a paixão inocente, mas avassaladora de Julieta e o do seu Romeu. Apaixonam-se através de um vidro de aquário ao som de  “Kissing you” de Desireé mas beijam-se no elevador ao som dos Garbage: “#1 Crush”. A câmara rodopia a 360 graus em câmara lenta. Imagem de marca de Baz e ele fá-lo bem, caramba!

 Ewan McGregor + Cameron Diaz (Life Less Ordinary)

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Celine: What’s wrong?
Robert: What’s wrong, you crazy bitch, is I thought you were gonna shoot me! THAT’S what’s wrong!

Celine toma as rédeas do seu próprio rapto e surpreende Robert com um inesperado beijo após um assalto a uma loja de conveniência. O amor filmado por Danny Boyle nunca é banal mas visualmente perfeito.

Ralph Fiennes + Angela Basset (Strange Days)

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Lenny e Mace dispersam por entre a multidão no primeiro dia de 2000. Ela segue de carro para a esquadra, ele afastando-se, percebe que está apaixonado por ela e volta para trás. Bate no vidro, puxa-a de dentro do carro olhando profundamente nos seus olhos. Ouve-se “Fall in the Light”de Lori Carson e Graeme Revell, caem confettis. Um final feliz reminiscente com aquele dos filmes de John Hughes, quando o gajo finalmente percebe que está apaixonado pela amiga e não a cabra da outra gaja.

Vicent Perez + Isabelle Adjani (La Reigne Margot)

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Quando La Môle descobre que a mulher mascarada é a Rainha Margot “Cette qui l’aime comme se venge”. Vicent Perez parece um anjo. Devia de ser proibido os homens serem assim tão bonitos.

Val Kilmer + Joanne Whalley (Willow)

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Impregnado de pó de “corações despedaçados”, Madmartigan entra na tenda de Sorcha para resgatar a bebé Elora e acaba por declarar-lhe amor eterno. São surpreendidos e antes de escapar Madmardigan rouba um beijo à moda dos grandes clássicos de capa e espada. Tensão sexual entre guerreiros de sexos opostos – Hans Solo e Princesa Leia part II, num reino far…far away.

Matt Damon + Minnie Driver (Good Will Hunting)

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Skylar: You were hoping for a goodnight kiss.
Will: No, you know. I’ll tell ya, I was hoping for a goodnight lay, but I’d settle for a good night kiss.

Diane Lane + Michael Paré (Streets of Fire)

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Lane e Paré, belíssimos neste musical de acção (soa estranho mas é muito bom). Cody diz a Ellen:“You know, no one ever had a hold on me like you did. I would have done anything for you. A long time ago I would have thought you were worthy of it. Not anymore, babe.Sai porta fora, chove intensamente. Ela segue-o e pergunta “What did I do to you that was so wrong?! e beijam-se.

Jena Malone + Hayden Christensen (Life as a House)

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A obstinada Alyssa entra no duche de Sam para perceber se os rumores de homossexualidade dele são verdadeiros. Certo.

Alyssa Look, I thought I was helping you.
Sam: It would help me if I could kiss you.
Alyssa: No. Look I thought we were just friends.
Sam: Well, what you think you know doesn’t necessarily have much to do with reality. I mean I hope I’m not the first one to tell you this.

Zach Braff + Natalie Portman (Garden State)

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AMO esta cena. Argumentistas de Hollywood, ponham os olhos neste timing para um beijo cinematográfico com mais arrebatamento que fogo de artifício. Large grita para o fundo do precipício afogando toda inércia da sua vida, tomando o rosto de Sam nas suas mãos e beijando-a sob chuva torrencial.Lindo!
Ethan Hawke + Gwyneth Paltrow (Great Expectations)

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Visual e musicalmente perfeito, a adaptação moderna do livro de Charles Dickens com o mesmo título é o melhor filme de Alfonso Cuarón. A química entre Hawke e Paltrow extravasa o ecrã e o beijo surpresa no repuxo mostra o verdadeiro sentido de “beijo molhado”.

