Quando o Cinema faz Búu

Com o Dia das Bruxas à porta, os filmes de terror ganham honras de Estado, desaparecendo das prateleiras dos clubes de aluguer, propagando-se pela televisão, tornando-se a fonte de inspiração para fatos de máscaras feitos para assustar todo energúmeno que se atreva a recusar oferecer doces. A verdade é que, em terras cristãs, a atenção recai no pacato feriado de todos-os-santos, mas o fascínio pelo imaginário do terror ganha outra dimensão na noite de Halloween.

Vinda da geração em que o género terror emergiu do círculo de culto para o sucesso comercial – elevando personagens de terror como Michael Myers (Halloween, 1978), Jason (Sexta feira 13, 1980) Freddy Krueger (Pesadelo em Elm Street, 1984), Chucky (Boneco Assassino, 1988) a intermináveis sagas de terror que duram…duram…duram – é uma incógnita porque os filmes de terror são incapazes de suscitar o meu interesse.

Ouvia com repulsa, os relatos horripilantes destes filmes contadas pelo meu (mais velho) vizinho do rés-do-chão que respirava filmes de terror por todos os poros. Enfim, aos 10 anos de idade, não é de todo estapafúrdio uma miúda, fã de musicais, comédias românticas e filmes de aventura, abominar a imagem de um tresloucado com máscara de ski que esfaqueia virgens em série. Ainda que para fins de entretenimento…

A diversidade de filmes visionados ao longo dos anos, provou que a classificação terror assume registos e nuances mais complexos e abrangentes que uma ilustração estereotipada de ambientes sombrios, sangue, vísceras e objectos cortantes. Basicamente, tudo o que nos assusta e acciona sensações desconfortáveis no nosso consciente (e inconsciente) alimentando as enzimas do medo e susto qualifica-se. Até partilho a opinião de Stephen King ao confessar “A imagem dos palhaços assusta-me!”.

Sabem o que também me assusta?…

Eis 10 bons exemplos de cenas mais assustadoras do cinema tendo em conta que dilataram as pupilas dos meus olhos ao máximo, arrepiaram os pêlos do meu braço, elevaram o meu traseiro do assento e afundaram o meu rosto dentro da gola do camisolão.

MEDO!MEDO!

Nota: as imagens podem conter “spoilers“.

COMPANY OF WOLVES

É irónico como a incauta visão da minha primeira cena de terror, aos 10 anos , foi proporcionada pela cópia pirata do filme infantil “A História Interminável”. Quem diria que, escamoteado em tão mágico e inocente filme, estaria a cena final de “A Companhia dos Lobos”, no exacto momento que a carne de um homem se rasga para dar lugar a um lobo. A imagem apanhou-me totalmente desprevenida e foi de tal modo chocante que nem me consegui mexer, incapaz de desligar o televisor.

DEAD ZONE

Qualquer cena que mostra um objecto cortante e sangue arrepia-me a espinha. Só de olhar para esta imagem só me vem o vómito imaginando o cheiro do sangue com a água. Agora imagine-se ver a cena em que o assassino se suicida com uma tesoura aberta espetada na boca, quando se tem 12 anos de idade.

CARRIE

A maneira como é filmado e o sangue que corre neste filme é deveras tenebroso. Quem consegue fazer da primeira menstruação, um acena de horror, tem mérito, caramba. Mas a cena mais assustadora, muito mais que a cena do baile de finalistas em que a doce Carrie mata tudo e todos à frente, é a cena final que mesmo morta e enterrada, continua a assustar a pobre Amy Irving.

BIRDS

 

Hitchcock no seu melhor. Quem consegue fazer um filme de terror com doces passarinhos é, sem dúvida um mestre do suspense. Vi o filme quando era novinha e impressionou-me bastante. Hoje em dia talvez não assuste, mas – um clássico é um clássico.

ALIENS

Durante muitos anos não vi esta cena, só a mera menção a esta me deixava agoniada. Já mais velha, ainda a vejo com algum susto. Mesmo que a gosma seja de silicone, aquele alien a rasgar o estômago do pobre John Hurt impressiona.

