Quando o Cinema faz Búu

Com o Dia das Bruxas à porta, os filmes de terror ganham honras de Estado, desaparecendo das prateleiras dos clubes de aluguer, propagando-se pela televisão, tornando-se a fonte de inspiração para fatos de máscaras feitos para assustar todo energúmeno que se atreva a recusar oferecer doces. A verdade é que, em terras cristãs, a atenção recai no pacato feriado de todos-os-santos, mas o fascínio pelo imaginário do terror ganha outra dimensão na noite de Halloween.

Vinda da geração em que o género terror emergiu do círculo de culto para o sucesso comercial – elevando personagens de terror como Michael Myers (Halloween, 1978), Jason (Sexta feira 13, 1980) Freddy Krueger (Pesadelo em Elm Street, 1984), Chucky (Boneco Assassino, 1988) a intermináveis sagas de terror que duram…duram…duram – é uma incógnita porque os filmes de terror são incapazes de suscitar o meu interesse.

Ouvia com repulsa, os relatos horripilantes destes filmes contadas pelo meu (mais velho) vizinho do rés-do-chão que respirava filmes de terror por todos os poros. Enfim, aos 10 anos de idade, não é de todo estapafúrdio uma miúda, fã de musicais, comédias românticas e filmes de aventura, abominar a imagem de um tresloucado com máscara de ski que esfaqueia virgens em série. Ainda que para fins de entretenimento…

A diversidade de filmes visionados ao longo dos anos, provou que a classificação terror assume registos e nuances mais complexos e abrangentes que uma ilustração estereotipada de ambientes sombrios, sangue, vísceras e objectos cortantes. Basicamente, tudo o que nos assusta e acciona sensações desconfortáveis no nosso consciente (e inconsciente) alimentando as enzimas do medo e susto qualifica-se. Até partilho a opinião de Stephen King ao confessar “A imagem dos palhaços assusta-me!”.

Sabem o que também me assusta?…

Eis 10 bons exemplos de cenas mais assustadoras do cinema tendo em conta que dilataram as pupilas dos meus olhos ao máximo, arrepiaram os pêlos do meu braço, elevaram o meu traseiro do assento e afundaram o meu rosto dentro da gola do camisolão.

MEDO!MEDO!

Nota: as imagens podem conter “spoilers“.

COMPANY OF WOLVES

É irónico como a incauta visão da minha primeira cena de terror, aos 10 anos , foi proporcionada pela cópia pirata do filme infantil “A História Interminável”. Quem diria que, escamoteado em tão mágico e inocente filme, estaria a cena final de “A Companhia dos Lobos”, no exacto momento que a carne de um homem se rasga para dar lugar a um lobo. A imagem apanhou-me totalmente desprevenida e foi de tal modo chocante que nem me consegui mexer, incapaz de desligar o televisor.

DEAD ZONE

Qualquer cena que mostra um objecto cortante e sangue arrepia-me a espinha. Só de olhar para esta imagem só me vem o vómito imaginando o cheiro do sangue com a água. Agora imagine-se ver a cena em que o assassino se suicida com uma tesoura aberta espetada na boca, quando se tem 12 anos de idade.

CARRIE

A maneira como é filmado e o sangue que corre neste filme é deveras tenebroso. Quem consegue fazer da primeira menstruação, um acena de horror, tem mérito, caramba. Mas a cena mais assustadora, muito mais que a cena do baile de finalistas em que a doce Carrie mata tudo e todos à frente, é a cena final que mesmo morta e enterrada, continua a assustar a pobre Amy Irving.

BIRDS

 

Hitchcock no seu melhor. Quem consegue fazer um filme de terror com doces passarinhos é, sem dúvida um mestre do suspense. Vi o filme quando era novinha e impressionou-me bastante. Hoje em dia talvez não assuste, mas – um clássico é um clássico.

ALIENS

Durante muitos anos não vi esta cena, só a mera menção a esta me deixava agoniada. Já mais velha, ainda a vejo com algum susto. Mesmo que a gosma seja de silicone, aquele alien a rasgar o estômago do pobre John Hurt impressiona.

