Eu, Cameo

Para aqueles que não são versados na gíria cinematográfica, explico que um cameo diz respeito a uma pequena participação surpresa de um protagonista das artes num programa de tv, filme ou vídeo musical. A linha que separa a participação cameo de uma participação especial é ténue, mas diferenciada pela inclusão do nome do artista nos créditos iniciais (de outro modo estragaria a surpresa, não é verdade?). Que comece o compêndio de cameos.

Alguns cameos são presenças sem falas, outros têm diálogo ou uma frase. Alguns representam-se a si próprios numa realidade alternativa, outros surgem como personagens que desempenharam em filmes ou séries de tv que de algum modo estão ligados ao contexto. Não há limites nem regras, é um pouco vale tudo, desde que contenha o elemento surpresa e o efeito cómico também. Alfred Hitchcock foi um dos primeiros cineastas a explorar esta coisa do cameo, surgindo amiúde nos seus filmes.
Bruce Willis
“Mad About You” (TV)

No episódio em que Jamie dá entrada no hospital para ter o bebé, Paul embarca numa odisseia para trazer a aliança da esposa que ficou esquecida no apartamento. Ao regressar depara-se com um aparatoso dispositivo de segurança devido à hospitalização de Bruce Willis depois de um acidente na filmagem do seu último filme: “Die Already”. Uma clara graçola à franchise, com a conivência de Willis (na altura a filmar “Doze Macacos”), absolutamente hilariante, satirizando o seu personagem do durão desbocado John Maclaine.

Anos mais tarde, Willis participa, como ele próprio, em “Ocean’s 13“, confrontando-se com a personagem Tessa, protagonizada por Julia Roberts, fazendo-se passar por…. Julia Roberts! Sim, é confuso, mas bem explicadinho soa assim: Julia Roberts interpreta a personagem de Tessa que, levando a cabo, um esquema, faz-se passar pela actriz Julia Roberts.

Pearl Jam
“Singles”

A carta de Amor de Cameron Crowe à cidade de Seattle resulta numa extraordinária banda sonora que, não só reflecte a década de noventa, como inclui participações dos músicos que definiram a cena musical de Seattle. A mais curiosa, os três elementos dos Pearl Jam, aqui como companheiros da banda de Cliff (Matt Dillon), os Citizien Dick. Outros cameos incluem, o próprio realizador, Chris Cornell dos Soundgarden e Tim Burton.

Bruce Springsteen
“High Fidelity”

Quando Rob Gordon (Cusack) deambula sobre a possibilidade de falar com todas as suas ex-namoradas para perceber o que falha nas suas relações, remete para uma canção de Bruce Springsteen. Qual não é o nosso espanto quando o Boss, ele próprio, improvisa pérolas de sabedoria dedilhando a sua guitarra.

Alice Cooper
“Wayne’s World”

Quando se fala em Alice Cooper, imaginamos algo decadente, macabro, obscuro e até sanguinário. Quando Wayne e Garth, de acreditação Livre Acesso em riste, entram no camarim de Cooper, não estão preparados para a presença serena e algo didáctica de tão visualmente assustador performer. E nós também não, daí a piada. A realizadora Penelope Spheeris confessou que, inicialmente pensou, em Ozzy Osbourne para o papel, mas este rejeitou. O futuro ditaria que o público veria igualmente Ozzy num ângulo bem diferente daquele que estamos habituados.

Steven Spielberg, Tom Cruise, Gwyneth Paltrow, Britney Spears, Kevin Spacey, Danny DeVito
“Austin Powers – Golden Member”

A predilecção das aventuras do espião Austin Powers, está na justificação para a incrível parada de artistas que brindam os créditos iniciais do terceiro filme da saga Austin Powers. Primeiro um spoof do spoof que são as aventuras do espião de Sua Majestade preso da década errada. De seguida de um making of com direito a ver os seios de Britney Spears a disparar rajadas de munição.

Harrison Ford
“E.T – Extra – Terrestrial”

Aqui está um cameo muito bem disfarçado, são poucos os que reconhecem a figura e voz de Harrison Ford como o professor de Elliot na sequência da dissecação dos sapos. Ford aparecia noutra cena, que acabou por ser cortada, mas pode ser vista no DVD.

Cher
“Will & Grace” (TV)

Esta série teve inúmeras e frutíferas participações especiais, ou os actores protagonizavam personagens ou interpretam si mesmas. Este cameo de Cher é inesperado e não seria o único na série. Engraçado como Jack, fã número um de Cher, a ignora por completo, tomando-a por um travesti muito bem disfarçado.

Matt Damon Ben Affleck Gus Van Sant
“Jay & Silent Bob”

O filme é mau e talvez Matt Damon e Ben Affleck o soubessem mas, como o primeiro diz no filme “quem manda dever favores a amigos?!”. Este é o melhor momento do filme. A cena diz respeito à filmagem de uma suposta sequela de “Good Will Hunting”, dirigida (ou não) por Gus Van Sant.

Robert Patrick
“Wayne’s World”


Um bom exemplo de cameo, com Robert Patrick a bisar a arrepiante personagem de T1000 em Terminator – Judgment Day que ainda estava fresquinha na memória dos espectadores aquando a estreia de Wayne’s World em 1992.

Brad Pitt & Matt Damon
“Confessions of a Dangerous Mind”

O poder de influência de George Clooney, não só consegue contratar Julia Roberts por uma nota de 20 dólares, como “pesca” estes dois belos cromos, na realização do seu primeiro filme.

Michael Jackson
Men in Black

Michael Jackson, um alien a requisitar um lugar como agente MIB. Realidade ou ficção?! Apenas um cameo muito bem pensado.