Josh Hartnett + – é indiferente!- (na foto) Diane Krueger (Wicker Park) /Kirsten Dunst(Virgin Suicides) / Laura Harris (The Faculty)

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Josh Hartnett poderia até beijar uma parede, o vazio ou um rinoceronte, surtiria o mesmo efeito. Sofia Copolla captou a mística libidinosa de Hartnett na perfeição, pondo-o a percorrer, em câmara lenta, um corredor de liceu ao som de “Magic Man” dos Heart. A ala feminina suspira e nem sequer um beijo é trocado. É tudo, altura, olhar, postura, mãos. Efeito ‘crescendo’ quando inclui beijo 

Keanu Reeves + – é indiferente!- (na foto)Lori Petty (Point Break) / Charlize Theron (Devil’s Advocate) / Cameron Diaz (Feeling Minnesota)

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No ecrã, Keanu já beijou mulheres e homem e dá-me o mesmo tesão (desculpem, fui muito directa?!) Monica Bellucci mencionou que beijou Keanu Reeves 20 vezes numa cena de “Matrix – Reloaded” e adorou cada minuto pois “o Keanu beija muito bem”.

Richard Gere + -é indiferente!- (na foto) Debra Winger (Officer and a Gentleman) /Valerie Kaprisky (Breathless)

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Confesso que não sou fã do Richard Gere, mas que este homem sabe beijar no grande ecrã, sabe. Aprendam com o mestre. A idade passa por ele mas não o dom ósculativo que continua vivo e de boa saúde..

Michael Douglas + Kathleen Turner (Romancing the Stone)

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Michael Douglas outrora foi uma bomba sexual dentro e fora dos ecrãs. Presentemente apenas expressa o seu potencial à sra. Douglas, Catherine Zeta-Jones, à porta fechada, mas fica aqui a recordação do melhor beijo dos anos 80 com a partenaire Kathleen Turner.

Adrien Brody + Halle Berry (Cerimónia dos Óscares 2003)

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Bem sei, tecnicamente não é um beijo cinematográfico porque aconteceu em tempo real, em directo, em frente de milhões de espectadores. Quem assistiu sabe que não há beijo mais arrebatador que aquele que apanhou de surpresa Halle Berry.

O Elevador

Mais que um dispositivo de transporte que se move verticalmente, o elevador é, no cinema (ou tv), um lugar privilegiado de acção narrativa. Do drama à comédia, há sempre algo interessante a decorrer dentro de um espaço fechado de 1m2 por 1m2. O Mixtape carrega no botão para chamar o elevador e mostra os momentos mais engraçados.

O meu pai conta a história que como conheceu a minha mãe no elevador e lhe roubou um beijo. Em resposta, a minha mãe, jovem rapariga, vinda da província para a capital, aplicou-lhe um valente estalo na cara. Consola-me saber que houve entre eles um momento digno de um guião de comédia romântica, ainda que estejam divorciados e detestem-se. Esta peripécia mostra bem o inesgotável potencial de um elevador nas relações humanas e como isso é explorado no panorama cinematográfico. Ora vejamos:
Grey’s Anatomy

Addison, a personagem da série “Grey’s Anatomy”, defende maravilhosamente a tese que o elevador é um local afrodisíaco, ao mesmo tempo que se sente ensandecer ao explicar essa teoria a um total desconhecido. A sua sanidade mental é posta em causa quanto ouve a voz do “Deus do Elevador”.

Homem Aranha2


O radialista Nuno Mark inventou todo um leque de informações inúteis que se podem usar durante aqueles momentos constrangedores no elevador. Chamou-lhes: “Desbloqueadores de Conversa” ® e nem a genialidade desses desbloqueadores, superam o momento que assistimos nesta cena: “E se apanhássemos o Homem Aranha no elevador?”.

Star Wars (montagem feita pelo youtuber EggWiskHero)


Aqui está uma situação ideal para usar um desbloquear de conversa® do género: Sabia que a palavra laser é a sigla que quer dizer: “light amplification by estimulated emission of radiation”, traduzindo-se por “amplificação da luz por emissão estimulada”?! Aposto que isto é o tipo de informação que deixaria qualquer pai orgulhoso do seu filho, mesmo que este o queira matar caso ele não se junte ao Império do Mal.
500 Days of Summer


Apenas foram precisos 54 segundos para que Tom Hanson se apaixonasse por Summer Finn, apoiando a teoria que os elevadores são óptimos locais para romancear.

Drive

Esta cena engloba o que de melhor e de pior pode acontecer num elevador. Amor-Violência. O sentido de  protecção de quem se gosta, aliado a uma táctica de distracção que acaba por ser uma declaração de amor. A direcção de cena do realizador Nicholas Winding Refn neste pequeno espaço restrito é irrepreensível: plano aproximado em câmara lenta, fechado dos rostos das duas personagens que se beijam e trocam um último intenso olhar antes da acção voltar a plano aberto, velocidade real, a personagem Ryan Gosling a eliminar a ameaça com extrema violência.

