Catedrais de Cinema

Aproveitando a reposição do filme de Giuseppe Tornatore, o belíssimo  «Nuovo Cinema Paradiso« que comemora o seu 30º aniversário, o Mixtape puxa os galões da nostalgia cinematográfica, sob forma fotográfica. Passo a explicar.

Em 2002, o gosto pelo Cinema, foi o mote para fotografar as salas de cinema que, não só ajudaram a moldar o meu amor pelo cinema, como representam recintos onde se respira História. Na última década, faustosas salas como o São Jorge, Tivoli ou Condes fecharam as portas e foram substituídas, nos hábitos dos cinéfilos, por (odiosos) complexos multiplexes, mas não nos seus corações. Algumas dessas salas protagonizaram um condigno comeback para mostrar que a 7ª arte é devidamente apreciada nas catedrais que a respeitam e perpetuam o seu legado.

Das salas de cinema protagonistas deste slideshow: Cinemateca Portuguesa, Cinema São Jorge, Tivoli e Sala Foz (Cinemateca Júnior), apenas o Tivoli suspendeu a sua exibição cinematográfica, embora perdure como sala de teatro As restantes passam filmes a título comercial (a Cinemateca) e o São Jorge filmes em circuito de festival

Até podia ser um pretexto para compilar o top: 5 razões porque detesto multiplexes, mas penso que o meu tributo fotográfico às belíssimas salas de cinema de outrora – aquelas que ainda permanecem de portas abertas, é prova irrefutável da minha apaixonada dedicação a esta salas. Também a letra da música que acompanha o slideshow diz tudo sem que precise acrescentar mais nada. Apenas isto, não existem downloads gratuitos, dvds, televisão, canais temáticos por cabo que me retirem a emoção de assistir a um filme numa sala de cinema.

Duas salas de cinema contribuíram para moldar a minha cinefilia na infância e que foram os meus Cinemas Paradiso: O cinema Nina e sala da Sociedade Recreativa da Amora S.F.O.A. A sala Nina , a 400 metros da minha casa foi, indiscutivelmente, aquela que mais relevância teve por ser um capítulo importante da minha infância /adolescência. A notícia do seu encerramento deixou tristeza,  (mais um cinema local que encerra as portas para dar lugar aos odiosos multiplexes na periferia das localidades). O que era uma referência física passou a existir apenas como uma recordação do meu imaginário.

Não consigo precisar com factualidade o ano de abertura do cinema mas lembro-me de cada momento que ali passei. Ao longo de mais de duas décadas a sala de cinema, parte integrante do mini centro comercial com reputação duvidosa foi um ponto de referência, refúgio, escape, ponto de encontro e pausa para apreciar os deliciosos croissants com doce de ovos no intervalo de cada sessão.

Primeiro foram as manhãs infantis. Às 11h, lá estava para recordar os velhos (para mim, novos) clássicos da Disney – na altura dobrados em brasileiro. No início assistia aos filmes com a minha mãe, algum tempo depois, implorava para ela me deixar ir sozinha – só mesmo os miúdos têm pachorra para ir ao cinema às 11h da manhã. Seguiram-se as matinés com os amigos, a transição entre desenhos animados e imagem real.

Não tenho qualquer  registo fotográfico da sala de cinema Nina (inaugurada como Cinema Lord), apenas a colecção de canhotos dos bilhetes (com a devida classificação crítica em estrelas) mas em visita à S.F.O.A deparei-me com a possibilidade de fotografar a sala de projecção, presa num tempo onde o filme em película reinava. Ali, naquela sala, conservam-se as memórias de um tempo áureo da projecção cinematográfica e adorei fotografar cada uma delas.

 

 

 

 

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Poesia para embalar os ouvidos

Para esta que vos escreve, a prosa é mais estimada que a poesia que comemora no dia 21 de Março. Já sendo declamada por vozes que deliciam já é outro assunto. Partilho convosco a playlist que está nos meus favoritos de reprodução, lista de poemas declamados que amiúde me embalam para dormir. E, sendo a canção uma forma de poesia (o Nobel de literatura Bob Dylan, atesta isso mesmo, estão incluídas duas canções de gerações diferentes declamadas pelo actor Albano Jerónimo  numa iniciativa da estação de rádio, Antena3. Na foto o último verso do poema 14 de Pablo Neruda.