SILENCE OF THE LAMBS

Imaginem ver a cena da foto em que o Hannibal foge da cela deixando para trás um anjo de “pele” com uma gata que vos aterra no colo vinda sabe-se lá de onde. Mandei um berro que se ouviu ao longe. O que vale é que estava em casa…

THE SHINING

Só o pio do pianinho neste filme é o suficiente para me arrepiar a pele, imagine-se tudo o resto e a voz do miúdo a berrar “REDRUM!” brrrrrrrrrrrrrrr

BLAIR WITCH PROJECT

Mesmo sabendo que era um mito “fabricado” e que cada momento foi meticulosamente criado por dois realizadores que massacraram os actores até quase os matarem de susto, eu fiquei horrorizada. Porquê? Bosque em noite cerrada, só a ideia me deixa com MUITO MEDO! A forma como é filmado atinge em cheio o genezinho do horror, pelo menos o meu. Não só porque vemos o terror espelhado no rosto dos actores, mas porque a ideia de estar num bosque escuro como breu deixa-me totalmente HORRORIZADA.

TWIN PEAKS

Na verdade o Killer Bob não povoa o formato cinema, apesar de emergir do imaginário de David Lynch, mas basta olhar para a imagem do assassino de Laura Palmer da série Twin Peaks para desencadear pesadelos vários.

SEVEN

É incrível como um filme que não tem violência explícita e figurando um muito sexy Brad Pitt, pode assustar de tal modo que durante 1 ano nem consegui olhar para a cara de Kevin Spacey (Juro!) Não só isso, como nunca mais consegui ver o filme. Na cena do crime do pecado da “Preguiça”, quando um muito decomposto homenzinho, larga uma exclamação de agonia perante o olhar incrédulo da polícia de intervenção, eu dei um pulo tão grande da cadeira que nem sei como não me deu um ataque cardíaco logo ali.

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Eu, Cameo

Para aqueles que não são versados na gíria cinematográfica, explico que um cameo diz respeito a uma pequena participação surpresa de um protagonista das artes num programa de tv, filme ou vídeo musical. A linha que separa a participação cameo de uma participação especial é ténue, mas diferenciada pela inclusão do nome do artista nos créditos iniciais (de outro modo estragaria a surpresa, não é verdade?). Que comece o compêndio de cameos.

Alguns cameos são presenças sem falas, outros têm diálogo ou uma frase. Alguns representam-se a si próprios numa realidade alternativa, outros surgem como personagens que desempenharam em filmes ou séries de tv que de algum modo estão ligados ao contexto. Não há limites nem regras, é um pouco vale tudo, desde que contenha o elemento surpresa e o efeito cómico também. Alfred Hitchcock foi um dos primeiros cineastas a explorar esta coisa do cameo, surgindo amiúde nos seus filmes.
Bruce Willis
“Mad About You” (TV)

No episódio em que Jamie dá entrada no hospital para ter o bebé, Paul embarca numa odisseia para trazer a aliança da esposa que ficou esquecida no apartamento. Ao regressar depara-se com um aparatoso dispositivo de segurança devido à hospitalização de Bruce Willis depois de um acidente na filmagem do seu último filme: “Die Already”. Uma clara graçola à franchise, com a conivência de Willis (na altura a filmar “Doze Macacos”), absolutamente hilariante, satirizando o seu personagem do durão desbocado John Maclaine.

Anos mais tarde, Willis participa, como ele próprio, em “Ocean’s 13“, confrontando-se com a personagem Tessa, protagonizada por Julia Roberts, fazendo-se passar por…. Julia Roberts! Sim, é confuso, mas bem explicadinho soa assim: Julia Roberts interpreta a personagem de Tessa que, levando a cabo, um esquema, faz-se passar pela actriz Julia Roberts.

Pearl Jam
“Singles”

A carta de Amor de Cameron Crowe à cidade de Seattle resulta numa extraordinária banda sonora que, não só reflecte a década de noventa, como inclui participações dos músicos que definiram a cena musical de Seattle. A mais curiosa, os três elementos dos Pearl Jam, aqui como companheiros da banda de Cliff (Matt Dillon), os Citizien Dick. Outros cameos incluem, o próprio realizador, Chris Cornell dos Soundgarden e Tim Burton.

Bruce Springsteen
“High Fidelity”

Quando Rob Gordon (Cusack) deambula sobre a possibilidade de falar com todas as suas ex-namoradas para perceber o que falha nas suas relações, remete para uma canção de Bruce Springsteen. Qual não é o nosso espanto quando o Boss, ele próprio, improvisa pérolas de sabedoria dedilhando a sua guitarra.

