Catedrais de Cinema

Aproveitando a reposição do filme de Giuseppe Tornatore, o belíssimo  «Nuovo Cinema Paradiso« que comemora o seu 30º aniversário, o Mixtape puxa os galões da nostalgia cinematográfica, sob forma fotográfica. Passo a explicar.

Em 2002, o gosto pelo Cinema, foi o mote para fotografar as salas de cinema que, não só ajudaram a moldar o meu amor pelo cinema, como representam recintos onde se respira História. Na última década, faustosas salas como o São Jorge, Tivoli ou Condes fecharam as portas e foram substituídas, nos hábitos dos cinéfilos, por (odiosos) complexos multiplexes, mas não nos seus corações. Algumas dessas salas protagonizaram um condigno comeback para mostrar que a 7ª arte é devidamente apreciada nas catedrais que a respeitam e perpetuam o seu legado.

Das salas de cinema protagonistas deste slideshow: Cinemateca Portuguesa, Cinema São Jorge, Tivoli e Sala Foz (Cinemateca Júnior), apenas o Tivoli suspendeu a sua exibição cinematográfica, embora perdure como sala de teatro As restantes passam filmes a título comercial (a Cinemateca) e o São Jorge filmes em circuito de festival

Até podia ser um pretexto para compilar o top: 5 razões porque detesto multiplexes, mas penso que o meu tributo fotográfico às belíssimas salas de cinema de outrora – aquelas que ainda permanecem de portas abertas, é prova irrefutável da minha apaixonada dedicação a esta salas. Também a letra da música que acompanha o slideshow diz tudo sem que precise acrescentar mais nada. Apenas isto, não existem downloads gratuitos, dvds, televisão, canais temáticos por cabo que me retirem a emoção de assistir a um filme numa sala de cinema.

Duas salas de cinema contribuíram para moldar a minha cinefilia na infância e que foram os meus Cinemas Paradiso: O cinema Nina e sala da Sociedade Recreativa da Amora S.F.O.A. A sala Nina , a 400 metros da minha casa foi, indiscutivelmente, aquela que mais relevância teve por ser um capítulo importante da minha infância /adolescência. A notícia do seu encerramento deixou tristeza,  (mais um cinema local que encerra as portas para dar lugar aos odiosos multiplexes na periferia das localidades). O que era uma referência física passou a existir apenas como uma recordação do meu imaginário.

Não consigo precisar com factualidade o ano de abertura do cinema mas lembro-me de cada momento que ali passei. Ao longo de mais de duas décadas a sala de cinema, parte integrante do mini centro comercial com reputação duvidosa foi um ponto de referência, refúgio, escape, ponto de encontro e pausa para apreciar os deliciosos croissants com doce de ovos no intervalo de cada sessão.

Primeiro foram as manhãs infantis. Às 11h, lá estava para recordar os velhos (para mim, novos) clássicos da Disney – na altura dobrados em brasileiro. No início assistia aos filmes com a minha mãe, algum tempo depois, implorava para ela me deixar ir sozinha – só mesmo os miúdos têm pachorra para ir ao cinema às 11h da manhã. Seguiram-se as matinés com os amigos, a transição entre desenhos animados e imagem real.

Não tenho qualquer  registo fotográfico da sala de cinema Nina (inaugurada como Cinema Lord), apenas a colecção de canhotos dos bilhetes (com a devida classificação crítica em estrelas) mas em visita à S.F.O.A deparei-me com a possibilidade de fotografar a sala de projecção, presa num tempo onde o filme em película reinava. Ali, naquela sala, conservam-se as memórias de um tempo áureo da projecção cinematográfica e adorei fotografar cada uma delas.

 

 

 

 

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Poesia para embalar os ouvidos

Para esta que vos escreve, a prosa é mais estimada que a poesia que comemora no dia 21 de Março. Já sendo declamada por vozes que deliciam já é outro assunto. Partilho convosco a playlist que está nos meus favoritos de reprodução, lista de poemas declamados que amiúde me embalam para dormir. E, sendo a canção uma forma de poesia (o Nobel de literatura Bob Dylan, atesta isso mesmo, estão incluídas duas canções de gerações diferentes declamadas pelo actor Albano Jerónimo  numa iniciativa da estação de rádio, Antena3. Na foto o último verso do poema 14 de Pablo Neruda.