  1. Do Not Go Gentle Into That Goodnight leitura de Richard Burton poema de Dylan Thomas

  2. As I Walked Out One Evening by Tom Hiddleston, poema de W H Auden.
  3.  Mata Me Outra Vez leitura de Albano Jerónimo, canção de Ornatos violeta

  4.  Beijos e Papas de Leite leitura de Albano Jerónimo, canção  de Jorge Palma

  5.  Talking in Bed by Tom Hiddleston, poema de Philip Larkin

  6.  Trecho do Livro Água Rosa de Clarice Lispector, leitura de Wagner Moura

  7.   May I Feel Said He leitura de Tom Hiddleston poema de E E Cummings

  8.  Desiderata leitura de Tom Hiddleston

    poema de Max Ehrmann

 

 

Audições para o novo coelho da Páscoa

Com a proximidade da Páscoa, o Mixtape faz um exercício cinéfilo sob a premissa de encontrar o novo rosto do coelhinho da Páscoa. Como? Avaliando as audições de cinco coelhos do imaginário do cinema. Sentem-se no banco do júri e avaliem os vossos favoritos.
Roger Rabbit
(Who Framed Roger Rabbit)

“My whole purpose in life is to make… people… laugh!”

Perfil: Actor Animado, especializado em comédia screwball. Baixo, pêlo branco, com poupa ruiva, olhos azuis e um genuíno brincalhão. Casado com Jessica Rabbit.

Prós: É um coelho do Show biz, um profissional treinado para entreter as massas (especialmente crianças) e tem a ajuda da sensual esposa Jessica Rabbit na distribuição dos ovos de chocolate, algo que fará igualmente as delícias dos pais das criancinhas.

Contras: Tendo em conta o nível de ansiedade de Roger, o mais provável seria os ovos de Páscoa ficarem pelo caminho ou serem todos ingeridos pelo frenético coelho.

Bugs Bunny
(Looney Toons)

“What’s up, Doc?”

Perfil: Desenho animado, trabalha para a Looney Toons. Espertalhão, sabichão, versátil. Espadaúdo, pêlo cinzento e olhos castanhos, tem dois inimigos figadais: Yosemite Sam e Elmer Fudd. Gosta de roer uma cenoura

Prós: Bugs Bunny é um coelho vivido e viajado, safa-se bem de apertos e é imaginativo. Para além de ovos de chocolate e amêndoas, pode igualmente distribuir uns palitos de cenoura que é uma opção mais saudável.

Contras: Tendo em conta o seu fraco sentido de orientação debaixo da terra, é melhor mantê-lo acima do solo. Trazer Yosemite Sam e Elmer Fudd no encalço é meio chato, mas sem dúvida divertirá as crianças que acharão piada ao farfalhudo bidode de um, e a estranha fonética do outro.

Frank
(Donnie Darko)

 “You’re in great danger”

Perfil: Alucinação representando a voz de um futuro tenebroso. Alto, soturno, rosto coberto por máscara horripilante de dentes e órbitas dos olhos salientes.

Prós: Óptimo para corrigir crianças birrentas, armadas ao pingarelho.

Contras: Espanta a criançada o que resultaria numa acumulação de ovos de chocolate e amêndoas, mas poderiam ser distribuídas por instituições de caridade. Não tem uma máscara apelativa para espalhar a mensagem cristã da ressurreição de Cristo.

M.A.U
(videoclip “Prick (I am)

Perfil:Homem com fato de coelho em peluche de cor azul. Esguio e rápido com embaraçantes movimentos pélvicos. Parco nas palavras.

Prós: É um coelho energético sob a capa de coelho amoroso e engraçado. Transmite, com sucesso, a imagem de fertilidade, a razão por que o coelho foi escolhido como  a representação da Páscoa.

Contras: Risco eminente de ser acusado de exposição indecente e perturbar a santa paz da Páscoa.

White Rabbit
(Alice in Wonderland)

“I’m late!”

Perfil: Desenho animado. Um coelho sénior de pêlo branco, bem-falante, bem vestido e bem articulado. Usa óculos. Implementa na sua indumentária o chapéu-de-chuva e relógio de bolso  que lhe confere um ar british e precavido.

Prós: Aspecto exemplar, pés ligeiros e chave para a entrada no Pais das Maravilhas

Contras: Está sempre atrasado e por isso há o risco de apenas estar disponível no feriado do Dia do Trabalhador. A idade pesa.