Alice Cooper
“Wayne’s World”

Quando se fala em Alice Cooper, imaginamos algo decadente, macabro, obscuro e até sanguinário. Quando Wayne e Garth, de acreditação Livre Acesso em riste, entram no camarim de Cooper, não estão preparados para a presença serena e algo didáctica de tão visualmente assustador performer. E nós também não, daí a piada. A realizadora Penelope Spheeris confessou que, inicialmente pensou, em Ozzy Osbourne para o papel, mas este rejeitou. O futuro ditaria que o público veria igualmente Ozzy num ângulo bem diferente daquele que estamos habituados.

Steven Spielberg, Tom Cruise, Gwyneth Paltrow, Britney Spears, Kevin Spacey, Danny DeVito
“Austin Powers – Golden Member”

A predilecção das aventuras do espião Austin Powers, está na justificação para a incrível parada de artistas que brindam os créditos iniciais do terceiro filme da saga Austin Powers. Primeiro um spoof do spoof que são as aventuras do espião de Sua Majestade preso da década errada. De seguida de um making of com direito a ver os seios de Britney Spears a disparar rajadas de munição.

Harrison Ford
“E.T – Extra – Terrestrial”

Aqui está um cameo muito bem disfarçado, são poucos os que reconhecem a figura e voz de Harrison Ford como o professor de Elliot na sequência da dissecação dos sapos. Ford aparecia noutra cena, que acabou por ser cortada, mas pode ser vista no DVD.

Cher
“Will & Grace” (TV)

Esta série teve inúmeras e frutíferas participações especiais, ou os actores protagonizavam personagens ou interpretam si mesmas. Este cameo de Cher é inesperado e não seria o único na série. Engraçado como Jack, fã número um de Cher, a ignora por completo, tomando-a por um travesti muito bem disfarçado.

Matt Damon Ben Affleck Gus Van Sant
“Jay & Silent Bob”

O filme é mau e talvez Matt Damon e Ben Affleck o soubessem mas, como o primeiro diz no filme “quem manda dever favores a amigos?!”. Este é o melhor momento do filme. A cena diz respeito à filmagem de uma suposta sequela de “Good Will Hunting”, dirigida (ou não) por Gus Van Sant.

Robert Patrick
“Wayne’s World”


Um bom exemplo de cameo, com Robert Patrick a bisar a arrepiante personagem de T1000 em Terminator – Judgment Day que ainda estava fresquinha na memória dos espectadores aquando a estreia de Wayne’s World em 1992.

Brad Pitt & Matt Damon
“Confessions of a Dangerous Mind”

O poder de influência de George Clooney, não só consegue contratar Julia Roberts por uma nota de 20 dólares, como “pesca” estes dois belos cromos, na realização do seu primeiro filme.

Michael Jackson
Men in Black

Michael Jackson, um alien a requisitar um lugar como agente MIB. Realidade ou ficção?! Apenas um cameo muito bem pensado.

Keith Richards
“Pirates of the Caribbean – At World’s End”

Quando Johnny Deep confessou ter baseado o seu personagem de Jack Sparrow no legendário guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, estava longe de imaginar que ele aceitaria interpretar o seu pai no terceiro filme da saga Piratas das Caraíbas. Quanto ao espectador, foi uma surpresa já anunciada, mas talvez a surpresa maior foi saber que Richards partiu a cabeça ao cair de um coqueiro quando estava no local da filmagem. Há pessoas que mais parecem personagens de filme e Keith Richards é uma dessas pessoas.

Marshall McLuhan
“Annie Hall”

O que faz um estudioso da comunicação num filme de Woody Allen? Ajuda a provar um ponto de vista. Parafraseando Woody Allen ” Se ao menos a vida real fosse assim…”

Michael Jackson: Liberian Girl (Video clip)

O obsceno número de cameos no videoclip de um dos singles do álbum Bad, não só impede a menção a todos os artistas (cantores, actores, realizadores, produtores) nele incluídos, como me atrevo a caracterizar este clip como um enorme cameo em forma de vídeclip.

Os realizadores, volta e meia, gostam de meter uma perninha na interpretação, ou por piada ou por falta de casting. Peter Jackson é daqueles que raramente falha um cameo.

Também Martin Scorcese

Audições para o novo coelho da Páscoa

Com a proximidade da Páscoa, o Mixtape faz um exercício cinéfilo sob a premissa de encontrar o novo rosto do coelhinho da Páscoa. Como? Avaliando as audições de cinco coelhos do imaginário do cinema. Sentem-se no banco do júri e avaliem os vossos favoritos.
Roger Rabbit
(Who Framed Roger Rabbit)

“My whole purpose in life is to make… people… laugh!”