  1. Do Not Go Gentle Into That Goodnight leitura de Richard Burton poema de Dylan Thomas

  2. As I Walked Out One Evening by Tom Hiddleston, poema de W H Auden.
  3.  Mata Me Outra Vez leitura de Albano Jerónimo, canção de Ornatos violeta

  4.  Beijos e Papas de Leite leitura de Albano Jerónimo, canção  de Jorge Palma

  5.  Talking in Bed by Tom Hiddleston, poema de Philip Larkin

  6.  Trecho do Livro Água Rosa de Clarice Lispector, leitura de Wagner Moura

  7.   May I Feel Said He leitura de Tom Hiddleston poema de E E Cummings

  8.  Desiderata leitura de Tom Hiddleston

    poema de Max Ehrmann

 

 

Jukebox Oscar

A poucos dias da cerimónia dos Óscares, o Mixtape faz uma viagem musical percorrendo, cronologicamente, as canções vencedoras do Óscar para melhor Canção Original. Tudo começou há muito tempo atrás, não numa galáxia distante, mas no mítico Hotel Biltmore em Los Angeles. A categoria de Melhor Canção original foi introduzida na 7ª edição dos Óscares no ano de 1935 e premeia os compositores e letristas da canção incluída no filme.

Para ser elegível, uma canção tem de ser composta originalmente para um filme, o que descarta canções que usam samples, versões e mash ups e explica a razão porque Moulin Rouge não teve nenhuma canção nomeada no ano que que concorreu. Também não pode ter sido lançada antes do ano em que o filme concorre e essa regra quase deixou de fora a canção vencedora de um Óscar em 2008 pelo filme Once. “Falling Slowly”, havia sido apresentada ao vivo pela banda de Glen Hansard, The Swell Season. Também por essa razão nenhuma das canções de musicais podem ser nomeadas e isso explica a introdução de uma canção original na adaptação para Cinema. “You Must Love me”, por exemplo, venceu Melhor Canção por Evita em 1996, e não fazia parte do musical de Andrew Lloyd Webber.

Em 1944 chegaram a ser 14 as canções nomeadas, em três anos, foram apenas 3, mas os estatutos permitem 5 canções nomeadas. Em quatro anos diferentes, o mesmo filme teve 3 canções nomeadas. Os Estúdios Disney detêm o monopólio de tripla nomeação e o início da década de 90 marca esse reinado, porém, no ano de 2008, foi instituída a regra de apenas 2 canções nomeadas por filme.

No meio das piadas dos anfitriões, discursos dos vencedores e apresentações de clips de filmes, a categoria de Melhor Canção é a perfeita desculpa para um número musical memorável, embora nem sempre tenha sido esse o caso. Não esquecer o infame número de Lord of the Dance. Os números musicais já foram prolongados, cortados, ignorados, colocados a um cantinho do televisor, mas aqui no Mixtape recebem honras. Eis alguns exemplos ao longo de sete décadas.

Mixtape Jukebox Oscar

1939 “Over the Rainbow” – The Wizard of Oz  Harold Arlen e E. Y. Harburg
1956  “Whatever Will Be, Will Be (Qué Será, Será)” – The Man Who Knew Too Much Jay Livingston e Ray Evans
1961 “Moon River” – Breakfast at Tiffany’s  Henry Mancini e Johnny Mercer
1969  “Raindrops Keep Fallin’ on My Head” – Butch Cassidy and the Sundance Kid  Burt Bacharach e Hal David
1971  “Theme from Shaft” – Shaft  Isaac Hayes
1973  “The Way We Were” – The Way We Were  Marvin Hamlisch, Alan Bergman e Marilyn Bergman
1980  “Fame” – Fame  Michael Gore, Dean Pitchford
1982 “Up Where We Belong” – An Officer and a Gentleman Jack Nitzsche , Buffy Sainte-Marie e Will Jennings
1983 “Flashdance… What a Feeling” – Flashdance Giorgio Moroder , Keith Forsey e Irene Cara
1986  “Take My Breath Away” – Top Gun Giorgio Moroder e Tom Whitlock
1987  “(I’ve Had) The Time of My Life” – Dirty Dancing Franke Previte, John DeNicola e Donald Markowitz
1988 “Let the River Run” – Working Girl Carly Simon
1991 “Beauty and the Beast” – Beauty and the Beast  Alan Menken e Howard Ashman
1992 “A Whole New World” – Aladdin Alan Menken e Tim Rice
1993  “Streets of Philadelphia” – Philadelphia Bruce Springsteen
1997 “My Heart Will Go On” – Titanic James Horner e  Will Jennings
2002  “Lose Yourself” – 8 Mile Eminem, Jeff Bass e Luis Resto
2007 “Falling Slowly” – Once  Glen Hansard e Markéta Irglová
2008 “Jai Ho” – Slumdog Millionaire A. R. Rahman e Gulzar