SILENCE OF THE LAMBS

Imaginem ver a cena da foto em que o Hannibal foge da cela deixando para trás um anjo de “pele” com uma gata que vos aterra no colo vinda sabe-se lá de onde. Mandei um berro que se ouviu ao longe. O que vale é que estava em casa…

THE SHINING

Só o pio do pianinho neste filme é o suficiente para me arrepiar a pele, imagine-se tudo o resto e a voz do miúdo a berrar “REDRUM!” brrrrrrrrrrrrrrr

BLAIR WITCH PROJECT

Mesmo sabendo que era um mito “fabricado” e que cada momento foi meticulosamente criado por dois realizadores que massacraram os actores até quase os matarem de susto, eu fiquei horrorizada. Porquê? Bosque em noite cerrada, só a ideia me deixa com MUITO MEDO! A forma como é filmado atinge em cheio o genezinho do horror, pelo menos o meu. Não só porque vemos o terror espelhado no rosto dos actores, mas porque a ideia de estar num bosque escuro como breu deixa-me totalmente HORRORIZADA.

TWIN PEAKS

Na verdade o Killer Bob não povoa o formato cinema, apesar de emergir do imaginário de David Lynch, mas basta olhar para a imagem do assassino de Laura Palmer da série Twin Peaks para desencadear pesadelos vários.

SEVEN

É incrível como um filme que não tem violência explícita e figurando um muito sexy Brad Pitt, pode assustar de tal modo que durante 1 ano nem consegui olhar para a cara de Kevin Spacey (Juro!) Não só isso, como nunca mais consegui ver o filme. Na cena do crime do pecado da “Preguiça”, quando um muito decomposto homenzinho, larga uma exclamação de agonia perante o olhar incrédulo da polícia de intervenção, eu dei um pulo tão grande da cadeira que nem sei como não me deu um ataque cardíaco logo ali.

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Horror Mix Mash

Nesta noite de Halloween, o Mixtape brinda os seus seguidores com uma colectânea digna dos mais aterradores pesadelos.

Durmam bem…(se conseguirem)

– Inserir riso maléfico –

Música de Susto para o Dia das Bruxas

Feriado importado dos países anglo-saxónicos, o Dia das Bruxas em Portugal veio para ficar. No nosso país não é um feriado de descanso, mas ainda assim, desculpa para festas temáticas de arromba e oportunidade de usar máscaras de susto para condizer com o dia em que as Bruxas andam por aí. Se procuram música inspirada neste tema para vos colocar na disposição halloweenesca, estão no sítio certo. Nos próximos dias, o Mixtape é todo de susto e atacará em todas as frentes. Comecemos pela Música.

A seguinte playlist é da autoria do meu amigo Tim, norte-americano de nacionalidade que leva muito a sério este feriado e faz questão de trazer o Halloween até à minha casa. Pacotes de guloseimas halloweenescas chegam à caixa de correio, dispensado-me de andar de casa em casa a apregoar “TRICK or TREAT!” Fica para a História, o ano em que o aventuroso Tim enviou uma verdadeira abóbora esculpida via correio internacional e a dita se perdeu algures, chegando à minha casa 2 semanas depois – mais bolor em forma de abóbora. A foto que introduz este mixtape também é da sua autoria e podem espreitar o seu projecto fotográfico.

Eis a banda sonora de susto que vos colocará na perfeita disposição para o Dia das Bruxas. Deixem-se assustar.

Playlist: Halloween

  1. Halloween theme (BSO)
  2. Nightmare Before Christmas (BSO): This is Halloween
  3. Souxie and the Banshees Halloween
  4. Friday the 13th (BSO)
  5. Drop Kick Murphys – Halloween
  6. Twilight Zone theme
  7. The Golden Records Orchestra: Halloween Dance
  8. Bobby Boris Pickett: Monster Mash
  9. Beetlejuice theme (BSO)
  10. The Shining (main theme)
  11.  The Blair Witch Project theme (BSO)

 

O Imaginário Datilografado

A máquina de escrever é um objecto obsoleto com o advento dos aparelhos computorizados mas ainda conserva o seu charme. A imagem de um poema escrito em máquina de escrever, fez-me voltar no tempo em que a máquinas de escrever fazia parte da minha vida. A nossa convivência foi curta, tendo em conta a transição para o computador quando iniciei a faculdade, mas a imagem romantizada da máquina de escrever permanece comigo e relega-me sempre para um universo de poetas, detectives, jornalistas e escritores sentados nas suas cadeiras transformando os seus pensamentos em caracteres dactilografados.