Perfil: Actor Animado, especializado em comédia screwball. Baixo, pêlo branco, com poupa ruiva, olhos azuis e um genuíno brincalhão. Casado com Jessica Rabbit.

Prós: É um coelho do Show biz, um profissional treinado para entreter as massas (especialmente crianças) e tem a ajuda da sensual esposa Jessica Rabbit na distribuição dos ovos de chocolate, algo que fará igualmente as delícias dos pais das criancinhas.

Contras: Tendo em conta o nível de ansiedade de Roger, o mais provável seria os ovos de Páscoa ficarem pelo caminho ou serem todos ingeridos pelo frenético coelho.

Bugs Bunny
(Looney Toons)

“What’s up, Doc?”

Perfil: Desenho animado, trabalha para a Looney Toons. Espertalhão, sabichão, versátil. Espadaúdo, pêlo cinzento e olhos castanhos, tem dois inimigos figadais: Yosemite Sam e Elmer Fudd. Gosta de roer uma cenoura

Prós: Bugs Bunny é um coelho vivido e viajado, safa-se bem de apertos e é imaginativo. Para além de ovos de chocolate e amêndoas, pode igualmente distribuir uns palitos de cenoura que é uma opção mais saudável.

Contras: Tendo em conta o seu fraco sentido de orientação debaixo da terra, é melhor mantê-lo acima do solo. Trazer Yosemite Sam e Elmer Fudd no encalço é meio chato, mas sem dúvida divertirá as crianças que acharão piada ao farfalhudo bidode de um, e a estranha fonética do outro.

Frank
(Donnie Darko)

 “You’re in great danger”

Perfil: Alucinação representando a voz de um futuro tenebroso. Alto, soturno, rosto coberto por máscara horripilante de dentes e órbitas dos olhos salientes.

Prós: Óptimo para corrigir crianças birrentas, armadas ao pingarelho.

Contras: Espanta a criançada o que resultaria numa acumulação de ovos de chocolate e amêndoas, mas poderiam ser distribuídas por instituições de caridade. Não tem uma máscara apelativa para espalhar a mensagem cristã da ressurreição de Cristo.

M.A.U
(videoclip “Prick (I am)

Perfil:Homem com fato de coelho em peluche de cor azul. Esguio e rápido com embaraçantes movimentos pélvicos. Parco nas palavras.

Prós: É um coelho energético sob a capa de coelho amoroso e engraçado. Transmite, com sucesso, a imagem de fertilidade, a razão por que o coelho foi escolhido como  a representação da Páscoa.

Contras: Risco eminente de ser acusado de exposição indecente e perturbar a santa paz da Páscoa.

White Rabbit
(Alice in Wonderland)

“I’m late!”

Perfil: Desenho animado. Um coelho sénior de pêlo branco, bem-falante, bem vestido e bem articulado. Usa óculos. Implementa na sua indumentária o chapéu-de-chuva e relógio de bolso  que lhe confere um ar british e precavido.

Prós: Aspecto exemplar, pés ligeiros e chave para a entrada no Pais das Maravilhas

Contras: Está sempre atrasado e por isso há o risco de apenas estar disponível no feriado do Dia do Trabalhador. A idade pesa.

Kiss Kiss Bang Bang

Pauline Kael, uma conhecida crítica de cinema, deu à sua colecção de ensaios o título de “Kiss Kiss Bang Bang”. Escreveu na introdução que havia emprestado o título a um cartaz de cinema italiano e que a frase resume o apelo básico do cinema – beijos e tiros. Por mais refutável que seja a afirmação, é inegável o fascínio que o cinema remete para o beijo cinematográfico. Se eu fosse o Alfredo de “Cinema Paraíso”, este seria o compêndio visual que deixaria a Toto.

Drew Barrymore + E.T (E.T- Extra Terrestrial)

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Um beijo é, usualmente, prelúdio de uma arrebatadora paixão mas também pode ser a elevação de um amor tão puro que não conhece barreiras. Este não foi o primeiro beijo de ecrã que vi, tinha na ideia os clássicos a preto e branco, mas a imagem da Gertie a beijar o E.T, antes deste partir, ficou para sempre tatuada na memória.