Quentin Tarantino- Master of Cameo

Antes de ser realizador /guionista, Quentin Tarantino tentou a sorte como actor e, apesar da sua carreira de interprete não o ter levado muito além, o rapaz até tem jeito, especialmente quando faz dele próprio, divagando sobre cinefilia. Tarantino não é o único realizador a fazer pequenos cameos nos seus filmes mas é, talvez, aquele que mais participações tem fora deles. São essas participações que nos vamos concentrar, por ordem cronológica

Reza a lenda que Quentin mentiu no seu currículo para conseguir papéis, sublinhando a sua participação no filme de 1978 «Dawn of the Dead» de George A. Romero e «King Lear» de Jean-Luc Goddard, filmes à margem de Hollywood. A sua primeira experiência como actor foi numa curta-metragem realizada e escrita por si em 1987, «My Best Friend’s Birthday» quando ainda trabalhava na loja de aluguer de vídeo. Curiosamente, os restantes actores da curta foram os seus colegas de trabalho. A curta nunca foi lançada, mas está na web uma cópia demo onde se reconhecem alguns excertos que foram incluídos no primeiro guião de Tarantino a ser filmado, «True Romance», realizado por Tony Scott..

Em entrevista no programa «Charlie Rose», pela altura da estreia de «Jackie Brown» Tarantino fala sobre o seu gosto em representar e como foi esse o seu começo (no vídeo a partir do minuto 1m23).

Golden Girls (TV 1988)
Personagem: Imitador de Elvis Presley (a descrição explica tudo).

Eddie Presley
Jeff Burr
Personagem: Funcionário de um asilo.


Nota-se uma predilecção pela temática Elvis Presley. Não é segredo que o realizado é um grande fã de Elvis.
All American Girl (TV 1994)
Personagem: Sid.

Neste episódio que retrata a vida de uma família coreana na América, Tarantino é um fornecedor de filmes VHS que mostra interesse pela filha do casal. O episódio tem imensas referências ao filme «Pulp Fiction». e a sua presença é um grande piscar de olho à sua obra.

Sleep With Me (1994)
De Rory Kelly
Personagem: Sid
Em conversa com alguém numa festa, Quentin é basicamente ele próprio discutindo o significado subentendido do filme Top Gun.

Desperado (1995)
De Robert Rodriguez
Personagem: No filme realizado pelo seu irmão do coração, como diz ele, Tarantino é um género de intermediário que aparece num bar a contar uma piada.

Destiny Turns on the Radio (1995)
De Jack Baran
Personagem: Johnny Destiny.
Começa com Quentin a dar boleia ao protagonista e depois coisas estranhas acontecem, incluindo a cena do realizador a sair de uma piscina para ser atingido por um raio laser…


Somebody to Love (1996)
De Alexandre Rockwell
Personagem: Empregado de bar que se adivinha falador, em vez de bom ouvinte como todos os empregados de bar.

From Dusk Til Dawn (1996)
De Robert Rodriguez
Personagem: Richard Gecko.

Tarantino contracena com George Clooney, interpretando o seu irmão com um certo problema de manter a calma.
Little Nicky (2000)
De Steven Brill
Personagem: é um padre cego que dá sermões na rua.
Depois deste papel saiu um pouco de circulação representativa, excepto nos seus filmes, mas não sem antes experimentar um pouco de comédia slapstick.

Alias (TV 2002)
Personagem: McKennas Cole.
Tarantino é um ex agente renegado que enfrenta a organização governamental de Sidney Bristow.

The Muppets Wizard of Oz (Telefime 2005)
De Kirk R.Thatcher
Personagem: o realizador que interpreta um realizador que faz uma apresentação de um filme com os Marretas

Planet Terror (2007)
Robert Rodriguez
Personagem: no IMDB está creditado como violador #1, Carne para canhão zombie. Terror de série B é a praia de Tarantino e os monólogos onde o cinema é o tema principal, também


Sukiyaky Western Django (2007)
De Takashi Miike
Personagem:Piringo.
O realizador está como um peixe na água interpretando um pistoleiro solitário, ocidental, no meio do universo oriental dos mestres de espadas samurai.

 

Mulher canta Mulher

Dia 8 de Março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher e aqui no nosso cantinho vamos celebrá-lo com música feita por elas. Canções de Mulheres influentes e influenciadoras no mundo da música ao longo dos tempos.

Mulheres que cantam sobre ser mulher, sobre o que querem, o que sentem, o que desejam, como se apaixonam. Cantam sobre a condição da mulher em particular, o abuso, a discriminação, o desrespeito. Mulheres que cantam sobre o respeito que merecem e que ainda não é partilhado por todas as nações, de outro modo não haveria necessidade para comemorar este dia que marca a luta pelos seus direitos e o seu lugar no mundo.