Keith Richards
“Pirates of the Caribbean – At World’s End”

Quando Johnny Deep confessou ter baseado o seu personagem de Jack Sparrow no legendário guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, estava longe de imaginar que ele aceitaria interpretar o seu pai no terceiro filme da saga Piratas das Caraíbas. Quanto ao espectador, foi uma surpresa já anunciada, mas talvez a surpresa maior foi saber que Richards partiu a cabeça ao cair de um coqueiro quando estava no local da filmagem. Há pessoas que mais parecem personagens de filme e Keith Richards é uma dessas pessoas.

Marshall McLuhan
“Annie Hall”

O que faz um estudioso da comunicação num filme de Woody Allen? Ajuda a provar um ponto de vista. Parafraseando Woody Allen ” Se ao menos a vida real fosse assim…”

Michael Jackson: Liberian Girl (Video clip)

O obsceno número de cameos no videoclip de um dos singles do álbum Bad, não só impede a menção a todos os artistas (cantores, actores, realizadores, produtores) nele incluídos, como me atrevo a caracterizar este clip como um enorme cameo em forma de vídeclip.

Os realizadores, volta e meia, gostam de meter uma perninha na interpretação, ou por piada ou por falta de casting. Peter Jackson é daqueles que raramente falha um cameo.

Também Martin Scorcese

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Kiss Kiss Bang Bang

Pauline Kael, uma conhecida crítica de cinema, deu à sua colecção de ensaios o título de “Kiss Kiss Bang Bang”. Escreveu na introdução que havia emprestado o título a um cartaz de cinema italiano e que a frase resume o apelo básico do cinema – beijos e tiros. Por mais refutável que seja a afirmação, é inegável o fascínio que o cinema remete para o beijo cinematográfico. Se eu fosse o Alfredo de “Cinema Paraíso”, este seria o compêndio visual que deixaria a Toto.

Drew Barrymore + E.T (E.T- Extra Terrestrial)

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Um beijo é, usualmente, prelúdio de uma arrebatadora paixão mas também pode ser a elevação de um amor tão puro que não conhece barreiras. Este não foi o primeiro beijo de ecrã que vi, tinha na ideia os clássicos a preto e branco, mas a imagem da Gertie a beijar o E.T, antes deste partir, ficou para sempre tatuada na memória.

 Christian Slater + Patricia Arquette (True Romance)

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Beijos lascivos fotografados em contra luz foi, durante muito tempo, a imagem de marca de Tony Scott. Fê-lo em “The Huger”, “Top Gun” , “Revenge”, “Days of Thunder” e o filme protagonizado pelo meu actor fetiche da adolescência: Christian Slater e Patricia Arquette. True Romance é uma história de amor com o carimbo Quentin Tarantino, contudo, penso que não seria filmado com a mesma intensidade passional fosse ele o realizador. No comentário áudio de Top Gun, o mais novo irmão Scott, explica que era o “modus operanti” de filmar cenas de amor daquela altura mas, o que Tony filma; no quarto, cama, cabine telefónica, consultório médico, carro, água, sai sempre bem.

Leonardo Di Caprio + Claire Danes (Romeo + Juliet)

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Baz Luhrmann capta na perfeição a paixão inocente, mas avassaladora de Julieta e o do seu Romeu. Apaixonam-se através de um vidro de aquário ao som de  “Kissing you” de Desireé mas beijam-se no elevador ao som dos Garbage: “#1 Crush”. A câmara rodopia a 360 graus em câmara lenta. Imagem de marca de Baz e ele fá-lo bem, caramba!

 Ewan McGregor + Cameron Diaz (Life Less Ordinary)

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Celine: What’s wrong?
Robert: What’s wrong, you crazy bitch, is I thought you were gonna shoot me! THAT’S what’s wrong!

Celine toma as rédeas do seu próprio rapto e surpreende Robert com um inesperado beijo após um assalto a uma loja de conveniência. O amor filmado por Danny Boyle nunca é banal mas visualmente perfeito.

Ralph Fiennes + Angela Basset (Strange Days)

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Lenny e Mace dispersam por entre a multidão no primeiro dia de 2000. Ela segue de carro para a esquadra, ele afastando-se, percebe que está apaixonado por ela e volta para trás. Bate no vidro, puxa-a de dentro do carro olhando profundamente nos seus olhos. Ouve-se “Fall in the Light”de Lori Carson e Graeme Revell, caem confettis. Um final feliz reminiscente com aquele dos filmes de John Hughes, quando o gajo finalmente percebe que está apaixonado pela amiga e não a cabra da outra gaja.

Vicent Perez + Isabelle Adjani (La Reigne Margot)

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Quando La Môle descobre que a mulher mascarada é a Rainha Margot “Cette qui l’aime comme se venge”. Vicent Perez parece um anjo. Devia de ser proibido os homens serem assim tão bonitos.

Val Kilmer + Joanne Whalley (Willow)

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Impregnado de pó de “corações despedaçados”, Madmartigan entra na tenda de Sorcha para resgatar a bebé Elora e acaba por declarar-lhe amor eterno. São surpreendidos e antes de escapar Madmardigan rouba um beijo à moda dos grandes clássicos de capa e espada. Tensão sexual entre guerreiros de sexos opostos – Hans Solo e Princesa Leia part II, num reino far…far away.

Matt Damon + Minnie Driver (Good Will Hunting)

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Skylar: You were hoping for a goodnight kiss.
Will: No, you know. I’ll tell ya, I was hoping for a goodnight lay, but I’d settle for a good night kiss.

Diane Lane + Michael Paré (Streets of Fire)

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Lane e Paré, belíssimos neste musical de acção (soa estranho mas é muito bom). Cody diz a Ellen:“You know, no one ever had a hold on me like you did. I would have done anything for you. A long time ago I would have thought you were worthy of it. Not anymore, babe.Sai porta fora, chove intensamente. Ela segue-o e pergunta “What did I do to you that was so wrong?! e beijam-se.