 Christian Slater + Patricia Arquette (True Romance)

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Beijos lascivos fotografados em contra luz foi, durante muito tempo, a imagem de marca de Tony Scott. Fê-lo em “The Huger”, “Top Gun” , “Revenge”, “Days of Thunder” e o filme protagonizado pelo meu actor fetiche da adolescência: Christian Slater e Patricia Arquette. True Romance é uma história de amor com o carimbo Quentin Tarantino, contudo, penso que não seria filmado com a mesma intensidade passional fosse ele o realizador. No comentário áudio de Top Gun, o mais novo irmão Scott, explica que era o “modus operanti” de filmar cenas de amor daquela altura mas, o que Tony filma; no quarto, cama, cabine telefónica, consultório médico, carro, água, sai sempre bem.

Leonardo Di Caprio + Claire Danes (Romeo + Juliet)

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Baz Luhrmann capta na perfeição a paixão inocente, mas avassaladora de Julieta e o do seu Romeu. Apaixonam-se através de um vidro de aquário ao som de  “Kissing you” de Desireé mas beijam-se no elevador ao som dos Garbage: “#1 Crush”. A câmara rodopia a 360 graus em câmara lenta. Imagem de marca de Baz e ele fá-lo bem, caramba!

 Ewan McGregor + Cameron Diaz (Life Less Ordinary)

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Celine: What’s wrong?
Robert: What’s wrong, you crazy bitch, is I thought you were gonna shoot me! THAT’S what’s wrong!

Celine toma as rédeas do seu próprio rapto e surpreende Robert com um inesperado beijo após um assalto a uma loja de conveniência. O amor filmado por Danny Boyle nunca é banal mas visualmente perfeito.

Ralph Fiennes + Angela Basset (Strange Days)

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Lenny e Mace dispersam por entre a multidão no primeiro dia de 2000. Ela segue de carro para a esquadra, ele afastando-se, percebe que está apaixonado por ela e volta para trás. Bate no vidro, puxa-a de dentro do carro olhando profundamente nos seus olhos. Ouve-se “Fall in the Light”de Lori Carson e Graeme Revell, caem confettis. Um final feliz reminiscente com aquele dos filmes de John Hughes, quando o gajo finalmente percebe que está apaixonado pela amiga e não a cabra da outra gaja.

Vicent Perez + Isabelle Adjani (La Reigne Margot)

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Quando La Môle descobre que a mulher mascarada é a Rainha Margot “Cette qui l’aime comme se venge”. Vicent Perez parece um anjo. Devia de ser proibido os homens serem assim tão bonitos.

Val Kilmer + Joanne Whalley (Willow)

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Impregnado de pó de “corações despedaçados”, Madmartigan entra na tenda de Sorcha para resgatar a bebé Elora e acaba por declarar-lhe amor eterno. São surpreendidos e antes de escapar Madmardigan rouba um beijo à moda dos grandes clássicos de capa e espada. Tensão sexual entre guerreiros de sexos opostos – Hans Solo e Princesa Leia part II, num reino far…far away.

Matt Damon + Minnie Driver (Good Will Hunting)

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Skylar: You were hoping for a goodnight kiss.
Will: No, you know. I’ll tell ya, I was hoping for a goodnight lay, but I’d settle for a good night kiss.

Diane Lane + Michael Paré (Streets of Fire)

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Lane e Paré, belíssimos neste musical de acção (soa estranho mas é muito bom). Cody diz a Ellen:“You know, no one ever had a hold on me like you did. I would have done anything for you. A long time ago I would have thought you were worthy of it. Not anymore, babe.Sai porta fora, chove intensamente. Ela segue-o e pergunta “What did I do to you that was so wrong?! e beijam-se.

Jena Malone + Hayden Christensen (Life as a House)

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A obstinada Alyssa entra no duche de Sam para perceber se os rumores de homossexualidade dele são verdadeiros. Certo.

Alyssa Look, I thought I was helping you.
Sam: It would help me if I could kiss you.
Alyssa: No. Look I thought we were just friends.
Sam: Well, what you think you know doesn’t necessarily have much to do with reality. I mean I hope I’m not the first one to tell you this.

Zach Braff + Natalie Portman (Garden State)

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AMO esta cena. Argumentistas de Hollywood, ponham os olhos neste timing para um beijo cinematográfico com mais arrebatamento que fogo de artifício. Large grita para o fundo do precipício afogando toda inércia da sua vida, tomando o rosto de Sam nas suas mãos e beijando-a sob chuva torrencial.Lindo!
Ethan Hawke + Gwyneth Paltrow (Great Expectations)

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Visual e musicalmente perfeito, a adaptação moderna do livro de Charles Dickens com o mesmo título é o melhor filme de Alfonso Cuarón. A química entre Hawke e Paltrow extravasa o ecrã e o beijo surpresa no repuxo mostra o verdadeiro sentido de “beijo molhado”.