Amor Segundo o Cinema

Em Fevereiro, o Amor está no ar. Porquê? Celebra-se o Dia de São Valentim ou, para os mais distraídos em assuntos sacrossantos, o Dia dos Namorados. É a altura ideal para celebrar o Amor sob a óptica da 7ªarte. Rapaz conhece rapariga, mulher conhece amante, marido trai mulher, rapaz “conhece” tarte de maçã. Pontos de partida divergentes que convergem num só. Amor apaixonado, sexual, ocasional, etéreo, platónico, passional, obsessivo, solitário. Tudo variações da emoção mais retratada  no celulóide em cenas para sempre imortalizado no grande ecrã. O Mixtape preparou um especial Dia de São Valentim que promete inspirar os apaixonados e até aqueles que acreditam que este dia é uma grande estopada.

Pode ser desejado, mencionado, consumado ou simplesmente sugerido. Na época dourada de Hollywood, não havia espaço para manifestações físicas, mas a mera sugestão de palavras e o clássico sex appeal das estrelas de Hollywood arrebatavam corações dos espectadores. O tempo de cronometrar 8 segundos para um beijo está a anos luz de distância. Ao longo dos anos, as cenas de amor revelam cada vez pele, ao ponto de suplantarem o próprio filme. Mas, a expressão do Amor, física ou espiritual, mantêm-se acompanhando a evolução dos tempos.

English Patient: Ralph Fiennes & Kristen Scott Thomas

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Se as mulheres já suspiravam com a visão de Ralph Fiennes, gordo e sádico em “Lista de Schindler”, A personagem do conde Almásy: espadaúdo charmoso, bronzeado, sedutor – perdida e obsessivamente apaixonado por Katherine-  fez de Fiennes o eterno quebra corações. Adoro a forma como ele nomeia o vale na base do pescoço dela como o seu local preferido.

 Basic Instint : Sharon Stone & Michael Douglas

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Nunca cena de sexo foi tão longa e bem aproveitada. A química de Stone e Douglas explodiu no ecrã. Sobre esta cena, a personagem de Douglas disse: “She’s the fuck of the century”, já a actriz Sharon Stone fez um comentário amplamente publicitado: “Tive, pelo menos três orgasmos!”.

Revenge : Kevin Costner & Madeline Stowe

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No final dos anos 80 e início dos 90, Kevin Costner era hot property de  Hollywood, partilhando “O Amor” com Sean Young , Susan Sarandon, Mary MacDowell no banco de trás de uma limusine, banheira, bengaleiro, tenda. Num dos filmes mais desinteressantes de Tony Scott, Costner e Madeleine Stowe protagonizam  um bem mais interessante e magnificamente fotografado affair. Para os mais curiosos e pacientes podem ver o video e testemunhar como a química entre dois actores funciona no mais simples acto de fazer limonada.

Tequila Sunrise
: Mel Gibson & Michelle Pfeiffer

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Mel Gibson e Michelle Pfeiffer a emergir da piscina todos nus. Parafraseando a personagem do Raul Julia “it was like a fucking marathon 3 hours, Jesus!” Nos tempos idos em que os belos olhos de Mel Gibson paravam o coração da ala feminina.