Jena Malone + Hayden Christensen (Life as a House)

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A obstinada Alyssa entra no duche de Sam para perceber se os rumores de homossexualidade dele são verdadeiros. Certo.

Alyssa Look, I thought I was helping you.
Sam: It would help me if I could kiss you.
Alyssa: No. Look I thought we were just friends.
Sam: Well, what you think you know doesn’t necessarily have much to do with reality. I mean I hope I’m not the first one to tell you this.

Zach Braff + Natalie Portman (Garden State)

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AMO esta cena. Argumentistas de Hollywood, ponham os olhos neste timing para um beijo cinematográfico com mais arrebatamento que fogo de artifício. Large grita para o fundo do precipício afogando toda inércia da sua vida, tomando o rosto de Sam nas suas mãos e beijando-a sob chuva torrencial.Lindo!
Ethan Hawke + Gwyneth Paltrow (Great Expectations)

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Visual e musicalmente perfeito, a adaptação moderna do livro de Charles Dickens com o mesmo título é o melhor filme de Alfonso Cuarón. A química entre Hawke e Paltrow extravasa o ecrã e o beijo surpresa no repuxo mostra o verdadeiro sentido de “beijo molhado”.

Josh Hartnett + – é indiferente!- (na foto) Diane Krueger (Wicker Park) /Kirsten Dunst(Virgin Suicides) / Laura Harris (The Faculty)

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Josh Hartnett poderia até beijar uma parede, o vazio ou um rinoceronte, surtiria o mesmo efeito. Sofia Copolla captou a mística libidinosa de Hartnett na perfeição, pondo-o a percorrer, em câmara lenta, um corredor de liceu ao som de “Magic Man” dos Heart. A ala feminina suspira e nem sequer um beijo é trocado. É tudo, altura, olhar, postura, mãos. Efeito ‘crescendo’ quando inclui beijo 

Keanu Reeves + – é indiferente!- (na foto)Lori Petty (Point Break) / Charlize Theron (Devil’s Advocate) / Cameron Diaz (Feeling Minnesota)

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No ecrã, Keanu já beijou mulheres e homem e dá-me o mesmo tesão (desculpem, fui muito directa?!) Monica Bellucci mencionou que beijou Keanu Reeves 20 vezes numa cena de “Matrix – Reloaded” e adorou cada minuto pois “o Keanu beija muito bem”.

Richard Gere + -é indiferente!- (na foto) Debra Winger (Officer and a Gentleman) /Valerie Kaprisky (Breathless)

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Confesso que não sou fã do Richard Gere, mas que este homem sabe beijar no grande ecrã, sabe. Aprendam com o mestre. A idade passa por ele mas não o dom ósculativo que continua vivo e de boa saúde..

Michael Douglas + Kathleen Turner (Romancing the Stone)

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Michael Douglas outrora foi uma bomba sexual dentro e fora dos ecrãs. Presentemente apenas expressa o seu potencial à sra. Douglas, Catherine Zeta-Jones, à porta fechada, mas fica aqui a recordação do melhor beijo dos anos 80 com a partenaire Kathleen Turner.

Adrien Brody + Halle Berry (Cerimónia dos Óscares 2003)

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Bem sei, tecnicamente não é um beijo cinematográfico porque aconteceu em tempo real, em directo, em frente de milhões de espectadores. Quem assistiu sabe que não há beijo mais arrebatador que aquele que apanhou de surpresa Halle Berry.

O Elevador

Mais que um dispositivo de transporte que se move verticalmente, o elevador é, no cinema (ou tv), um lugar privilegiado de acção narrativa. Do drama à comédia, há sempre algo interessante a decorrer dentro de um espaço fechado de 1m2 por 1m2. O Mixtape carrega no botão para chamar o elevador e mostra os momentos mais engraçados.

O meu pai conta a história que como conheceu a minha mãe no elevador e lhe roubou um beijo. Em resposta, a minha mãe, jovem rapariga, vinda da província para a capital, aplicou-lhe um valente estalo na cara. Consola-me saber que houve entre eles um momento digno de um guião de comédia romântica, ainda que estejam divorciados e detestem-se. Esta peripécia mostra bem o inesgotável potencial de um elevador nas relações humanas e como isso é explorado no panorama cinematográfico. Ora vejamos:
Grey’s Anatomy

Addison, a personagem da série “Grey’s Anatomy”, defende maravilhosamente a tese que o elevador é um local afrodisíaco, ao mesmo tempo que se sente ensandecer ao explicar essa teoria a um total desconhecido. A sua sanidade mental é posta em causa quanto ouve a voz do “Deus do Elevador”.

Homem Aranha2


O radialista Nuno Mark inventou todo um leque de informações inúteis que se podem usar durante aqueles momentos constrangedores no elevador. Chamou-lhes: “Desbloqueadores de Conversa” ® e nem a genialidade desses desbloqueadores, superam o momento que assistimos nesta cena: “E se apanhássemos o Homem Aranha no elevador?”.

Star Wars (montagem feita pelo youtuber EggWiskHero)


Aqui está uma situação ideal para usar um desbloquear de conversa® do género: Sabia que a palavra laser é a sigla que quer dizer: “light amplification by estimulated emission of radiation”, traduzindo-se por “amplificação da luz por emissão estimulada”?! Aposto que isto é o tipo de informação que deixaria qualquer pai orgulhoso do seu filho, mesmo que este o queira matar caso ele não se junte ao Império do Mal.
500 Days of Summer


Apenas foram precisos 54 segundos para que Tom Hanson se apaixonasse por Summer Finn, apoiando a teoria que os elevadores são óptimos locais para romancear.