Saturday Night Live: Lost Elevator (TV)

O que aconteceria se encontrássemos o nosso actor da nossa série favorita no elevador. Este é um sketch da série de comédias, mas muitos actores mencionaram experiências de encontros com fãs no elevador que incluem, identidades trocadas, fãs cépticos e crianças com dificuldade em acreditar que Tom Hanks é o Woddy de Toy Story

The Departed


Também são óptimo locais para conseguir encontros românticos, mas esta técnica é só para os audazes.

Grey’s Anatomy


Nesta série, o elevador chega a ser uma personagem, tal a sua importância, na forma como os intervenientes se encontram para flirtar, conversar e também fazer a coloquial “rambóia”. Neste clip, Meredith Grey tenta, em vão, lançar as regras de cortesia profissional entre MacSteamy.
Liar Liar

O elevador é um sítio complicado quando estamos ao lado de desconhecidos. Em espaço tão exíguo, não há como evitar a pessoa que está ao nosso lado e não sabemos bem se devemos iniciar uma conversa ou permanecer em silêncio. Nesta cena, Jim Carrey diz aquilo que a maioria dos homens pensaria ao partilhar o espaço com uma senhora de seios voluptuosos.
Burnistoun (TV)


Este sketch da série de humor escocesa Burnistoun, demonstra a dificuldade em compreender o sotaque escocês, e fá-lo de uma maneira tão hilariante que damos graças a Deus por existirem elevadores onde se pode fazer isto.

Speed


Para um espaço contido, onde não há espaço de manobra para muita coisa, Jan Le Bont filma com mérito uma grande cena de acção, onde dois polícias de intervenção de Los Angeles têm de ser criativos para salvar passageiros de um elevador sabotado pelo maléfico Dennis Hopper. O humor negro entre os dois polícias Harry e Jack é digno de nota, especialmente a resposta de Jack à pergunta de teste.

Ghost

 

Eis um exemplo de como se divertir num elevador cheio de gente. É essencial um parceiro do crime cómico que saiba improvisar. Gostaria de acrescentar que dois amigos meus fizeram algo parecido, em que um desabafava sobre o adultério cometido ao outro e como a protagonista de uma aventura amorosa tinha uma doença contagiante. Penso que fizeram isso mais do que uma vez e sempre acrescentando uma maior sordidez.

Top Piegas

A imagem ilustra a “Apoteose da baba e ranho”, expressão que uso quando assisto a uma cena demasiado emocional. Numa semana plena de razões para chorar, eis uma lista onde podem chorar à vontade –  O top 10 de filmes que me levaram às lágrimas. A tal apoteose da baba e ranho, atenção, não é uma figura de estilo, mas uma expressão que deve ser levada à letra. Não gosto de tops pois não consigo quantificar algo como sendo melhor que outro, porém tendo em conta que este top se baseia no número de lágrimas choradas por metro de fita cinematográfica, torna-se bem mais fácil.
Não se pense que, por criar o Top Piegas sou pessoa de choro fácil, nada mais afastado da realidade. Contudo, sentada numa cadeira de sala de cinema, onde a o instrumental alia-se com a imagem, o meu canal lacrimoso é atacado em força. Tendo em conta que metade deste top diz respeito a filmes visionados na infância, explica a facilidade da lágrima, porém a segunda metade corresponde à idade adulta e após rever os seguintes clips, rodeada de lenços de papel encharcados e com olhos inchados. Chego à conclusão que ainda atingem o canal lacrimoso.
Aqui fica, por ordem decrescente de lágrimas
1. ET – EXTRA TERRESTRIAL (E.T – O Extra Terrestre)
Razão: Captura e morte do E.T

Aqui está um exemplo que faz jus  à ilustração que introduz este tema. Para uma criança de 5 anos que nem sabia ler as legendas e via o seu primeiro filme não animado numa sala de cinema, o E.T era um animal de estimação que, tal como um cão, adoraria mimar. Assim que vi os homens com os fatos espaciais a entrar na casa, pressenti imediatamente que o E.T estava ameaçado e berrei em pranto. Devo ter chateado metade da lotação daquela sala com a minha berraria soluçante mas, sinceramente, nunca havia sentido uma tristeza tão avassaladora na minha curta vida. Quando o E.T  jaz no chão e chama desesperado por Elliot quando são separados, entro em choque e chorei com tal intensidade que a minha garganta inchou, os meus ouvidos entupiram, engasguei-me na própria baba e preguei um grande susto à minha mãe. Juro que nunca na vida chorei tanto como naquele momento – nem mesmo nas férias do Algarve, no ano seguinte, quando escorreguei de um muro, deixando a coxa em carne viva e acreditei piamente que ia morrer. No limiar da década de 90, já o E.T estava disponível para aluguer e passava na tv, não diminuiu muito o meu fluxo lacrimal. Já na adolescência, via o E.T com uma toalha no colo, longe de olhares alheios para não verem a minha triste figura. Pela ocasião do vigésimo aniversário da estreia do filme, já tinha algum controlo e “flanqueada” por dois distintos críticos de cinema, pratiquei (com treino) o que chamo de “choro em silêncio”.
2. NEVER ENDING STORY ( História Interminável)
Razão: A morte de Artax

