Mulher canta Mulher

Dia 8 de Março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher e aqui no nosso cantinho vamos celebrá-lo com música feita por elas. Canções de Mulheres influentes e influenciadoras no mundo da música ao longo dos tempos.

Mulheres que cantam sobre ser mulher, sobre o que querem, o que sentem, o que desejam, como se apaixonam. Cantam sobre a condição da mulher em particular, o abuso, a discriminação, o desrespeito. Mulheres que cantam sobre o respeito que merecem e que ainda não é partilhado por todas as nações, de outro modo não haveria necessidade para comemorar este dia que marca a luta pelos seus direitos e o seu lugar no mundo.

Playlist:Mulher

  1.  Nina Simone: Four Women
  2. Aretha Franklyn: Respect
  3. Leslie Gore: You Don’t Owe Me
  4. Helen Reddy: I Am Woman
  5. Chaka Khan: I’m Every Woman
  6. Cindy Lauper: Girls just Wanna Have Fun
  7. Eurythmics: Sisters Are Doing it for Themselves
  8. Janet Jackson: Nasty
  9. Tori Amos: Cornflake Girl
  10. No Doubt: I’m Just a Girl
  11. Clã: Lado Esquerdo
  12.  Alicia Keys: Girl On Fire
  13. Beyoncé: If I were a Boy
  14.  Simone: Desfolhada
  15. Patti Smith: Gloria
  16. Neneh Cherry: Woman
  17. Elis Regina: Maria Maria
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Hallelujah

Hallelujah é a canção referência para melhor lembrar Leonard Cohen, que nos deixa neste ano horribilis. A palavra hebraica significa louvar a Deus e ninguém deste Mundo canta a canção de Leonard Cohen como Jeff Buckley e ambos partiram. Gosto de imaginar que estão juntos numa dimensão divina com Cohen a escrever e  Buckley a cantar e nós estamos a perder algo extraordinário aqui na Terra.

Nunca escondi o facto de não ser fã da voz de Cohen e preferir as suas canções na voz de outros cantores. Leonard Cohen é antes de mais um compositor – um poeta e não faltam interpretes que relembrem as palavras tristes, apaixonadas, sexy. Escolhi 5 delas na miríade de tantas canções escritas pelo compositor canadiano.

Damien Rice, amiúde confessa o seu amor pelas canções de Leonard Cohen e faz uma bonita rendição de um dos seus temas: “Famous Blue Raincoat”, na playlist que segue, acrescentei uma outra na bonita voz de Tori Amos.

Playlist: Cohen Covers

  1. Jeff Buckley: Hallelujah
  2. Kate Gibson: Dance me til the End of Love
  3. The Neville Brothers: Bird on the Wire
  4. Tori Amos: Famous Blue Raincoat
  5. Rufus Wainright: Chelsea Hotel nº2

 

Soul Covers

O tempo continua cinzento e o Mixtape prolonga o período introspectivo. A frase que serve de mote para uma compilação que reúne versões de temas que ganham alma na voz de outros intérpretes, foi proferida numa cerimónia dos prémios Grammy em 1990. A apresentadora, introduziu o tema da actuação de Sinéad O’Connor da seguinte maneira “Prince, escreveu a canção, Sinéad deu-lhe alma…” A canção em questão, “Nothing Compares to You”, foi o single de catapultou Sinéad para a fama. Todos conhecem a canção na voz da cantora irlandesa, mas poucos sabem que a canção foi escrita e cantada por Prince. 

 Há muitas outras canções que se destacam na voz de outros intérpretes. Eis algumas das minhas favoritas.