Drive

Esta cena engloba o que de melhor e de pior pode acontecer num elevador. Amor-Violência. O sentido de  protecção de quem se gosta, aliado a uma táctica de distracção que acaba por ser uma declaração de amor. A direcção de cena do realizador Nicholas Winding Refn neste pequeno espaço restrito é irrepreensível: plano aproximado em câmara lenta, fechado dos rostos das duas personagens que se beijam e trocam um último intenso olhar antes da acção voltar a plano aberto, velocidade real, a personagem Ryan Gosling a eliminar a ameaça com extrema violência.

Saturday Night Live: Lost Elevator (TV)

O que aconteceria se encontrássemos o nosso actor da nossa série favorita no elevador. Este é um sketch da série de comédias, mas muitos actores mencionaram experiências de encontros com fãs no elevador que incluem, identidades trocadas, fãs cépticos e crianças com dificuldade em acreditar que Tom Hanks é o Woddy de Toy Story

The Departed


Também são óptimo locais para conseguir encontros românticos, mas esta técnica é só para os audazes.

Grey’s Anatomy


Nesta série, o elevador chega a ser uma personagem, tal a sua importância, na forma como os intervenientes se encontram para flirtar, conversar e também fazer a coloquial “rambóia”. Neste clip, Meredith Grey tenta, em vão, lançar as regras de cortesia profissional entre MacSteamy.
Liar Liar

O elevador é um sítio complicado quando estamos ao lado de desconhecidos. Em espaço tão exíguo, não há como evitar a pessoa que está ao nosso lado e não sabemos bem se devemos iniciar uma conversa ou permanecer em silêncio. Nesta cena, Jim Carrey diz aquilo que a maioria dos homens pensaria ao partilhar o espaço com uma senhora de seios voluptuosos.
Burnistoun (TV)


Este sketch da série de humor escocesa Burnistoun, demonstra a dificuldade em compreender o sotaque escocês, e fá-lo de uma maneira tão hilariante que damos graças a Deus por existirem elevadores onde se pode fazer isto.

Speed


Para um espaço contido, onde não há espaço de manobra para muita coisa, Jan Le Bont filma com mérito uma grande cena de acção, onde dois polícias de intervenção de Los Angeles têm de ser criativos para salvar passageiros de um elevador sabotado pelo maléfico Dennis Hopper. O humor negro entre os dois polícias Harry e Jack é digno de nota, especialmente a resposta de Jack à pergunta de teste.

Ghost

 

Eis um exemplo de como se divertir num elevador cheio de gente. É essencial um parceiro do crime cómico que saiba improvisar. Gostaria de acrescentar que dois amigos meus fizeram algo parecido, em que um desabafava sobre o adultério cometido ao outro e como a protagonista de uma aventura amorosa tinha uma doença contagiante. Penso que fizeram isso mais do que uma vez e sempre acrescentando uma maior sordidez.

Top Piegas

A imagem ilustra a “Apoteose da baba e ranho”, expressão que uso quando assisto a uma cena demasiado emocional. Numa semana plena de razões para chorar, eis uma lista onde podem chorar à vontade –  O top 10 de filmes que me levaram às lágrimas. A tal apoteose da baba e ranho, atenção, não é uma figura de estilo, mas uma expressão que deve ser levada à letra. Não gosto de tops pois não consigo quantificar algo como sendo melhor que outro, porém tendo em conta que este top se baseia no número de lágrimas choradas por metro de fita cinematográfica, torna-se bem mais fácil.
Não se pense que, por criar o Top Piegas sou pessoa de choro fácil, nada mais afastado da realidade. Contudo, sentada numa cadeira de sala de cinema, onde a o instrumental alia-se com a imagem, o meu canal lacrimoso é atacado em força. Tendo em conta que metade deste top diz respeito a filmes visionados na infância, explica a facilidade da lágrima, porém a segunda metade corresponde à idade adulta e após rever os seguintes clips, rodeada de lenços de papel encharcados e com olhos inchados. Chego à conclusão que ainda atingem o canal lacrimoso.
Aqui fica, por ordem decrescente de lágrimas
1. ET – EXTRA TERRESTRIAL (E.T – O Extra Terrestre)
Razão: Captura e morte do E.T

Aqui está um exemplo que faz jus  à ilustração que introduz este tema. Para uma criança de 5 anos que nem sabia ler as legendas e via o seu primeiro filme não animado numa sala de cinema, o E.T era um animal de estimação que, tal como um cão, adoraria mimar. Assim que vi os homens com os fatos espaciais a entrar na casa, pressenti imediatamente que o E.T estava ameaçado e berrei em pranto. Devo ter chateado metade da lotação daquela sala com a minha berraria soluçante mas, sinceramente, nunca havia sentido uma tristeza tão avassaladora na minha curta vida. Quando o E.T  jaz no chão e chama desesperado por Elliot quando são separados, entro em choque e chorei com tal intensidade que a minha garganta inchou, os meus ouvidos entupiram, engasguei-me na própria baba e preguei um grande susto à minha mãe. Juro que nunca na vida chorei tanto como naquele momento – nem mesmo nas férias do Algarve, no ano seguinte, quando escorreguei de um muro, deixando a coxa em carne viva e acreditei piamente que ia morrer. No limiar da década de 90, já o E.T estava disponível para aluguer e passava na tv, não diminuiu muito o meu fluxo lacrimal. Já na adolescência, via o E.T com uma toalha no colo, longe de olhares alheios para não verem a minha triste figura. Pela ocasião do vigésimo aniversário da estreia do filme, já tinha algum controlo e “flanqueada” por dois distintos críticos de cinema, pratiquei (com treino) o que chamo de “choro em silêncio”.
2. NEVER ENDING STORY ( História Interminável)
Razão: A morte de Artax