Josh Hartnett + – é indiferente!- (na foto) Diane Krueger (Wicker Park) /Kirsten Dunst(Virgin Suicides) / Laura Harris (The Faculty)

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Josh Hartnett poderia até beijar uma parede, o vazio ou um rinoceronte, surtiria o mesmo efeito. Sofia Copolla captou a mística libidinosa de Hartnett na perfeição, pondo-o a percorrer, em câmara lenta, um corredor de liceu ao som de “Magic Man” dos Heart. A ala feminina suspira e nem sequer um beijo é trocado. É tudo, altura, olhar, postura, mãos. Efeito ‘crescendo’ quando inclui beijo 

Keanu Reeves + – é indiferente!- (na foto)Lori Petty (Point Break) / Charlize Theron (Devil’s Advocate) / Cameron Diaz (Feeling Minnesota)

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No ecrã, Keanu já beijou mulheres e homem e dá-me o mesmo tesão (desculpem, fui muito directa?!) Monica Bellucci mencionou que beijou Keanu Reeves 20 vezes numa cena de “Matrix – Reloaded” e adorou cada minuto pois “o Keanu beija muito bem”.

Richard Gere + -é indiferente!- (na foto) Debra Winger (Officer and a Gentleman) /Valerie Kaprisky (Breathless)

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Confesso que não sou fã do Richard Gere, mas que este homem sabe beijar no grande ecrã, sabe. Aprendam com o mestre. A idade passa por ele mas não o dom ósculativo que continua vivo e de boa saúde..

Michael Douglas + Kathleen Turner (Romancing the Stone)

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Michael Douglas outrora foi uma bomba sexual dentro e fora dos ecrãs. Presentemente apenas expressa o seu potencial à sra. Douglas, Catherine Zeta-Jones, à porta fechada, mas fica aqui a recordação do melhor beijo dos anos 80 com a partenaire Kathleen Turner.

Adrien Brody + Halle Berry (Cerimónia dos Óscares 2003)

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Bem sei, tecnicamente não é um beijo cinematográfico porque aconteceu em tempo real, em directo, em frente de milhões de espectadores. Quem assistiu sabe que não há beijo mais arrebatador que aquele que apanhou de surpresa Halle Berry.

Quentin Tarantino- Master of Cameo

Antes de ser realizador /guionista, Quentin Tarantino tentou a sorte como actor e, apesar da sua carreira de interprete não o ter levado muito além, o rapaz até tem jeito, especialmente quando faz dele próprio, divagando sobre cinefilia. Tarantino não é o único realizador a fazer pequenos cameos nos seus filmes mas é, talvez, aquele que mais participações tem fora deles. São essas participações que nos vamos concentrar, por ordem cronológica

Reza a lenda que Quentin mentiu no seu currículo para conseguir papéis, sublinhando a sua participação no filme de 1978 «Dawn of the Dead» de George A. Romero e «King Lear» de Jean-Luc Goddard, filmes à margem de Hollywood. A sua primeira experiência como actor foi numa curta-metragem realizada e escrita por si em 1987, «My Best Friend’s Birthday» quando ainda trabalhava na loja de aluguer de vídeo. Curiosamente, os restantes actores da curta foram os seus colegas de trabalho. A curta nunca foi lançada, mas está na web uma cópia demo onde se reconhecem alguns excertos que foram incluídos no primeiro guião de Tarantino a ser filmado, «True Romance», realizado por Tony Scott..

Em entrevista no programa «Charlie Rose», pela altura da estreia de «Jackie Brown» Tarantino fala sobre o seu gosto em representar e como foi esse o seu começo (no vídeo a partir do minuto 1m23).

Golden Girls (TV 1988)
Personagem: Imitador de Elvis Presley (a descrição explica tudo).

Eddie Presley
Jeff Burr
Personagem: Funcionário de um asilo.


Nota-se uma predilecção pela temática Elvis Presley. Não é segredo que o realizado é um grande fã de Elvis.
All American Girl (TV 1994)
Personagem: Sid.

Neste episódio que retrata a vida de uma família coreana na América, Tarantino é um fornecedor de filmes VHS que mostra interesse pela filha do casal. O episódio tem imensas referências ao filme «Pulp Fiction». e a sua presença é um grande piscar de olho à sua obra.