A máquina de escrever ainda vive no universo cinematográfico (ou ao colo de um hipster de núcleo duro) relembrando o preto e branco do film noir, o perigo ao virar da esquina da espionagem do pós guerra, a diligência das grandes investigações jornalísticas e a escrita de guiões. Não admira que este pequeno equipamento mecânico /electrónico seja tão carismático, capaz de roubar protagonismo aos filmes.

Em pesquisa sobre este tema, vi uma página que dedica a sua atenção às máquinas de escrever,The Antikey Chop e graças ao seu autor, Greg Fudacz, posso mencionar o nome do modelo que surge nestes 10 momentos onde a máquina de escrever tem um papel especial.

TRUMBO de Jay Roach
EspaçoTemporal: década de 50
Modelo: Underwood Standard

Os argumentistas da época dourada de Hollywood são praticamente escravos das suas máquinas de escrever (ou será o inverso?). No filme é interessante ver o processo de trabalho de Trumbo (Bryan Cranston), com o corta e cola a fita-cola para juntar partes e organizar outras, uma máquina extra para passar a limpo, escrever na banheira usando um suporte a servir de secretária (as máquinas daquele tempo não eram leves), mas sempre agarrados às máquinas de escrever. Acompanhantes da máquina de escrever de um argumentista, o copo de whiskey e cigarros (muitos…).

WONDER BOYS de Curtis Hanson
Tempo da acção: 2000
Modelo: IBM Selectric

O professor Grady (Michael Douglas) e o interminável romance escrito à máquina na era dos computadores. O escritor marcado pelo grande sucesso do seu primeiro livro que vive assombrado pelas expectativas da obra que se segue. A máquina de escrever aqui é simbólica de alguém preso num tempo outrora feliz.

ATONEMENT de Joe Wright
Espaço temporal: 1935
Modelo:Royal No.10

Robbie (James McAvoy) escreve uma carta muito inspirada a Cecilia (Keira Knightley), depois de várias tentativas frustradas onde teve de repetir o processo de bater na máquina vezes e vezes sem conta. Afinal de contas, falta à máquina de escrever o botão delete

ADAPTATION de Spike Jonze

Espaço temporal: 2002

Modelo: IBM Selectric II (?)

O argumentista (Nicolas Cage) em bloqueio criativo em frente à máquina de escrever. O temor de todos os escritores.

MOULIN ROUGE de Baz Luhrmann
Espaço temporal: Virar do séc XX
Modelo: Underwood Standard No.5

Christian (Ewan McGregor), o autor poeta sonhador escreve a história de amor entre ele e Santine (Nicole Kidman) devastado pela morte desta.

SCHINDLER’S LIST de Steven Spielberg
Espaço temporal: 2ª Guerra Mundial
Modelo: Continental

A máquina de escrever não serve só produções criativas, mas também as administrativas. Neste filme serve um propósito muito maior, os nomes incluídos na lista foram aqueles salvos do Holocausto Nazi. Itzhak Stern (Ben Kingsley) e Oskar Schindler (Liam Neeson) compilam os nomes de empregados a ser recrutados para a fábrica de Schindler que foram desviados dos campos de concentração.

ALMOST FAMOUS  de Cameron Crowe
Espaço temporal:1973
Modelo: IBM Selective / Smith-Corona Galaxy Deluxe

William Miler (Patrick Fugit) é um fã incondicional de música e também o mais jovem jornalista da Rolling Stone. Em conversa com o seu ídolo mentor, Lester Bangs (Philips Seymour Hoffman) confessa usar uma Smith-Corona Galaxy, mas no filme do filme surge a escrever numa IBM (modelo bastante popular nos nos 70)

ALL THE PRESIDENT’S MEN de Alan J. Pakula
Espaço temporal: início dos anos 70
Modelo: Olympia SG3

Máquina de escrever era o melhor amigo dos jornalistas, era, de facto, o seu instrumento de trabalho. As redacções pré era computorizadas eram totalmente diferentes como se pode observar neste filme que segue os dois jornalistas de investigação que denunciam o que viria a ser chamado caso Watergate que levou à demissão do presidente Richard Nixon

LOVE ACTUALLY de Richard Curtis
Espaço temporal:2003
Modelo: Olympia SM9

Outro filme em que o autor, Jamie (Colin Firth) opta por usar a máquina de escrever numa altura de pleno processamento de texto computadorizado. Também ele tem aquele ideia romântica dos escritores que escrevem romances de sucesso em máquinas de escrever. Só que depois, acidentes acontecem e lá vai a Lúcia Moniz salvar a situação.