“História Interminável” não guarda o recorde de mais lágrimas, porém detém o recorde absoluto de filme mais visto na infância – um total de mil e quinhentas e trinta e nove vezes. Nunca o vi no cinema, mas via-o obsessivamente no vídeo lá de casa. Assistia ao filme antes de ir para a escola, quando regressava, quando fazia os trabalhos de casa, quando recebia visitas dos amigos. Estes podem testemunhar a facilidade com que ligava a torneira das lágrimas quando o cavalo Artax sacumbiu às traiçoeiras águas do Pântano da Tristeza. Em minha defesa apraz dizer: se até o realizador do filme não resistiu à emoção ao gravar a cena, imagine-se qual o estado de espírito desta amante suprema de animais, ao ver a morte de um cavalo. A mancha da mesa da sala de estar da minha antiga casa, atesta o meu estado de precipitação lacrimal.
3. ELEPHANT MAN (O Homem Elefante)
Razão: Crueldade Humana


Vi este filme na tv quando era novinha, na altura não sabia que o personagem de John Merrick era baseado numa pessoa real. Mesmo alheia ao pormenor da veracidade da história de vida de Merrick, assistir a atroz crueldade humana, perante alguém fisica, cultura, emocionalmente diferente é algo que foi (e é) difícil assimilar. Particularmente em criança, mas ainda o é hoje. A profunda tristeza e horror pela forma como tratavam um ser humano deformado, como um bicho, ficou marcada na minha memória. Jamais esquecerei a desumanidade de uma multidão diante um finalmente feliz Merrick.

4. ANIMAL FARM (O Triunfo dos Porcos)
Razão: Morte de Boxie

Achei estranho assistir a um filme de animação em plena noite, mas o protagonismo de amorosos animais de quinta a conviver em harmonia uns com os outros, sossegou a minha mãe que permitiu que a sua filha de 8 anos ficasse até mais tarde a ver televisão. Mal sabia ela, muito menos eu, que o filme nada tinha de infantil e tudo de revolucionário. A adaptação cinematográfica do livro de George Ornell “O Triunfo dos Porcos” é um retrato crítico á sociedade capitalista que corrompe os valores humanos. Assim que os amorosos porquinhos cresceram para personificar malvados tiranos que escravizam os restantes animais de quinta, questionei-me como seria possível existir um filme de desenhos animados tão cruel. Quando o cavalo Boxer morreu já estava lavada em lágrimas e fui de bom grado para a cama antes de terminar o filme. Façam o que quiserem mas, pelo amor de Deus, não matem os animais! Até o serial killer de “O silêncio dos Inocentes” tinha estima pelo seu cãozinho. Ainda bem que a minha mãe nunca me levou a ver o “Bambi”! Imaginem o descalabro que isso significaria para tamanha defensora da causa animal.
5. DEAD MAN WALKING (A Última Caminhada)
Razão: Redenção, Humanidade


A meio da tabela, chegamos aos filmes visionados em idade adulta. Lembro-me do arrumador nazi da já extinta sala Alfa e como chorei baba e ranho, limpando tudo nas mangas da camisa, não não fosse o homem apontar-me a luzinha e expulsar-me dali. Um espectador ousou perguntar porque as luzes estavam acesas na altura dos trailers e o arrumador Nazi resmungou apoplético “tou farto de dizer que é sempre assim durante os trailers!” Medo, medo! Pena de morte é um assunto que já de si me melindra bastante, acho uma hipocrisia o mesmo Estado que diz não deves matar, o faça impunemente, porém, o que mais me comoveu foi a humanidade da irmã Prejean nas suas palavras: “ You look at me when they do this thing and I’ll be the face of love for you”. Baseado no verdadeiro testemunho da irmã, este mostra que o ódio não se combate com ódio. A dúvida sobre a culpabilidade de Poncelet permanece durante todo o filme, até ao momento final. Vendo atrocidade do crime cometido em paralelo com o “assassinato estatal” testemunha-se que a redenção  provêm do reconhecimento da verdade, assim como o maior castigo.

6. SCHINDLER’S LIST (A Lista de Schindler)
Razão: Extrema Crueldade Humana


Steven Spielberg está no top da minha lista de realizadores favoritos( ainda nem havia atingido a puberdade e já o era). É a minha convicção inabalável que Spielberg faz filmes extraordinários, muito bons e bons, jamais maus! Acho que em toda a filmografia, apenas falhei um escasso par de títulos. A Lista de Schindler esteve muito perto de ser um filme não visionado devido ao tema que sempre me melindrou – o Holocausto. Spielberg até aqui era conhecido pela boa disposição e entretenimento que imprimia nos seus filmes, lidar com tema tão obscuro e pesado parecia algo totalmente fora do seu alcance. A minha dedicação ao realizador venceu, mas foi uma experiência demasiado brutal. De tal intensidade que pela altura do massacre no ghetto (cena que não figura neste vídeo devido ao conteúdo violento do mesmo), senti vontade de vomitar e estive mesmo para sair da sala tal o prolongamento da agonia, dos gritos, do sangue (que era a preto e branco), da crueldade extrema – aleatória, cega, sem compaixão, sentido ou humanidade. Nem tinha a desculpa de assimilar que esta era uma obra de ficção. Saber que tamanha atrocidade aconteceu em pleno século XX é demasiado para quem ingenuamente acredita na bondade humana.

7. DANCER IN THE DARK

Razão: Destruição de um Coração Puro


Eis um filme que deliberadamente exagera no grau de crueldade, trazendo a má sorte, incompreensão e corrupção emocional ás suas personagens. Lars Von Trier e Björk, respectivamente realizador e cantora, que não me agradam particularmente, abriram a minha torneira da choradeira com um relato de faca e alguidar que não lembra o menino Jesus. Uma emigrante de leste, inocente e pura, luta para sustentar o filho, sonhando viver dentro de um musical. A moçoila é enganada pelo vizinho que lhe rouba as economias para pagar os gastos excessivos da mulher e a partir daí a pobre Selma sente na pele o degredo semelhante à figura bíblica de Jó. Não consegui resistir e o grande culpado é a magistral composição musical. De que outra maneira se pode explicar as lágrimas que rolaram logo no genérico de abertura? Um ecrã a negro só com um instrumental – pelo amor dos santos! Mas, confesso, chorei porque é-me difícil assistir á destruição de um coração puro. Ficção ou não.