Playlist:Mulher

  1.  Nina Simone: Four Women
  2. Aretha Franklyn: Respect
  3. Leslie Gore: You Don’t Owe Me
  4. Helen Reddy: I Am Woman
  5. Chaka Khan: I’m Every Woman
  6. Cindy Lauper: Girls just Wanna Have Fun
  7. Eurythmics: Sisters Are Doing it for Themselves
  8. Janet Jackson: Nasty
  9. Tori Amos: Cornflake Girl
  10. No Doubt: I’m Just a Girl
  11. Clã: Lado Esquerdo
  12.  Alicia Keys: Girl On Fire
  13. Beyoncé: If I were a Boy
  14.  Simone: Desfolhada
  15. Patti Smith: Gloria
  16. Neneh Cherry: Woman
  17. Elis Regina: Maria Maria

Radio Gaga

Não se assustem, não foi inaugurada nenhuma estação de rádio dedicada a passar o reportório da cantora Lady Gaga, que curiosamente, escolheu o seu nome de baptismo pop na canção dos Queen. No dia que se comemora a Rádio, sendo eu fã incondicional de rádio logo pela manhã, o Mixtape escolhe uma selecção especial para os fãs das ondas de rádio AM/FM.

Confesso, sou daquelas pessoas que acorda bem-disposta de manhã. A razão desse estado de espírito matinal está no acto de ligar o rádio no meu programa favorito. Não é só a música que passa pelas ondas de rádio que me faz bem-disposta, os animadores da rádio, representam um papel crucial. Todas as manhã, o rotineiro acto de tomar o pequeno-almoço, preparar para sair, correr para os transportes, fica mais animado na companhia dos nossos animadores de eleição.

Não é só pela manhã que a rádio me acompanha. Os programa de autor das estações de rádio imperavam na noite em que o mais solitário dos indivíduos se sente acompanhado. O programa da Antena 3 “Drive In” de Álvaro Costa foi o meu salva vidas durante muitas noites dos anos universitários. No tempo que passei na Escócia durante o programa Erasmus, ouvia rádio logo pela manhã, por mais miserável que me sentisse dado as saudades do país natal, aquelas manhãs radiofónicas ajudavam a levantar-me pela manhã com um sorriso nos lábios – nem que fosse pela risota de tentar desvendar o indecifrável dialecto de glasgow.

Ontem e hoje, a rádio continua a representar um papel importante no dia-a-dia e merece o seu dia oficial.

  1. Queen: Radio Gaga
  2. R.E.M: Radio Song
  3. Bruce Springsteen: Radio Nowhere
  4. The Buggles: Video Killed the Radio Star
  5. The Clash: Radio Clash
  6. X-Wife: On the Radio
  7. Queens of th Stone Age: God is on the Radio

A TODOS UM BOM NATAL

Quem não se lembra da canção natalícia, marca registada do Coro de Santo Amaro de Oeiras? Martelava (e ainda martela) incessantemente nos nossos ouvidos assim que arrancam as festividades. Este ano, podem ter maior variedade. O Mixtape oferece a Banda Sonora para o Natal, garantia absoluta de vos colocar em boa disposição durante a tortuosa caminhada até o Dia N.

Prometo que nesta playlist não encontram o Coro de Santo Amaro de Oeiras, mas hits natalícios do Espírito do Natal Passado de várias décadas, o Espírito do Natal Animado e tresloucado e singles natalícios de Estrelas Pop unidas contra a Pobreza.
A todos os seguidores do Mixtape

FELIZ NATAL E OS VOTOS MIXADOS DE BOM ANO!

Playlist: XMAS I

  1. Mariah Carrey: All I Want for Christmas is You
  2. U2: Baby, Please Come Home
  3. Bobby Helms: Jingle Bell Rock
  4. Brenda Lee: Rocking Around the Christmas Tree
  5. Madonna: Santa Baby
  6. Nightmare Before Christmas BSO: What’s This?
  7. Frank Sinatra: Have Yourself a Merry Little Christmas
  8. Frank Sinatra: Let it Snow
  9. Paul McCartney: We all Stand Together
  10. John Lennon: So This is Christmas?
  11. Band Aid: Do They Know is Christmas?
  12. Wham: Last Christmas
  13. John Dever & The Muppets: We Wish You a Merry Christmas
  14. Mariah Carey: Santa Claus is Coming to Town