“Nothing Compares to You”, Sinead O’Connor
(original: Prince)

Sinéad canta o tema como se vivesse dentro de si durante anos, a sua cândida voz expressa um sofrimento muito seu, apesar do tema não ser da sua autoria. A maioria assume que ela canta a saudade de um amor que acabou, mas segundo a própria, ela canta pensando na mãe que durante anos lhe infligiu sofrimento e só após a sua morte conseguiu sentir compaixão por ela. A lágrima solitária que cai sobre o seu rosto no vídeo, não é algo encenado e o sofrimento que destila da sua voz, também não…

“Halleluiah”, Jeff Buckley
(original: Leonard Cohen)

Para mim, a voz é muito importante e é, muitas vezes, o factor decisivo para gostar ou não de uma canção. Leonard Cohen é um compositor prendado, não o posso negar, mas a sua voz é como o som de unhas deslizando em quadro negro – insuportável. As suas canções na voz de outros intérpretes ganham uma nova dimensão e colocam o foco de atenção nas palavras que compôs. Halleluiah, na voz de Jeff Buckley ganha uma dimensão etérea. Um sigelo som de guitarra eléctrica complementa os versos suspirados em voz angelical. Buckley faz deste tema uma quase experiência religiosa que deixa qualquer ateu rendido.O meu adorado Damien Rice também canta este tema, mas,nem ele, nem nenhum outro chega aos pés de Jeff Buckley.

“Dance me til the End of Love”, Kate Gibson
(original: Leonard Cohen)

E para não me baterem, quando digo que a voz de Leonard Cohen é-me insuportável, reforço a minha convicção que as palavras de Cohen, na voz de outros cantores ganham uma nova vida, com outro exemplo. Este tema insere-se na banda sonora do filme “Estranhos Prazeres” e não se afasta muito do registo musical do original, porém na voz de Kate Gibson revela-se uma experiência muito diferente.

“Help”, Silence 4
(original:Beatles)

Os Silence4 chamaram a atenção até si com uma versão muito bem conseguida de um tema dos Erasure: “A Little Respect”. Esta não foi a única versão que fizeram ao longo da curta carreira, mas a mais controversa foi uma versão de um tema dos imortais Beatles. A razão da controvérsia foi a distância abismal da música original, mas é precisamente isso que me faz amar o tema. Enquanto, os Beatles e outros intérpretes mantiveram a sonoridade jovial e alegre (como descrevendo um adolescente ás aranhas com a puberdade), os acordes de Rui Costa e a voz de David Fonseca em sintonia com a de Sofia Lisboa, deram ao tema o tom angustiante que merecia.

“Just Don’t Know What to do With Myself”, White Stripes
(original Dionne Warwick)

Outro exemplo de diferença abismal entre o original e a versão. Os Whites Stripes não só adoptam um som lânguido e sensual ao tema R&B de Dione Warwick, como proporcionam um videoclip espectacular realizado pela Sofia Copolla (sim, ela mesma!)que incute em mim uma irresistível vontade de me matricular num curso de pole dancing (a sério…).

“Hurt”, Johnny Cash
(original: Nine Inch Nails)

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Este tema teve a sua quota parte de versões, confesso que todas elas me passaram ao lado, até ouvir a versão tocada e interpretada por Johnny Cash. A pouco tempo de morrer, gravou o vídeo mostrando um muito envelhecido Cash. Carrega nos ombros o peso desta canção como se saísse do seu interior, uma reminiscência dos anos de dor emocional causada pela perda do seu irmão e os muito excessos a que sacumbiu. Esta é a sua canção de redempção e é impossível não se deixar levar pela emoção ao vê-lo cantar:“If I could start again, A million miles away, I would keep myself, I would find a way”

“Lhorando”, Rebeka Del Rio
(original: Roy Orbison)

Tanto o original de Roy Orbison, como a versão em companhia de KD Lang são boas, mas esta, cantada em espanhol na portentosa e triste voz de Rebeka corta-me a respiração,(ainda mais fazendo parte de uma cena chave do filme de Lynch “Mulholand Drive”). Em capella, a voz da mexicana Del Rio é forte o suficiente para sentirmos a dor da uma separação retratada na canção.

“Stronger”, 30 Seconds to Mars
(original: Kayne West)


Confesso que demorei um pouco a perceber o vestígio do original de Kayne West. A letra ganha maior relevância com este sedutor arranjo musical. A voz doce sussurrante de Jared Leto imprime uma dimensão emocional mais forte que o dançante original. A batida da bateria no refrão lembra um bater de coração desassossegado. Brilhante!