Sleep With Me (1994)
De Rory Kelly
Personagem: Sid
Em conversa com alguém numa festa, Quentin é basicamente ele próprio discutindo o significado subentendido do filme Top Gun.

Desperado (1995)
De Robert Rodriguez
Personagem: No filme realizado pelo seu irmão do coração, como diz ele, Tarantino é um género de intermediário que aparece num bar a contar uma piada.

Destiny Turns on the Radio (1995)
De Jack Baran
Personagem: Johnny Destiny.
Começa com Quentin a dar boleia ao protagonista e depois coisas estranhas acontecem, incluindo a cena do realizador a sair de uma piscina para ser atingido por um raio laser…


Somebody to Love (1996)
De Alexandre Rockwell
Personagem: Empregado de bar que se adivinha falador, em vez de bom ouvinte como todos os empregados de bar.

From Dusk Til Dawn (1996)
De Robert Rodriguez
Personagem: Richard Gecko.

Tarantino contracena com George Clooney, interpretando o seu irmão com um certo problema de manter a calma.
Little Nicky (2000)
De Steven Brill
Personagem: é um padre cego que dá sermões na rua.
Depois deste papel saiu um pouco de circulação representativa, excepto nos seus filmes, mas não sem antes experimentar um pouco de comédia slapstick.

Alias (TV 2002)
Personagem: McKennas Cole.
Tarantino é um ex agente renegado que enfrenta a organização governamental de Sidney Bristow.

The Muppets Wizard of Oz (Telefime 2005)
De Kirk R.Thatcher
Personagem: o realizador que interpreta um realizador que faz uma apresentação de um filme com os Marretas

Planet Terror (2007)
Robert Rodriguez
Personagem: no IMDB está creditado como violador #1, Carne para canhão zombie. Terror de série B é a praia de Tarantino e os monólogos onde o cinema é o tema principal, também


Sukiyaky Western Django (2007)
De Takashi Miike
Personagem:Piringo.
O realizador está como um peixe na água interpretando um pistoleiro solitário, ocidental, no meio do universo oriental dos mestres de espadas samurai.

 

Mulher canta Mulher

Dia 8 de Março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher e aqui no nosso cantinho vamos celebrá-lo com música feita por elas. Canções de Mulheres influentes e influenciadoras no mundo da música ao longo dos tempos.

Mulheres que cantam sobre ser mulher, sobre o que querem, o que sentem, o que desejam, como se apaixonam. Cantam sobre a condição da mulher em particular, o abuso, a discriminação, o desrespeito. Mulheres que cantam sobre o respeito que merecem e que ainda não é partilhado por todas as nações, de outro modo não haveria necessidade para comemorar este dia que marca a luta pelos seus direitos e o seu lugar no mundo.

Playlist:Mulher

  1.  Nina Simone: Four Women
  2. Aretha Franklyn: Respect
  3. Leslie Gore: You Don’t Owe Me
  4. Helen Reddy: I Am Woman
  5. Chaka Khan: I’m Every Woman
  6. Cindy Lauper: Girls just Wanna Have Fun
  7. Eurythmics: Sisters Are Doing it for Themselves
  8. Janet Jackson: Nasty
  9. Tori Amos: Cornflake Girl
  10. No Doubt: I’m Just a Girl
  11. Clã: Lado Esquerdo
  12.  Alicia Keys: Girl On Fire
  13. Beyoncé: If I were a Boy
  14.  Simone: Desfolhada
  15. Patti Smith: Gloria
  16. Neneh Cherry: Woman
  17. Elis Regina: Maria Maria

Obrigado, Óscar

É já hoje a cerimónia que todo o cinéfilo convicto fica acordado para ver. A noite da Cerimónia dos Óscares, premeia os melhores do ano do Cinema, nas categorias interpretativas (e técnicas), mas aquele que sobe ao pódio para receber a estatueta dourada de nome Óscar é igualmente avaliado pelo discurso de aceitação. Alguns desses discursos de tal modo populares que atingem a imortalidade ao fazerem parte do léxico da cultura cinematográfica. Eis alguns exemplos que Cecil Worthington, figura secreta dentro da Academia, gostaria de ignorar.