Thelma & Louise: Geenna Davis & Brad Pitt

Louise: “You finally got laid properly, I’m so proud…”

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Foi tudo o que bastou para retirar Brad Pitt da sombra, a caminho do título de “O Homem Mais Sexy Do Planeta”.

Breathless : Richard Gere & Valérie Kaprisky

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No apogeu do seu estatuto de sex symbol, Richard Gere contracenou com a francesa Valérie Kaprisky numa adaptação americana do filme de Goddard. No papel de Jessie, Gere é um delinquente em fuga, com tempo para embaciar o ecrã nas cenas de sexo que viriam a ser o SEU  “pão nosso de cada dia” na década de 80.

Devil’s Advocate: Keanu Reeves & Charlize Theron

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Keanu Reeves com outra no pensamento e Charlize Theron contra a parede. Gosto do pormenor dele estar despido com as botas (e a cicatriz na barriga).

Fatal Attraction: Michael Douglas & Glenn Close

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O amor obsessivo de Glen Close por Michael Douglas, levou a ala masculina a pensar duas vezes antes de cometer adultério. Antes de cozer o coelho da filha deste numa panela, Glenn Close professou o amor na cozinha, elevador e outros sítios arredios.

9/2 Weeks:
Kim Basinger

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Quem quer saber do Mickey Rourke quando se tem a Kim Basinger a fazer um soberbo strip ao som de “You can leave your hat on”?! Voyeurismo, sim!

Ghost: Patrick Swayze & Demi Moore

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Swayze e Moore, protagonizam um amor que sobrevive à morte. Manifestado em vida nesta cena, com o tema “Unchained Melody” dos Righteous Brothers, em perfeita sincronia com os movimentos da paixão. Uma das mais memoráveis cenas de amor do cinema, fez correr muita tinta e multiplicou-se em imitações baratas. Nenhuma suplantou a original.

Jerry Maguire: Tom Cruise Reneé Zwellweger

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“That’s not a dress, that’s a Audrey Hepburn movie…”

Renée Zellweger luminosa, quebra o medo de relacionamento amoroso com Tom Cruise que nos leva às lágrimas com a declaração: “You…complete me!”

Pretty Woman: Richard Gere & Julia Roberts

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Dos sítios onde praticar “O Amor”, um piano é o mais requintado. Não é aqui que Julia Roberts beija Richard Gere mas é um hors d’oeuvres de luxo que antecede a refeição principal com direito a “Amo-te” no final.

Bram Stoker’s Dracula: Gary Oldman & Winona Ryder

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Num plano subliminar, Drácula de Bram Stoker é uma ode ao prazer oral. Pode parecer estranho considerar erótica, a cena em que uma mulher suga o mamilo cortado de um homem. Com Gary Oldman a sussurrar: “Walk with me to be my loving wife forever”, é também uma ode ao prazer auditivo!

L.A Confidential: Kim Basinger & Russell Crowe

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Lynn Bracken: I see Bud because I want to. I see Bud because he treats me like Lynn Bracken and not some Veronica Lake look-alike who fucks for money.

A velha história da prostituta de luxo que conquista o coração do polícia durão. Russel Crowe e Kim Basinger sob direcção de Curtis Hanson oferecendo um  novo fôlego ao film noir marca a diferença.

Tudo o Vento Levou Vivien Leigh & Clark Gable

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A mera sugestão de Gable é suficiente para palpitar o coração de Vivien Leigh:

“You should be kissed and often, and by someone who knows how”

The last of the Mohicans : Daniel Day Lewis & Madeline Stowe

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É difícil esquecer o encontro amoroso de Day Lewis e Madeline Stowe por detrás de uma queda de água. Haverá sitio mais perfeito?

Out Of Sight: George Clooney & Jennifer Lopez

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O poder da sedução começa pelas palavras e acaba num quarto de hotel. Clooney e Lopez com a quimíca perfeita, susceptível de embaciar o ecrã. Confesso que George Clooney nunca esteve na minha lista de preferências, mas mudei de ideias depois de ver este filme.

American Pie:  Jason Biggs e …a tarte (!?)

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À pergunta: “Qual é a sensação de entrar numa mulher”, respondem a Jason Biggs “É como uma tarte de maçã”. O que aconteceu a seguir, explica o porquê do título “Americam Pie”. O amor solitário no seu melhor (pior) nível.