“Conta-me Histórias”, Clã
(original: Xutos e Pontapés)

Eis um arranjo que não se afasta muito do original dos Xutos e Pontapés, mas é tocado em ritmo mais lento, lânguido, sensual e abençoado com a belíssima voz de Manela Azevedo. Uma bonita história de amor que brilha mais em voz feminina.

“Girl, You’ll Be a Woman Soon”, Urge Overkill
(original: Neil Diamond)

Em comum, o original e a versão apenas têm a letra. O arranjo musical dos Urge Overkill faz de uma canção pimba made in USA, um deleite para os ouvidos. Som voluptuoso das guitarras e voz rouca e sensual do vocalista relegam o original de Neil Diamond para o total esquecimento. A imagem de Uma Thurman a dançar os som deste tema, imortalizaram a canção no consciente colectivo.

“Last Kiss”, Pearl Jam
(original: J. Frank Wilson and the Cavaliers)

Das muitas versões que os Pearl Jam fizeram ao longo de duas décadas, esta é a minha favorita e relançou a banda de Seattle para os tops, embora nunca tívessem saído da lista de preferência da extensa comunidade de fãs. Este tema, ao vivo, é grandioso, sentido no meio de uma multidão que canta em uníssono estes versos. No concerto do Restelo em 2000, um problema com a bateria deu origem a uma inesquecível introdução acapella protagonizada por Eddie Vedder e o público.

“Running up that Hill”, Placebo
(Original: Kate Bush)

A extensa lista de covers feitas pelos Placebo já proporciou um cd compilando as melhores. É difícil escolher uma favorita, mas tendo em conta o tema, escolho esta. O arranjo musical do original de Kate Bush imprime uma paixão em intensidade orgásmica que é ampliada quando tocada ao vivo. A voz de Brian Molko é particular e fora do comum, mas para mim extasiante.

I don’t Like Mondays: Tori Amos
(original The Boomtown Rats)

Na voz e mãos de Tori Amos, esta canção transfigura-se completamente e ganha uma nova vida como uma canção de embalar. Um cunho muito pessoal que só a doçura da voz de Tori e o sibilar do seu piano consegue fazer.

Mad World: Gary Jules
(original: Tears for Fears)

A versão de Gary Jules, imprime uma melancolia e tristeza que nos transmite a verdadeira dimensão dos versos originais da banda dos anos 80 Tears for Fears. A maneira como canta: “I find it kind of funny, find it kind of sad. The dreams in which I’m dying are the best I ever had” encaixa-se na perfeição no ambiente do filme surpresa “Donnie Darko”, do qual faz parte. Aqui, um video feito com imagens do filme.

Song to the Siren: This Mortal Coil
(original: Tim Buckley)


O vídeoclip pode ser foleiro, mas a versão feita por This Mortail Coil, suplanta o original de Tim Buckley. Esta canção já conheceu inúmeras versões, mas a voz de Elizabeth Fraser parece a de uma ninfa que encanta os navegadores em odisseia pelo mar, ou ferverosos amantes de música.

Playlist: «Soul Covers»

  1. “Nothing Compares to You”: Sinéad O’Connor
  2. “Halleluiah: Jeff Buckley
  3. “Dance Me til the End of Love”: Kate Gibson
  4. “Help”: Silence 4
  5. “Just Don’t Know What to do With Myself”: White Stripes
  6. “Hurt”: Johnny Cash
  7. “Lhorando”: Rebeka Del Rio
  8. “Stronger”: 30 Seconds to Mars
  9. “Conta-me Histórias”: Clã
  10. “Girl, You’ll Be a Woman Soon”: Urge Overkill
  11. “Last Kiss”: Pearl Jam
  12. “Running up that Hill”: Placebo
  13. “I Don’t Like Mondays” : Tori Amos
  14. “Mad World” : Gary Jules
  15. “Song to the Siren”: This Mortal Coil