Adrien Brody
Óscar Melhor Actor por “The Pianist”

Segundo o colunista Ross Moulton da revista Parade, proferir o discurso perfeito é como misturar um cocktail: “uma parte humor, duas partes sinceridade, uma pitada de lágrimas (facultativo) e agitar bem. Por outras palavras: breve e eficaz e ter o público na palma da mão”. Na cerimónia de 2003, Adrien Brody proferiu o discurso perfeito e protagonizou o momento mais inesquecível das precedentes cerimónias. Em total delírio de alegria beijou Halle Berry comme il faut, galante como só ele. Não só isso como teve uma plateia a aplaudi-lo de pé (incluindo os outros nomeados que haviam confessado estar a torcer por Brody).  Ainda interrompeu o corte da orquestra com uma firmeza humilde para proferir uma mensagem de paz, no ano que que os Estados Unidos avançavam para a guerra no Iraque. Nem todos se lembram desse último pormenor, mas lembram-se do beijo a Halle Berry.

Repercussão: Durante um ano inteiro, Brody esteve na berlinda como aquele que beija tudo e todos e vários sketches de comédia, no MTV Movie Awards e Saturday Night Live focaram isso mesmo. O actor voltou à cerimónia no ano seguinte para apresentar a categoria de Melhor Actriz e veio prevenido.

Cuba Gooding Jr.

Óscar Melhor Actor Secundário por Jerry Maguire

Cuba Gooding Jr é recordado como o mais entusiástico vencedor da estatueta dourada. Feliz, mas contido nos agradecimentos iniciais, é impulsionado pelo corte da orquestra como um boneco de mola, agradecendo à população em geral. Aqueles a quem não teve tempo de saudar pelo seu nome, gritou AGRADEÇO A TODOS, pulando esfuziante de alegria pelo palco. Os anos (e as suas escolhas) não foram carinhosas para a sua carreira, mas Cuba Jr. será sempre recordado pelo seu papel vencedor em Jerry Maguire e a frase: “Show me the money”.

Repercussão: No ano seguinte, Ben Affleck e Matt Damon agradeciam a Cuba Gooding Jr. por lhes ensinar a fazer discursos, isto porque estavam igualmente eufóricos a tentar agradecer meio mundo.

Jack Palance

Óscar Melhor Actor Secundário por “City Slickers”

Jack Palance era um actor da velha guarda e poucos colocaram em causa o merecimento do galardão máximo do cinema, tendo em conta a extensível carreira. Contudo, ninguém imaginava que Palance, septuagenário, subisse ao palco e surpreendesse com as suas capacidades físicas e um grande timing cómico.

Repercussão: Minutos após o seu discurso de agradecimento, os telefones da agência que representava o actor não pararam de tocar com propostas mirabolantes, as mais consistentes sendo de produtores que queriam Palance nos seus vídeos de exercício físico. Billy Crystal aproveitou a deixa e deu a Jack Palance um papel de destaque na abertura dos Óscares do ano seguinte

Roberto Benigni

Óscar Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Actor Principal por La Vita é Bella

Sendo italiano, com um mínimo conhecimento da língua inglesa, não se pode dizer que foi um discurso eloquente, mas foi exuberante em comicidade. Roberto Benigni saltou para cima da cadeira esbracejando a vitória com braços no ar e confessando ingenuamente (pelo segundo Óscar) que já tinha usado todo o inglês que sabia. A melhor frase da noite, para além do bonito agradecimento à sua família e mulher, foi: “I want to make love to everybody!”

Repercussão: No ano seguinte, ainda se falava na contagiante presença de Roberto Benigni que se manteve sossegado na cadeira durante a cerimónia, Billy Crystal, o apresentador desse ano não perdeu a oportunidade de lembrar o saltitante  italiano.

Sally Field
Óscar Melhor Actriz Secundária por “Places of the Heart”

O segundo Óscar para a actriz Sally Field foi o mais memorável para si, segundo as suas palavras, e igualmente o público que nunca esqueceu o ingenuamente honesto: “I can’t deny the fact that you like me, right now, you like me!”

Repercussão: Field foi gozada em vários meios de comunicação pelo desabafo, mas a própria parodiou a frase resumida (erradamente) a “You like me, you really like me” num anúncio e igualmente na sua introdução dos nomeados para Melhor Actor na cerimónia do ano seguinte, mostrando o desportivismo do seu sentido de humor. Anos mais tarde, a frase continua a figurar no imaginário televisivo e também Billy Crystal a usou numa montagem introdutória.

Nota: Em título de curiosidade, no vídeo em link, em 1m30s conseguem ver a então adolescente Angelina Jolie ao lado do pai Jon Voight.