THE SHINING de Stanley Kubrik
Espaço temporal:início anos 80
Modelo: Adler Universal Typewriter

O autor Jack Torrance (Jack Nicholson) com bloqueio criativo, viaja com a família para um hotel fechado no Inverno, esperando conseguir sossego e inspiração. Nem uma coisa, nem outra. O que Torrance consegue é assustar de morte a sua mulher e filho e nós por arrasto. Até a máquina de escrever parece tenebrosa nesta cena.

Em menção honrosa, o tema instrumental de Atonement, onde o compositor Dario Marianelli usa o som da máquina de escrever como parte integrante do tema «Briony».

5 Sustos

Chega o dia muito querido no calendário Mixtape, onde há carta branca para assustar o próximo sem correr o risco de ser rotulado de “Maluquinho”. Em edição anterior já se compilou uma colectânea para a ocasião, esta é a versão alargada. Aproveito para vos pregar 5 sustos que são 5 sugestões de filmes para verem lá em casa, caso planeiem uma noite das Bruxas no aconchego do lar.
Aconselha-se o visionamento com um recipiente de doces halloweenescos vários e um gato, pois este felino tem o dom quase sobrenatural de nos saltar para o colo nas situações mais propícias ao susto, especialmente quando vemos filmes de terror. O Mixtape sabe de fonte segura que na noite de Halloween, zombies sairão à rua e lá estará para fotografar, munida de uma catana, não vá algum morto-vivo tentar morder.

Divirtam-se com as vossas Doçuras ou Travessuras
MUAHAHAHHAHAHAHA

Susto 1

THE SHINING
BÚUU: Ainda mais assustador que a interpretação de Jack Nicholson como o possuído Jack Torrance, é a música e as fracções de imagens horripilantes das alucinações

Susto 2

FIRE WALK WITH ME
Búu: Uma palavra apenas: Bob. Se não viram a série Twin Peaks, podem ver o filme que antecede a série e ainda assim ficar arrepiados.


Susto 3

SE7VEN
Búu: O filme é tão assustador que apenas o vi uma vez e não me atrevo a ver mais. Todo o ambiente sombrio onde nada se vê mas tudo se imagina é o mais horripilante de tudo.


Susto 4

THE EXORCIST
Búu: Sendo um filme da década de setenta, ainda assusta actualmente, particularmente assustadora é a voz possuída de Reagan

Susto 5
BLAIR WITCH PROJECT
Búu: Duas palavras: Floresta à noite. Medo, muito medo.

Let’s Look at the Trailer

Se, antigamente, o propósito do trailer consistia em dar a conhecer o próximo filme nas salas de cinema, hoje em dia é de tal modo crucial para os Estúdios que chega a ofuscar o próprio filme. Levantem as mãos aqueles que ficaram entusiasmados com um filme após ver o trailer para depois sair da sala de cinema com a ideia que viram um melhor trailer que a dita fita.

Contrária à opinião popular, não é o realizador do filme, mas o editor de imagem de uma empresa externa que monta um trailer. Pesa nos seus ombros, a árdua tarefa de captar a essência de um filme tornando-o apelativo em cerca de 2m30. Mais do que isso, está nas suas mãos o modo como percepcionamos um filme. Com uma inteligente montagem de música, frases e cenas chave, até o filme “The Shining” pode ser visto como um drama de descoberta emocional entre pai e filho, “Psycho” como uma comédia romântica, “Titanic” como um filme de terror. Resultados de um concurso para assistente de edição de imagem, este “novo” olhar de clássicos do cinema são a prova que o trailer é uma forma de arte, equiparada a uma curta metragem, a táctica mais escamoteada de ludibriar o espectador e o prenúncio de algo que mal podemos esperar para ver.

Nascido na primeira década do século XX, o trailer era compilado pelos exibidores no final de cada filme (naquele tempo, os créditos passavam no início). A Paramount foi o primeiro estúdio a criar um departamento para os trailers mas depressa chegou à conclusão que uma companhia exterior faria um melhor trabalho. Na década de 20 a 60, apenas uma companhia, sediada em Nova Iorque, a National Screen Service, lidava com todo o material publicitário (incluído posters, trailers e fotos promocionais)

 

Os anos 60 trouxeram uma maior oferta cinematográfica e o cepticismo dos espectadores, cada vez mais críticos em relação às promessas vazias deixadas nos trailers demasiado superlativos e altissonantes. A partir daí, o mercado de empresas produtoras de trailers começou a florescer com uma equipa de especialistas em publicidade e marketing, aplicando técnicas de montagem utilizadas nos anúncios. Jeff Kanew, um conhecido editor de imagem responsável, pelo trailer de “A primeira Noite” (1967) de Mike Nichols, experimentou pela primeira vez o uso de música, alternando com curtas sequências de frases para assim “deixar filme falar por si”, salienta.