8. TITANIC
Razão: Morte do Navio


Aposto que estão surpresos por este filme não figurar no topo da lista? Embora tenha havido sessões de choro fortes, foram um tanto ou quanto dessincronizadas com o resto da audiência. Para começar chorei logo nos créditos introdutórios (onde já se viu?!). A choradeira, ainda que ao nível silencioso, aumentou de tom a partir do momento que o navio fica condenado a morrer. Esqueçam a Rose e o Jack, história de amor, tadinho do parzinho vai ficar separado. Não. Eu chorei com a destruição do navio e o pânico dos passageiros. James Cameron fez um trabalho esplêndido ao trazer de volta a memória do Titanic, com tal fidelidade, veracidade e humanidade que os espectadores sentiram empatia pelos personagens, sabendo de cor o seu destino. Foi impossível compilar todos os momentos Buá, mas este seguramente é um deles.

9. COLOR PURPLE (Cor Púrpura)
Razão: Separação das Irmãs


A única felicidade de Cellie no meio de abusos, maltratos e desrespeito, sofridos desde tenra idade, é a sua irmã. Quando o marido ciumento de Celie as separa, sentimos na alma a dor da separação das duas irmãs que se amam. Se vocês não sentem nem um prenúncio de uma lágrima que seja nesta cena, desculpem lá, mas algo de muito errado se passa com o vosso centro emocional. Tenho dito!
10. REQUIEM FOR A DREAM
Razão: Desilusão de uma vida perdida

O segundo filme realizado por Darren Aronofsky não é de fácil visionamento e seguramente não o verei de novo, porém, é uma viagem emocional que ninguém deve perder. Um filme visual e musicalmente magistral, percorre as estações do ano como estados emocionais. Segue do encantamento e euforia da Primavera, para a devastação e decepção cruel do Inverno. Aronosfsky fala de vícios, não só químicos, mas aqueles que guardam a ilusão de uma vida melhor. O nível de choro atinge o pico do insuportável nesta cena, quando Marion pede para Harry regressar a casa e este mente dizendo que em breve o fará. É de uma tristeza avassaladora, pois tanto o espectador, como as personagens sabem que tal não vai acontecer, apenas se agarram a uma réstia de esperança que em breve morrerá.

Surto de gargalhadas

Se é verdade que o riso é contagiante, depois de verem o seguinte compêndio de gargalhadas, é melhor ficarem de quarentena para não causar uma epidemia de risota.

No cinema, não é só do género comédia que se retiram gargalhadas, embora seja esse o género por excelência. Alguns actores possuem um riso característico que encantam os espectadores, outros recriam risotas específicas para caracterizar a personagem que interpretam. Existem ainda aqueles que, fora do personagem que interpretam e no stress que não conseguirem terminar uma cena, não conseguem parar de rir, o que acaba por ser uma fonte inesgotável de riso para o blooper reel (vulgo gaffes).

Tom Hanks:The Money Pit

Este filme é um clássico dos anos 80 e continua a ser uma fonte inesgotável de riso não interessa quantos visionamentos passados. The Money Pit tem a sua cota parte de slapstick e um par de comediantes no auge do sucesso televisivo, mas é esta cena da banheira que leva a personagem de Tom Hanks à loucura do riso incontrolável. Infelizmente nunca vi este filme no cinema, vi-o em casa com as minhas vizinhas e foi uma enxurrada de risada.

Rick Gervais: “Pop Nobing” Extras

Rick Gervais é conhecido pelo seu humor de rosto cerrado, silêncios desconfortáveis e textos que nem sempre fazem sentido. Confesso que não é o tipo de comédia que me agrada, porém, quando Gervais se espalha ao comprido e falha as falas ou as deixas, é o momento em que a sua característica e estridente gargalhada emerge e aí não há espectador que consiga manter uma expressão séria. Esta cena, em que Keith Chegwin mímica o acto sexual do “pau” a enfiar no “buraco” foi a mais difícil de filmar na série “Extras”. Gervais, simplesmente, não consegue parar de rir. E nós também não!

Herman José: Lauro Dérmio apresenta

Outro exemplo de gargalhada estridente que atinge em cheio o nosso nervo do riso. Herman José esforça-se ao máximo para conseguir dizer a frase: “Não pirilamparás a mulher do próximo” numa caricatura do cineasta Lauro Dérmio, mas falha sistematicamente, deixando escapar gargalhadas que o levam às lágrimas.

Julia Roberts: Pretty Woman

Na cena em que Edward oferece o colar a Vivian, Richard Gere improvisou fechando a tampa do estojo em cima dos dedos de Julia Roberts de propósito. O resultado é uma genuína gargalhada, marca registada do carisma pessoal de Roberts. O realizador ficou encantado com a gargalhada e permitiu que a cena ficasse assim. É essa mesma gargalhada que faz as delícias dos espectadores.

Eddie Murphy

Vi recentemente um documentário sobre Eddie Murphy onde o próprio confessava que a gargalhada que o caracterizou no início da carreira é deliberada e não a sua verdadeira forma de rir. Durante anos e anos, as pessoas que se cruzavam com Eddie Murphy pediam-lhe para recriar a gargalhada e ele ficou de tal modo farto que já não a recria em filme (ou na vida real). Falsa ou não, a gargalhada Eddie Murphyana contagia sem sombra de dúvida.