Call Me by your Name: Timothée Chalamet e Armie Hammer

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Com a estreia de Call me By Your Name, assistiu-se a outra cena de…”amor”… com fruta, ainda que num melhor nível ,visionado com algum embaraço. No entanto, o actor Timothée Chalamet teve direito a nomeação para o Óscar como melhor actor e a química entre a sua personagem Elio e Oliver (Armie Hammer), transpira sensualidade nos mais pequenos pormenores

Mulholand Drive: Naomi Watts & Laura Harring

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Nunca uma relação entre duas mulheres foi tão magnética, misteriosa e sedutora. Amor obsessivo filmado por David Lynch.

Brokeback Mountain: Jake Gyllenhaal & Heath Ledger

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O amor não vê fronteiras. A  relação secreta de dois cowboys num período de 20 anos comoveu meio mundo e mudou o estereótipo da homossexualidade.

No Pólo Norte, Nada de Novo

Decerto já repararam que está frio. A frente fria que vem do Polo Norte está a dar cabo dos nossos nervos e obriga-nos a vestir como aquele logótipo dos pneus Michelin. Pensem pelo lado positivo, por mais frio que esteja, não se compara em nada com o sofrimento regelado dos personagens que por aqui vão desfilar. Há ainda quem passe muito mais frio.

Nota: Este texto foi redigido sob o quentinho do aquecedor

Ice Age – The Dawn of Dinosaurs

Na Idade do Gelo, o frio era historicamente abaixo do normal e apenas as criaturas de espesso pêlo sobreviviam, ou aqueles que se cobriam com as suas peles. Nesta tundra pré histórica, o esquilo Scrat mantinha o ânimo quente ao pensar na sua amada bolota. Nem rajadas de frio gélico, nem a neve, afastam Scrat do fruto seco mais apetecido.

Temperatura: quente de tanto rir.

Fargo

Fargo encontra-se na fronteira entre os estados de North Dakota e Minnesota, apenas os estados mais frios dos Estados Unidos da América. Poderia ser uma cena de um estúdio, onde a neve é feita de puré de batata, mas percebe-se pela roupa e pelo bafo que estamos perante frio na ordem dos vinte graus negativos. BRRRRRRRR. Porém, Frances McDormand irradia perfeição na sua interpretação de uma polícia grávida, a braços com a investigação de um rapto a la Irmãos Cohen.

Temperatura: Negativa na temperatura, positiva na interpretação. Frances levou um Óscar de Melhor Actriz Principal para casa.

The Long Kiss Goodbye

O que será mais frio que a temperatura negativa lá fora? Ser mergulhada à força dentro de água gelada. Para o comum mortal, isso seria meio caminho andado para um falecimento precoce. Para a dona de casa, ex agente do governo é tempo cronometrado para abater o inimigo.

Temperatura: Morna. Geena Davies está num estúdio e, embora acredite que a água do tanque não esteja necessariamente quente, e está exposta a hipertermia com aquele neglige, encontra-se numa situação relativamente confortável.

Reindeer Games


Ingerir bebidas quentes é uma boa ideia quando está frio, mesmo quando somos ameaçados de morte por um gang de larápios. Peçam com jeitinho e talvez tenham direito à uma fatia de tarte para acompanhar.

Temperatura: Quentinha depois do chocolate quente.

Titanic

A personagem de Leonardo DiCaprio, explica a Rose, qual a sensação de entrar em contacto com a água numa temperatura tão baixa: “a dor atinge-te como milhares de facas espetadas em todo o teu corpo. Não consegues respirar, nem pensar em nada que não a dor que sentes” Com esta explicação tão pormenorizada, chegamos a esta cena com um frio na espinha (e no coração). A grande maioria dos passageiros do Titanic morreu de hipotermia devido às temperaturas geladas do Oceano Atlântico.

Temperatura:
Tépida. Foi plenamente divulgado o frio que os actores passaram nas cenas de água, como esta estava à temperatura ambiente para não criar vapor, no entanto, nesta cena em particular, a água estava morna e os actores e extras mergulhavam em banheiras de água quente entre os intervalos.