 

Os anos 70, marcam a introdução de trailers na televisão que acabariam por impulsionar um conceito que reina nos dias de hoje – o blockbuster. O aparecimento da MTV, nos anos 80 e a introdução de novos programas de edição de imagem e efeitos especiais nos anos que se seguiram, revolucionaram o modo como um trailer é montado. Hoje em dia, o trailer é a principal arma de marketing dos Estúdios, mais acessível que há cinco décadas atrás, tão fácil quanto clicar um link.

 

Aproveito a deixa, para deixar o mote à boa maneira de Lauro Dérmio de Herman José: “Let’s look at the trailer!”.

 

 

The Shining Redux

 

 

Titanic

 

 

Psycho

 

Schindler’s list

 

 

Fight club

 

 

Top gun

 

 

Terminator

 

 

Lion king

 

Inspiração vs Copianço

A linha que separa um conceito inspirado de um copiado é ténue, mas por vezes bem mais óbvia. Eis alguns exemplos em escrutínio e a devida sentença.

Caso 1 COPIANÇO MUSICAL.

Provas:
Oiçam com atenção a introdução com a guitarra. Para além do cantor ter ali um laivo de Bono versão escocesa, não acham os acordes de guitarra do início flagrante(mente) parecidos

Stiltskin “Inside”

com isto?

Smashing Pumpkins: “Today”

Veredicto: CULPADO! e antes que perguntem, a canção dos Smashing Pumpkins foi composta anteriormente ao único hit da banda Stiltskin. Não se esperava outra coisa do vocalista que rouba o estilo de Bono em início de carreira.

Caso 2: COPIANÇO DESCARADO
Este até me deixou de boca aberta…

Provas:
Anúncio “Dove go Fresh”

O mesmo tipo de montagem, mesmo estilo, mesmo uso intercalado de som gutural e música reflectindo o prazer. Tal e qual como surge na cena do magnífico “Requiem for a Dream” de Darren Aronofsky. Aqui, o prazer não advém de um creme duche…

Veredicto: CULPADO! (com direito a processo judicial, sem dúvida!)

Caso 3: COPIANÇO INOCENTE

Às vezes o copianço não é copianço. É coincidência.

Bloodhound and the Gang: “Fire Water Burn”

Experimentem cantar os primeiros versos: “The roof, the roof, the roof is on fire. We don’t need no water, let the mother fucker burn. Burn motherfucker, burn.” na introdução instrumental de:

Silence 4:”Borrow”

Deveras suspeito, não? O próprio autor da canção, David Fonseca, confessou serem os mesmos acordes, mas é mera coincidência. “Borrow” foi escrita quando David tinha 19 anos e dificilmente os Bloodhound and the Gang estariam na sua lista de preferências musicais.

Veredicto: INOCENTE

Caso 4: COPIANÇO NADA INOCENTE

Se anteriormente, David Fonseca é absolvido da acusação de “copianço”, no caso do recente vídeo da cover “Rocket Man”, não se livra tão facilmente de rótulo tão vergonhoso para quem cai nas boas graças da crítica. O ex frontman dos Silence 4, não clama que compôs o tema “Rocket Man” – nada disso -, porém é o realizador do vídeo que apresenta visualmente a canção ao mundo. Depois de verem com atenção o vídeo apregoado aos quatro ventos como “original”…

Provas:

David Fonseca: “Rocket Man”

Espreitem o video do sr. Mirwais (produtor do álbum “Music” de Madonna), feito há um par de anos atrás e tirem as vossas conclusões.

Veredicto: CULPADO. Conceito: artista a despir a “máscara” em sentido inverso igual.

Há artistas bem mais práticos afirmando a priori  que o seu trabalho tem fortes inspirações de artista x ou y. Ou pela estética, pelo som, pelo ambiente ou por ser algo de tal modo próximo do coração e do imaginário pessoal, inspiram o próprio trabalho. Talvez seja a honestidade que nos impede de lançar um “Je T’acuse!”, porém não é segredo para ninguém, já dizia o meu professor da cadeira de Criatividade: “Nada é original”.