Seth Rogen

Seth Rogen tem um passado de stand up e isso transparece na forma como domina o timing, amiúde faz vozes para filmes de animação e embora o espectador não consiga ver o actor, sabe imediatamente reconhecê-lo devido à sua característica gargalhada. Uns acham-na irritante, eu acho-a adorável. Aqui, em discurso directo numa entrevista para o New York Times, a gargalhada aparece em todo o seu esplendor.

Alf

A minha geração recorda com carinho a hilariante personagem de Alf, um simpático extraterrestre que aterra na casa dos Tanners e vira as suas vidas do avesso. Alf é na sua essência um cómico, assim como o bonequeiro que lhe dá vida. Paul Fusco foi o criador da personagem e simultaneamente quem manobrava o boneco e fazia a sua voz daí a personagem parecer tão genuína. A gargalhada de Alf finalizava cada piada que ele dizia e ficou de tal modo famosa que passou a representar o logo da companhia ao qual Paul Fusco pertencia.

Ewan McGregor



No primeiro minuto que vi Ewan McGregor no grande ecrã, fiquei encantada com o seu sorriso e não conseguia parar de rir com a sua gargalhada. É infalível e deveras contagiante. Com o linguajar escocês as gargalhadas aumentam. Este clip mostra um resumo do documentário “The Long Way Down” onde ele e Charles Boorman aventuram-se numa viagem de mota entre a Escócia e África do Sul. Nestes 6 minutos de improvisação em frente à câmara, sem qualquer ensaio ou guião, vemos McGregor no seu melhor e desafio-os a não rir. Acreditem, será difícil.

Mike Myers: Austin Powers “Yeah Baby”

Tal como Hanks e Murphy, Mike Myers traz consigo a herança do Saturday Night Live e alguns dos personagens criados na série chegaram mesmo a dar o salto para o cinema. Porém Austin Powers foi uma personagem pensada inteiramente por Myers, tendo em mente os filmes de espionagem britânicos dos anos 60. São muitas as frases que ficam no ouvido e às quais não conseguimos parar de rir. Uma delas é este “yeah baby yeah”, com a dentuça feia de Austin.

Jim Carrey

Não interessa qual o clip que aqui coloco, Carrey conta-se entre um dos muitos cómicos que inventam uma risada em cada comédia que protagonizam. Seja esta, ou esta , faz-me sempre rir descontroladamente. A suas performances são hilariantes, e mesmo em tom sério (género onde aliás Jim Carrey surpreende) consegue contagiar-me com a sua gargalhada.

5 filmes, 5 músicas

Diz que 1 de Outubro é dia de festejar a música (não serão todos?), mas o Mixtape, gosta de misturar as coisas e sugere uma playlist parte musical, parte cinematográfica. 5 filmes que celebram a música, destacando uma cena musicada. Estão preparados  para cantarolar, neste verdadeiro momento karaoke de nostalgia cinéfila?

Hedwig and the Angry Inch (2001)

John Cameron Mitchel, «Angry Inch»

Se seguirem atentamente a letra (escrita por Stephen Trask que também entra no filme) percebem de onde vem esta personagem de Hedwig e o que lhe aconteceu. Um inocente rapaz do lado errado do muro de Berlim apaixona-se por um oficial do exército norte-americano que lhe jura amor e retirada da Alemanha comunista, mas para isso terá de «retirar» algo de muito seu para que possa viajar com ele como sua esposa.

Almost Famous (2000)

Elton John: «Tiny Dancer»

Todo o filme é uma carta de amor à música, escrita pelo seu realizador, Cameron Crowe, outrora o mais jovem repórter da Revista Rolling Stone. Na vida real, Cameron seguiu pelos bastidores de concertos de bandas rock. No filme, a sua recordação daqueles tempos vive na personagem de William Miller que segue a banda fictícia Stillwater. Porém o momento musical não é o da banda mas o chamado guilty pleasure de uma banda rock ouvir a pop melódica de piano doce de Elton John. Aquele momento tenso do autocarro da banda, quando o trautear de uma música é o elo apaziguador.

The Skeleton Twins (2014)

Starship «Nothing’s Gonna Stop Us Now»

Um filme interpretado por Bill Hader e Kristen Wiig (antigos colegas do Saturday Night Live) imagina-se uma comédia, mas é de facto um drama com tema obscuro. No entanto, este momento entre irmãos desavindos é tão bom e mostra uma tal empatia que imaginamos que estes dois, na vida real, mimam este tema vezes sem conta. Para além disso, eu também canto assim o hit musical dos Starship, pela casa fora. Esta canção lembra-me sempre o filme «Mannequim» de  87 no qual a canção faz parte da Banda Sonora.

La Famille Bélier (2014)

Louane Emera: «Je Vole»

Nesta cena do filme francês «La Famille Bélier», a canção «Je vole» popularizada por Michel Sardou,  faz parte da prova de admissão da jovem para um coro de elite. Filha de pais e irmão surdos, a única que ouve, sente culpa por desejar aventurar-se no mundo da música e deixar a sua família sem a sua intérprete gestual. A letra espelha na perfeição o seu sentimento e nem é preciso ser um entendido na língua francesa para perceber a dilaceração emocional que transpira nos versos da incrível interpretação da cantora/actriz Louane: Mes chers parents, je pars, Je vous aime, mais je pars. Esta noite já não têm uma filha. Eu não fujo, eu voo. Percebam, eu voo.

Moulin Rouge (2001)

Ewan MacGregor & Nicole Kidman: «Elephant Medley»

Um musical por excelência, um patchwork de temas pop, embrulhados num lacinho melódico cantado pelos próprios actores. O enamorado e ingénuo escritor sem cheta serenata para a bela cortesã cujo coração está fechado para o amor. Uma canção de amor de dez diferentes canções de amor. É de génio.