Love Actually

Pode-se sempre contar com o Reino Unido no que diz respeito a condições metereológicas deprimentes. Más condições metereológicas dão azo a estados comportamentais infelizes, mas aqui o nosso amigo Colin tem um plano perfeito. Mochila cheia de profilácticos, rumo a qualquer bar dos Estados Unidos da América onde hordas de raparigas o esperam. É afinal o sonho de qualquer macho e todos sabemos, especialmente os habitantes do Midwest norte americano, que os bares daquela zona estão povoados com raparigas esbeltas e sensuais, dispostas a dar guarida a pobres mochileiros estrangeiros.

Temperatura: A ferver, apesar das raparigas, coitadas, não terem dinheiro para comprar pijamas. Curiosamente, tenho um amigo que vive no estado da capital de Milwaukee, viu o filme no cinema e quando esta cena surgiu a sala de cinema, em peso, riu à desgarrada.

The Day After Tomorrow


Percebe-se que está mesmo frio quando a mãe de todas as frentes frias, consegue congelar líquidos em ebulição e mumificar corpos em gelo em questões de segundos.
É muito frio…

Temperatura: A ponto de granizado.

Lord of the Rings – The Two Towers

A passagem de Caradhras é um sítio bastante frio, como aliás em todos os cumes de montanha, este ainda mais com o encantamento mal intencionado de Saruman.

Temperatura: Insuportavelmente quente. O cume da montanha existe, mas a cena foi feita num estúdio onde os actores estavam a suar ao ponto da desidratação. Orlando Bloom confessou no comentário do dvd que a temperatura no estúdio era insuportável e muitas vezes engasgaram-se com o material que usaram para a neve.

Bridget Jones Diary

Quando neva lá fora, a probablidade de estar um frio de rachar aumenta, nesta ocasião convém ir bem agasalhada com duas ou três camadas de roupa. Não é de todo prudente sair de casa só com cuecas, ainda que estas tenham padrão leopardo, um animal que habita no continente africano, onde é bem mais quentinho.

Temperatura: Fria, mas o Amor aquece o nosso coração.

The Eternal Sunshine of the Spotless Mind



Joel sente uma vontade incontrolável de viajar até à costa no dia dos Namorados, sem razão aparente. Se ele está disposto a desbravar vento gélico e temperaturas baixas para passear junto à beira mar, é porque algo muito importante o atrai até lá.

Temperatura:
Filmado na cidade de Mountauk,no Estado de Nova Iorque, em pleno Inverno, é seguro dizer que estava um briol que não se aguentava. O nariz vermelho não engana.

Home Alone

Um sábio conselho. Se as temperaturas são baixas e neva, não é prudente molhar as escadas de acesso à casa. Tal pode dar azo a quedas, ainda que hilariantes, muito perigosas para a saúde.

Temperatura: Escorregadia, no mínimo.

James Bond – The Living Daylights

Se há alguém capaz de escapar a vilões de metralhadoras com um violoncelo a servir de trenó, esse alguém é Bond. James, Bond. E ainda o faz com estilo.

Temperatura: Cool, muito cool

 

5 Declarações de Amor Cantadas

Em dia de Namorados, o Mixtape segue o lema de Marco Paulo, declarando os seus dois amores. A Música e o Cinema unem-se nestas cinco declarações de amor cantadas. A premissa preferida no cinema – rapaz apaixona-se por rapariga, dá azo à partilha de sentimentos através da canção. Se a vida imita a arte e a arte imita a vida, inspirem-se nesses exemplos de romantismo para conquistarem a vossa cara-metade neste dia de quase obrigatório romantismo.

Moulin Rouge

Os filmes de Baz Luhrmann são, por excelência musicados, mas a canção com que que Christian (Ewan McGregor) declara o seu amor por Santine (Nicole Kidman) é uma portentosa colectânea de dez canções de amor. Um mash up de deleite visual que não só conquista a irredutível cortesã Santine, como delicia o espectador.

10 Things I Hate About You

Uma versão moderna da peça de Shakespeare «A Fera Amansada», Verona (Heath Ledger) tenta «domar» Kat (Julia Stiles) apelando ao seu coração. Expõe-se em grande, cantando «Can’t Take My Eyes Off you» em frente do liceu, recrutando a ajuda da Banda. E pelo sorriso de Kat, o sucesso parece garantido.