“História Interminável” não guarda o recorde de mais lágrimas, porém detém o recorde absoluto de filme mais visto na infância – um total de mil e quinhentas e trinta e nove vezes. Nunca o vi no cinema, mas via-o obsessivamente no vídeo lá de casa. Assistia ao filme antes de ir para a escola, quando regressava, quando fazia os trabalhos de casa, quando recebia visitas dos amigos. Estes podem testemunhar a facilidade com que ligava a torneira das lágrimas quando o cavalo Artax sacumbiu às traiçoeiras águas do Pântano da Tristeza. Em minha defesa apraz dizer: se até o realizador do filme não resistiu à emoção ao gravar a cena, imagine-se qual o estado de espírito desta amante suprema de animais, ao ver a morte de um cavalo. A mancha da mesa da sala de estar da minha antiga casa, atesta o meu estado de precipitação lacrimal.
3. ELEPHANT MAN (O Homem Elefante)
Razão: Crueldade Humana


Vi este filme na tv quando era novinha, na altura não sabia que o personagem de John Merrick era baseado numa pessoa real. Mesmo alheia ao pormenor da veracidade da história de vida de Merrick, assistir a atroz crueldade humana, perante alguém fisica, cultura, emocionalmente diferente é algo que foi (e é) difícil assimilar. Particularmente em criança, mas ainda o é hoje. A profunda tristeza e horror pela forma como tratavam um ser humano deformado, como um bicho, ficou marcada na minha memória. Jamais esquecerei a desumanidade de uma multidão diante um finalmente feliz Merrick.

4. ANIMAL FARM (O Triunfo dos Porcos)
Razão: Morte de Boxie

Achei estranho assistir a um filme de animação em plena noite, mas o protagonismo de amorosos animais de quinta a conviver em harmonia uns com os outros, sossegou a minha mãe que permitiu que a sua filha de 8 anos ficasse até mais tarde a ver televisão. Mal sabia ela, muito menos eu, que o filme nada tinha de infantil e tudo de revolucionário. A adaptação cinematográfica do livro de George Ornell “O Triunfo dos Porcos” é um retrato crítico á sociedade capitalista que corrompe os valores humanos. Assim que os amorosos porquinhos cresceram para personificar malvados tiranos que escravizam os restantes animais de quinta, questionei-me como seria possível existir um filme de desenhos animados tão cruel. Quando o cavalo Boxer morreu já estava lavada em lágrimas e fui de bom grado para a cama antes de terminar o filme. Façam o que quiserem mas, pelo amor de Deus, não matem os animais! Até o serial killer de “O silêncio dos Inocentes” tinha estima pelo seu cãozinho. Ainda bem que a minha mãe nunca me levou a ver o “Bambi”! Imaginem o descalabro que isso significaria para tamanha defensora da causa animal.
5. DEAD MAN WALKING (A Última Caminhada)
Razão: Redenção, Humanidade


A meio da tabela, chegamos aos filmes visionados em idade adulta. Lembro-me do arrumador nazi da já extinta sala Alfa e como chorei baba e ranho, limpando tudo nas mangas da camisa, não não fosse o homem apontar-me a luzinha e expulsar-me dali. Um espectador ousou perguntar porque as luzes estavam acesas na altura dos trailers e o arrumador Nazi resmungou apoplético “tou farto de dizer que é sempre assim durante os trailers!” Medo, medo! Pena de morte é um assunto que já de si me melindra bastante, acho uma hipocrisia o mesmo Estado que diz não deves matar, o faça impunemente, porém, o que mais me comoveu foi a humanidade da irmã Prejean nas suas palavras: “ You look at me when they do this thing and I’ll be the face of love for you”. Baseado no verdadeiro testemunho da irmã, este mostra que o ódio não se combate com ódio. A dúvida sobre a culpabilidade de Poncelet permanece durante todo o filme, até ao momento final. Vendo atrocidade do crime cometido em paralelo com o “assassinato estatal” testemunha-se que a redenção  provêm do reconhecimento da verdade, assim como o maior castigo.