Caso 5 HOMAGEM

Provas:
Dois singles da banda do actor Jared Leto, são homagens aos filmes que marcaram a sua vida. É o próprio que realiza os videoclips sob o pseudónimo Bartholomew Cubbins. (imaginação não lhe falta!).

30 Seconds To Mars: “The Kill”

A canção “The Kill” é uma evidente e declarada homagem ao filme de Stanley Kubrik: “The Shining” (e é igualmente assustador em algumas cenas). O single: “From Yesterday” é inspirado no filme de Bernardo Bertolucci: “The Last Emperor” e , igualmente, uma delícia visual e musical.

Também Paula Abdul inspirou-se no filme “Rebel Without a Cause” para o videoclip do Tema “Rush Rush”. Se Paula incarna o papel de Natalie Wood, imaginem lá quem foi convidado para representar o papel que marcou o efémero sucesso de James Dean?

Caso 6: INSPIRADO EM…

Provas:

Paula Abdul: “Rush Rush”

Veredicto: INOCENTE. Paula Abdul afirmou numa entrevista que nunca quis recriar o estilo dos actores do filme original, mas antes revelar a sua essência. Este video marcou o meu super crush pelo Keanu Reeves portanto, abençoada Paula Abdul.

Caso 7: PISCAR O OLHO

Provas

É uma expressão muito usada em cinema, quando um filme apresenta evidentes menções a outros filmes. Imagens icónicas para sempre imortalizadas no celulóide são, volta e meia recriadas, noutros projectos audiovisuais. No caso deste videoclip, Madonna recria Marilyn Monroe na célebre cena de “Gentlemen Prefer Blondes”

Madonna: “Material Girl”

Veredicto: INOCENTE. O material original pode ser recriado de mil e uma maneiras criativas que não passam pelo copianço. O tema que Marilyn canta no filme: “Diamonds are a Girls Best Friends” foi a inspiração para a cena de trapézio no filme Moulin Rouge, interpretada por Nicole Kidman. Aliás, todo o filme é um novelo criativo.

Caso 8: INSPIRAÇÃO DOS INSPIRADOS

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Michael Jackson: Trilller

O mais influente videoclip de todos os tempos, estreado na então inaugurada MTV,, não escapa a um copiançozito. Em abono da verdade, não é copianço. A cena inicial, quando Michael confessa “I’m not like any other guys, I’m different” é inspirada no filme “I was a Teenager Werewolf” com o saudoso Michael Landon.

Caso 9: INSPIRAÇÃO SUBLIMINAR

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Justin Timberlake: “I’m loving it”

O video de Justin Timberlake lembra bastante um outro de 1987 apresentando a canção de Michael Jackson “The way you make me feel”. Neste vídeo, também o cantor segue insistemente uma rapariga que curiosamente também usa o mesmo tipo de roupa daquele que se vê do video de Justin Timberlake. A geração que cresceu com ele pode nem perceber as parecenças, mas quem está na casa dos 30 e lembra bem os sucessos videográficos de Michael Jackson, percebe logo.

Veredicto: INOCENTE. Não é segredo que os jovens músicos são inspirados pelo estilo dos seus ídolos de infância.

Caso 10: PLÁGIO

Provas:

Lembram-se há uns anos atrás quando o actor Diogo Morgano escreveu e interpretou a peça “(O)PRESSÃO”, tal e qual, quase tradução do filme “Breakfast Club” de John Hughes. A barraca foi tal que a dita peça foi suspensa. Eu assisti à estreia e no fim olhei para a minha amiga que estava ao meu lado e disse:

“Isto é igual ao Breakfast Club! Será que ninguém reparou ou está algures escrito no programa que a peça é inspirada no filme?!?!”

O blog Ceú sobre Berlim relembra este caso. Leiam com atenção a entrevista que Diogo Morgado cedeu à Revista Focus.

Veredicto: CULPADO elevado à 10ª e ingénuo. Curioso como o Diogo Morgado conseguiu escapar incólume a este acto vergonhoso, parece que o rapazinho foi perdoado quando interpretou o vingador “Alexandre Dumas” em Vingança. Ao menos a novela mencionava que é uma adaptação de uma novela sul americana. Nada como fazer as coisas às claras, não?