The Wedding Singer

Compor uma canção para a sua apaixonada, até pode ser relativamente fácil para um performer habituado a animar festas de casamento, mas conseguir uma estrela de rock como Billy Idol para fazer a apresentação da sua entrada triunfal, já é coisa mais complicada. Nada que Robbie (Adam Sandler) não consiga desencantar para mostrar o seu amor por Julia (Drew Barrymore).

Say Anything

Possivelmente uma das mais queridas declarações de amor, é singela na sua concretização, mas poderosa na intensão. Depois de romper com o dedicado Lloyd Dobler (John Cusack), Diane Court (Ione Skye) é serenada, sob a sua janela, pela canção que tocava quando os dois fizeram amor pela primeira vez. No leito amoroso Diane pediu a Lloyd para escutar com atenção a canção de Peter Gabriel em «Your Eyes» e ele assim fez: «In your eyes/the light the heat / In your eyes I am complete / In your eyes I see the doorway to a thousand churches»

Blue Valentine

Dean (Ryan Gosling) oferece a Cindy (Michelle Williams) um CD com uma versão rara de uma canção que assegura ser só deles, com a convicção inabalável de quem está profundamente apaixonado. Quem viu o filme, sabe que as coisas não correm lá muito bem, à medida que o tempo (e a vida) avançam, mas, ainda assim, é bonito ver a cara metade expedita na procura da banda sonora do seu amor.

Televisão Musicada

O dia da Televisão comemora-se  dia  21 de Novembro e para celebrar, nada melhor que uma colectânea audiovisual dos  genéricos de séries de TV favoritos. Sigam-me e relembrem os tempos em um simples acorde que saía da televisão vos chamava para o sofá para assistir ao vosso programa favorito.

Instaurado pelas Nações Unidas em 1996 com o objectivo reforçar o intercâmbio cultural e incentivar as trocas de programas de televisão sobre questões como a paz, segurança, desenvolvimento social e económico,. Convenhamos que é mais divertido compilar os genéricos de TV do meu imaginário. Honrando mais ou menos o verdadeiro objectivo por detrás desta efeméride, não se pode negar o papel importante da tv nas nossas vidas (ainda que o computador esteja lentamente a ocupar o seu lugar) mais como entretenimento do que foco de cultura.

Algumas canções, até hoje estão marcadas na memória ao ponto de me lembrar de um gato que mia no final de Hill Street Blues ou um cão de ladra depois da frase «Sit Ubu, sit. Good dog.Woof.» Esse é o poder da TV. Seguem os dez genéricos (+1)que mais me marcaram, em ordem cronológica.

Family Ties
1982-1989
Johnny Mathis & Denise Williams: «Without Us»

Esta canção faz-me sempre lembrar a minha infância em que assistia religiosamente, aos Domingos, a série «Family Ties» com a minha amiga Guida. Quando ela visitava a madrinha, a minha vizinha, o horário das 19h estava sempre reservado para esse fim, seguindo de conversa sobre o quão fofo era Michael J. Fox no papel de Alex P. Keaton.

Cheers
1982-1993
Gary Portnoy: «Everybody Knows Your Name»

MacGyver
1985-1992
Randy Edelman compôs o tema musical

A adolescência nas tardes de Domingo, às 19h em ponto, hora sagrada para assistir às aventuras de «Mac Gyver». Não interessava onde estava ou quem visitava, assim que começasse o Mac Gyver , já ninguém me arrastava fora do sofá (a não ser no intervalo, nessa altura podíamos seguir rapidamente para casa antes que começasse a 2ª parte). Normalmente a minha mãe alinhava e acabava por ficar até ao intervalo, ela também achava piada ao intrépido aventureiro.

Twin Peaks
1990-1991
Julee Cruise: «Falling»

Os serões nocturnos, passados entre o fascínio e o medo com«Twin Peaks. A etérea voz de Julee Cruise era o momento de calmia na montanha russa de emoções que iam do encanto dos rapazes (belíssimos) da série, ao terror puro do vislumbramento de Bob.

