Instrumental por Medida

Com a proliferação das redes sociais e as ferramentas da internet, o trailer cinematografico tem adquirido uma importância primordial. O Mixtape à fez uma genealogia ao dito que vale a pena reler, mas no momento chamo a vossa atenção para um detalhe particular. A trilha sonora. Já repararam no carácter épico dos trailers? Como quase ficam sem fôlego ao observar uma exacerbada movimentação de imagens apoiadas por uma trilha sonora que faz tilintar o coração dentro da caixa torácica e arregalar os olhos de entusiasmo? Não é um acaso inocente, a chave é o instrumental que os acompanha. Se antes, um trailer emprestava a sua trilha sonora de um filme já estreado, actualmente, e cada vez mais, os estúdios recorrem a casas de música especializadas, cuja função é musicalizarem, em níveis épicos os trailers. Uma dessas casas chama-se Audiomachine e a colectânea que se segue explica porque se tornou o meu tesouro musical.
Audiomachine é uma casa especializada em criar música instrumental para fins comerciais. Com base em Hollywod, foi fundada em 2005 e depressa se tornou a escolha dos produtores para musicar os seus trailers. Descobri-os por acaso no youtube ao pesquisar o paradeiro de um instrumental usado num tributo cinematográfico. Aquele link, levou-me a muitos outros e a incessante busca pela identidade de tal colectivo musical e o paradeiro dos seus álbuns, levou-me à descoberta de algo iluminado.

O meu gosto pelo instrumental nasceu dos filmes que via em pequena, a música exprimia os sentimentos da acção que decorria sem ser necessário ler legendas. Uma orquestra com prolíferas secções de cordas, possante percussão e uma linha de coro ou cânticos, buscando inspiração de civilizações antigas, são a minha perdição e os Audiomachine são especializados nisso mesmo. Níveis épicos de êxtase musical ao nosso serviço. Canções que aumentam o nosso nível de euforia, ao ponto de liderar a revolução que se avizinha. Pronto, exagero, mas é verdade que os Audiomachine são sinónimo de euforia, o que os estudiosos classificam como uma nova tendência, o “narcótico musical”. Se não acreditam, oiçam. Façam-no com os auscultadores ao máximo, ou ligados à aparelhagem lá de casa com o corpo encostado às colunas.

Se os temas vos soarem familiares, não será coincidência, possivelmente recordam-se deles de visionamentos de trailers recentes. Podem adquirir os temas da casa Audiomachine pelo iTunes ou através do site.

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Sistema de Arquivo

Em três anos de existência de Mixtape, surpreende-me como o sistema de arquivo, assunto de obrigatória menção para qualquer alma croma, ainda não foi abordado. Pode parecer mundano e frívolo, porém desenganem-se aqueles que não têm o impulso do coleccionismo audiovisual a correr no seu sangue. É matéria de primordial importância e, sendo mais cinéfila que melómana, vou debruçar-me pela emblemática da arrumação de filmes na estante. Atentem à minha sugestão.

Ao contrário dos CDs (ou vinil, se são puristas), os filmes apresentam um desafio no que diz respeito ao seu título. Optamos pelo fiável sistema alfabético quanto ao título original ou ao português? Ignoramos os artigos “A (s)”, “O(s)”? Separamos os filmes pelo seu género e se sim, o que fazer com os sub-géneros. “Birds” de Hitchcock: suspense ou terror? “50/50” comédia ou drama? Estão a ver o imbróglio?…

Quando adquiri o meu leitor, tendo uma magra variedade de títulos, ia a casa do meu amigo Marco escolher DVDs da sua ampla colecção. Chamava-lhe “Marcoteca” e era o equivalente cinéfilo a estar numa loja de doces a la carte. O problema, e porque os filmes não estavam alinhados por nenhuma ordem, tinha de percorrer TODOS os títulos de cima para baixo, direita para esquerda.

Acumulando a actividade de crítico de DVDs na revista Premiere, o Marco todas as semanas recebia uma remessa nova de títulos, enchendo ainda mais a estante e levando-me ao limite da cegueira cada vez que procurava as novidades. Não seria mais fácil perguntar, quais os novos filmes adquiridos? Claro que sim mas, por mais meticuloso que o Marco fosse, boa memória não era uma virtude sua. O único indício de método de arquivo na Marcoteca era o cantinho dedicado à actriz Angelina Jolie, tirando esta subjectiva categoria, o método era “Tudo ao molho e fé em Deus!”

A minha colecção actualmente é bem mais modesta que a do Marco, mas à medida que os títulos se acumularam comecei a pensar qual seria o melhor método de arquivo tendo em conta a problemática descrita em cima. Pois bem, encontrei um que, embora infalível, apenas funciona em estantes de cinéfilos convictos.

Ei-lo: Ordem cronológica da data de estreia. Dos filmes mais antigos (prateleira de baixo), aos mais recentes (prateleira de cima). EUREKA!

Genial, não? Mesmo que sejam DVDs encomendados no estrangeiro com o título original ou lançamentos portugueses, o denominador comum a todos é a data de estreia. E mesmo que sejam inéditos em Portugal, podem sempre contar com a data de lançamento impressa na contra capa do DVD. Se querem ser mais meticulosos (leia-se picuinhas) Podem até ordenar alfabeticamente os títulos dentro da ordem cronológica ascendente. Façam alas por décadas (70, 80, 90 etc..) se as vossas colecções são mais modestas ou se os vossos cérebros não fixam bem datas.

O método cronológico é eficiente e poupa tempo. Espalhem a palavra, sejam cinéfilos organizados. Qualquer dúvida, vejam a Bíblia cinéfila IMDB.