6. SCHINDLER’S LIST (A Lista de Schindler)
Razão: Extrema Crueldade Humana


Steven Spielberg está no top da minha lista de realizadores favoritos( ainda nem havia atingido a puberdade e já o era). É a minha convicção inabalável que Spielberg faz filmes extraordinários, muito bons e bons, jamais maus! Acho que em toda a filmografia, apenas falhei um escasso par de títulos. A Lista de Schindler esteve muito perto de ser um filme não visionado devido ao tema que sempre me melindrou – o Holocausto. Spielberg até aqui era conhecido pela boa disposição e entretenimento que imprimia nos seus filmes, lidar com tema tão obscuro e pesado parecia algo totalmente fora do seu alcance. A minha dedicação ao realizador venceu, mas foi uma experiência demasiado brutal. De tal intensidade que pela altura do massacre no ghetto (cena que não figura neste vídeo devido ao conteúdo violento do mesmo), senti vontade de vomitar e estive mesmo para sair da sala tal o prolongamento da agonia, dos gritos, do sangue (que era a preto e branco), da crueldade extrema – aleatória, cega, sem compaixão, sentido ou humanidade. Nem tinha a desculpa de assimilar que esta era uma obra de ficção. Saber que tamanha atrocidade aconteceu em pleno século XX é demasiado para quem ingenuamente acredita na bondade humana.

7. DANCER IN THE DARK

Razão: Destruição de um Coração Puro


Eis um filme que deliberadamente exagera no grau de crueldade, trazendo a má sorte, incompreensão e corrupção emocional ás suas personagens. Lars Von Trier e Björk, respectivamente realizador e cantora, que não me agradam particularmente, abriram a minha torneira da choradeira com um relato de faca e alguidar que não lembra o menino Jesus. Uma emigrante de leste, inocente e pura, luta para sustentar o filho, sonhando viver dentro de um musical. A moçoila é enganada pelo vizinho que lhe rouba as economias para pagar os gastos excessivos da mulher e a partir daí a pobre Selma sente na pele o degredo semelhante à figura bíblica de Jó. Não consegui resistir e o grande culpado é a magistral composição musical. De que outra maneira se pode explicar as lágrimas que rolaram logo no genérico de abertura? Um ecrã a negro só com um instrumental – pelo amor dos santos! Mas, confesso, chorei porque é-me difícil assistir á destruição de um coração puro. Ficção ou não.

8. TITANIC
Razão: Morte do Navio


Aposto que estão surpresos por este filme não figurar no topo da lista? Embora tenha havido sessões de choro fortes, foram um tanto ou quanto dessincronizadas com o resto da audiência. Para começar chorei logo nos créditos introdutórios (onde já se viu?!). A choradeira, ainda que ao nível silencioso, aumentou de tom a partir do momento que o navio fica condenado a morrer. Esqueçam a Rose e o Jack, história de amor, tadinho do parzinho vai ficar separado. Não. Eu chorei com a destruição do navio e o pânico dos passageiros. James Cameron fez um trabalho esplêndido ao trazer de volta a memória do Titanic, com tal fidelidade, veracidade e humanidade que os espectadores sentiram empatia pelos personagens, sabendo de cor o seu destino. Foi impossível compilar todos os momentos Buá, mas este seguramente é um deles.

9. COLOR PURPLE (Cor Púrpura)
Razão: Separação das Irmãs


A única felicidade de Cellie no meio de abusos, maltratos e desrespeito, sofridos desde tenra idade, é a sua irmã. Quando o marido ciumento de Celie as separa, sentimos na alma a dor da separação das duas irmãs que se amam. Se vocês não sentem nem um prenúncio de uma lágrima que seja nesta cena, desculpem lá, mas algo de muito errado se passa com o vosso centro emocional. Tenho dito!
10. REQUIEM FOR A DREAM
Razão: Desilusão de uma vida perdida

O segundo filme realizado por Darren Aronofsky não é de fácil visionamento e seguramente não o verei de novo, porém, é uma viagem emocional que ninguém deve perder. Um filme visual e musicalmente magistral, percorre as estações do ano como estados emocionais. Segue do encantamento e euforia da Primavera, para a devastação e decepção cruel do Inverno. Aronosfsky fala de vícios, não só químicos, mas aqueles que guardam a ilusão de uma vida melhor. O nível de choro atinge o pico do insuportável nesta cena, quando Marion pede para Harry regressar a casa e este mente dizendo que em breve o fará. É de uma tristeza avassaladora, pois tanto o espectador, como as personagens sabem que tal não vai acontecer, apenas se agarram a uma réstia de esperança que em breve morrerá.