The Simpsons
1989- presente
Danny Elfman compôs o tema

Eis um genérico fora do comum na medida em que cada episódio tinham um segmento diferente. No início, Bart Simpson, escreve algo diferente no quadro da escola e, no final, a família Simpson corre para o sofá com um resultado diferente em casa episódio. Pautado pelo génio musical de Danny Elfman, este era um genérico que se mostrava imperativo ver.

Baywatch
1991-2001
Jimi Jamison: «I’m Always Here»

Confesso que este tema é brejeiro, a fazer companhia ao genérico que mais parece um anúncio de bronzeadores, mas adoro este tema. Fica mesmo no ouvido. A série passava quase sempre na temporada de Verão e, nessas alturas eu estava sempre em casa a gozar férias no sofá, por isso este era o meu tema de abertura de Verão em casa.

Mad About You
1992-1999
Andrew Gold: «Final Frontier»

A minha série favorita, passava na tv a horas de turno da meia noite (muitas vezes 2 da manhã). Os anos 90, marcam o auge da reality tv e o tempo nobre das melhores séries de tv eram relegadas para as madrugadas (e ainda assim é hoje). Assim que oiço os primeiros acordes, o meu coração alegra-se com a perspectiva de assistir à rotina deste casal nova iorquino, cuja relação serve de modelo para a minha relação sonho. Ainda procuro o meu Paul e ainda sem este genérico de cor e volta e meia canto o dito pelos corredores de edifícios ou elevadores.

X-Files
1993-2002
Mark Snow compôs o tema

Na segunda metade dos anos 90, os genéricos de tv assistiram a uma mudança, deixaram de ser cantados e eram maioritariamente instrumentais. Essa particularidade não impediu que os temas musicais ficassem marcados na memória para todo o sempre. Tal como o genérico de Twilight Zone, o de X-Files é trauteado quando mencionamos algo do foro sobrenatural ou fantástico.

E.R
1994-2009
James Newton Howard compôs o tema da série

Fã acérrima da série . Os acordes iniciais tinham o condão de me instalar no sofá em entrar «na zona». Ninguém me podia interromper quando assistia à rotina dos médicos e enfermeiras do serviço de urgência , ficava colada ao ecrã pela autenticidade dos procedimentos médicos. Na temporada em que fiz o Erasmus na Escócia, assim que soavam as 9 da noite, seguia como uma flecha para a sala comum da residência universitária e todos sabia que a essa hora estaria em frente ao televisores, fosse sentada, em pé ou encostada à parede. Certo dia, alunos vindos do edifício anexo, tomaram a tv para assistir a outro programa e eu entrei em pânico, protestando sozinha, contra 5 marmanjos. Valeu-me a solidariedade feminina de alunas que tinham tv privada no quarto.. Onde já se viu, impedir uma pessoa do seu momento televisivo semanal. BAH.

 

Lost
2004-2010
Michael Giacchino compôs o tema

Na época de ouro das séries televisivas, pouco tempo era dispensado nos genéricos. Cada segundo era aproveitado para cativar o espectador logo de início. À medida que a tv deixa de ser o suporte de visionamento das séries, dando lugar ao computador, introduz-se o termo binge watching (que pode ser traduzido como maratona televisiva) e o genérico é reduzido a uns segundo de título televisivo. Ainda assim, esses segundos funcionam como reflexo de Pavlov, deixando-nos colados ao ecrã, ainda que antes do genérico, já muito tinha acontecido na narrativa da série.

O 11º genérico segue em menção honrosa
Game of Thrones
2011- presente
Ramin Djawadi compôs o tema

Após décadas de reduzidos ou inexistentes genéricos televisivos, surge este portento instrumental, deveras cinematográfico, a anunciar uma das séries mais marcantes da actualidade. Guerra dos Tronos traz consigo, o recorde de série mais vista de todos os tempo e o regresso do genérico de longa duração, com a particularidade de conter pormenores de localização geográfica diferentes em casa temporada e também o trecho musical mais cativante de todos os tempos. Não é todos os dias que uma orquestra completa com coro, introduz um genérico televisivo. Lah lah lah lah.