O Imaginário Datilografado

A máquina de escrever é um objecto obsoleto com o advento dos aparelhos computorizados mas ainda conserva o seu charme. A imagem de um poema escrito em máquina de escrever, fez-me voltar no tempo em que a máquinas de escrever fazia parte da minha vida. A nossa convivência foi curta, tendo em conta a transição para o computador quando iniciei a faculdade, mas a imagem romantizada da máquina de escrever permanece comigo e relega-me sempre para um universo de poetas, detectives, jornalistas e escritores sentados nas suas cadeiras transformando os seus pensamentos em caracteres dactilografados.

A máquina de escrever ainda vive no universo cinematográfico (ou ao colo de um hipster de núcleo duro) relembrando o preto e branco do film noir, o perigo ao virar da esquina da espionagem do pós guerra, a diligência das grandes investigações jornalísticas e a escrita de guiões. Não admira que este pequeno equipamento mecânico /electrónico seja tão carismático, capaz de roubar protagonismo aos filmes.

Em pesquisa sobre este tema, vi uma página que dedica a sua atenção às máquinas de escrever,The Antikey Chop e graças ao seu autor, Greg Fudacz, posso mencionar o nome do modelo que surge nestes 10 momentos onde a máquina de escrever tem um papel especial.

TRUMBO de Jay Roach
EspaçoTemporal: década de 50
Modelo: Underwood Standard

Os argumentistas da época dourada de Hollywood são praticamente escravos das suas máquinas de escrever (ou será o inverso?). No filme é interessante ver o processo de trabalho de Trumbo (Bryan Cranston), com o corta e cola a fita-cola para juntar partes e organizar outras, uma máquina extra para passar a limpo, escrever na banheira usando um suporte a servir de secretária (as máquinas daquele tempo não eram leves), mas sempre agarrados às máquinas de escrever. Acompanhantes da máquina de escrever de um argumentista, o copo de whiskey e cigarros (muitos…).

WONDER BOYS de Curtis Hanson
Tempo da acção: 2000
Modelo: IBM Selectric

O professor Grady (Michael Douglas) e o interminável romance escrito à máquina na era dos computadores. O escritor marcado pelo grande sucesso do seu primeiro livro que vive assombrado pelas expectativas da obra que se segue. A máquina de escrever aqui é simbólica de alguém preso num tempo outrora feliz.

ATONEMENT de Joe Wright
Espaço temporal: 1935
Modelo:Royal No.10

Robbie (James McAvoy) escreve uma carta muito inspirada a Cecilia (Keira Knightley), depois de várias tentativas frustradas onde teve de repetir o processo de bater na máquina vezes e vezes sem conta. Afinal de contas, falta à máquina de escrever o botão delete

ADAPTATION de Spike Jonze

Espaço temporal: 2002

Modelo: IBM Selectric II (?)

O argumentista (Nicolas Cage) em bloqueio criativo em frente à máquina de escrever. O temor de todos os escritores.

MOULIN ROUGE de Baz Luhrmann
Espaço temporal: Virar do séc XX
Modelo: Underwood Standard No.5

Christian (Ewan McGregor), o autor poeta sonhador escreve a história de amor entre ele e Santine (Nicole Kidman) devastado pela morte desta.

SCHINDLER’S LIST de Steven Spielberg
Espaço temporal: 2ª Guerra Mundial
Modelo: Continental

A máquina de escrever não serve só produções criativas, mas também as administrativas. Neste filme serve um propósito muito maior, os nomes incluídos na lista foram aqueles salvos do Holocausto Nazi. Itzhak Stern (Ben Kingsley) e Oskar Schindler (Liam Neeson) compilam os nomes de empregados a ser recrutados para a fábrica de Schindler que foram desviados dos campos de concentração.

ALMOST FAMOUS  de Cameron Crowe
Espaço temporal:1973
Modelo: IBM Selective / Smith-Corona Galaxy Deluxe

William Miler (Patrick Fugit) é um fã incondicional de música e também o mais jovem jornalista da Rolling Stone. Em conversa com o seu ídolo mentor, Lester Bangs (Philips Seymour Hoffman) confessa usar uma Smith-Corona Galaxy, mas no filme do filme surge a escrever numa IBM (modelo bastante popular nos nos 70)

ALL THE PRESIDENT’S MEN de Alan J. Pakula
Espaço temporal: início dos anos 70
Modelo: Olympia SG3

Máquina de escrever era o melhor amigo dos jornalistas, era, de facto, o seu instrumento de trabalho. As redacções pré era computorizadas eram totalmente diferentes como se pode observar neste filme que segue os dois jornalistas de investigação que denunciam o que viria a ser chamado caso Watergate que levou à demissão do presidente Richard Nixon

LOVE ACTUALLY de Richard Curtis
Espaço temporal:2003
Modelo: Olympia SM9

Outro filme em que o autor, Jamie (Colin Firth) opta por usar a máquina de escrever numa altura de pleno processamento de texto computadorizado. Também ele tem aquele ideia romântica dos escritores que escrevem romances de sucesso em máquinas de escrever. Só que depois, acidentes acontecem e lá vai a Lúcia Moniz salvar a situação.


THE SHINING de Stanley Kubrik
Espaço temporal:início anos 80
Modelo: Adler Universal Typewriter

O autor Jack Torrance (Jack Nicholson) com bloqueio criativo, viaja com a família para um hotel fechado no Inverno, esperando conseguir sossego e inspiração. Nem uma coisa, nem outra. O que Torrance consegue é assustar de morte a sua mulher e filho e nós por arrasto. Até a máquina de escrever parece tenebrosa nesta cena.

Em menção honrosa, o tema instrumental de Atonement, onde o compositor Dario Marianelli usa o som da máquina de escrever como parte integrante do tema «Briony».