Top Piegas

A imagem ilustra a “Apoteose da baba e ranho”, expressão que uso quando assisto a uma cena demasiado emocional. Numa semana plena de razões para chorar, eis uma lista onde podem chorar à vontade –  O top 10 de filmes que me levaram às lágrimas. A tal apoteose da baba e ranho, atenção, não é uma figura de estilo, mas uma expressão que deve ser levada à letra. Não gosto de tops pois não consigo quantificar algo como sendo melhor que outro, porém tendo em conta que este top se baseia no número de lágrimas choradas por metro de fita cinematográfica, torna-se bem mais fácil.
Não se pense que, por criar o Top Piegas sou pessoa de choro fácil, nada mais afastado da realidade. Contudo, sentada numa cadeira de sala de cinema, onde a o instrumental alia-se com a imagem, o meu canal lacrimoso é atacado em força. Tendo em conta que metade deste top diz respeito a filmes visionados na infância, explica a facilidade da lágrima, porém a segunda metade corresponde à idade adulta e após rever os seguintes clips, rodeada de lenços de papel encharcados e com olhos inchados. Chego à conclusão que ainda atingem o canal lacrimoso.
Aqui fica, por ordem decrescente de lágrimas
1. ET – EXTRA TERRESTRIAL (E.T – O Extra Terrestre)
Razão: Captura e morte do E.T

Aqui está um exemplo que faz jus  à ilustração que introduz este tema. Para uma criança de 5 anos que nem sabia ler as legendas e via o seu primeiro filme não animado numa sala de cinema, o E.T era um animal de estimação que, tal como um cão, adoraria mimar. Assim que vi os homens com os fatos espaciais a entrar na casa, pressenti imediatamente que o E.T estava ameaçado e berrei em pranto. Devo ter chateado metade da lotação daquela sala com a minha berraria soluçante mas, sinceramente, nunca havia sentido uma tristeza tão avassaladora na minha curta vida. Quando o E.T  jaz no chão e chama desesperado por Elliot quando são separados, entro em choque e chorei com tal intensidade que a minha garganta inchou, os meus ouvidos entupiram, engasguei-me na própria baba e preguei um grande susto à minha mãe. Juro que nunca na vida chorei tanto como naquele momento – nem mesmo nas férias do Algarve, no ano seguinte, quando escorreguei de um muro, deixando a coxa em carne viva e acreditei piamente que ia morrer. No limiar da década de 90, já o E.T estava disponível para aluguer e passava na tv, não diminuiu muito o meu fluxo lacrimal. Já na adolescência, via o E.T com uma toalha no colo, longe de olhares alheios para não verem a minha triste figura. Pela ocasião do vigésimo aniversário da estreia do filme, já tinha algum controlo e “flanqueada” por dois distintos críticos de cinema, pratiquei (com treino) o que chamo de “choro em silêncio”.
2. NEVER ENDING STORY ( História Interminável)
Razão: A morte de Artax

“História Interminável” não guarda o recorde de mais lágrimas, porém detém o recorde absoluto de filme mais visto na infância – um total de mil e quinhentas e trinta e nove vezes. Nunca o vi no cinema, mas via-o obsessivamente no vídeo lá de casa. Assistia ao filme antes de ir para a escola, quando regressava, quando fazia os trabalhos de casa, quando recebia visitas dos amigos. Estes podem testemunhar a facilidade com que ligava a torneira das lágrimas quando o cavalo Artax sacumbiu às traiçoeiras águas do Pântano da Tristeza. Em minha defesa apraz dizer: se até o realizador do filme não resistiu à emoção ao gravar a cena, imagine-se qual o estado de espírito desta amante suprema de animais, ao ver a morte de um cavalo. A mancha da mesa da sala de estar da minha antiga casa, atesta o meu estado de precipitação lacrimal.
3. ELEPHANT MAN (O Homem Elefante)
Razão: Crueldade Humana


Vi este filme na tv quando era novinha, na altura não sabia que o personagem de John Merrick era baseado numa pessoa real. Mesmo alheia ao pormenor da veracidade da história de vida de Merrick, assistir a atroz crueldade humana, perante alguém fisica, cultura, emocionalmente diferente é algo que foi (e é) difícil assimilar. Particularmente em criança, mas ainda o é hoje. A profunda tristeza e horror pela forma como tratavam um ser humano deformado, como um bicho, ficou marcada na minha memória. Jamais esquecerei a desumanidade de uma multidão diante um finalmente feliz Merrick.

4. ANIMAL FARM (O Triunfo dos Porcos)
Razão: Morte de Boxie

Achei estranho assistir a um filme de animação em plena noite, mas o protagonismo de amorosos animais de quinta a conviver em harmonia uns com os outros, sossegou a minha mãe que permitiu que a sua filha de 8 anos ficasse até mais tarde a ver televisão. Mal sabia ela, muito menos eu, que o filme nada tinha de infantil e tudo de revolucionário. A adaptação cinematográfica do livro de George Ornell “O Triunfo dos Porcos” é um retrato crítico á sociedade capitalista que corrompe os valores humanos. Assim que os amorosos porquinhos cresceram para personificar malvados tiranos que escravizam os restantes animais de quinta, questionei-me como seria possível existir um filme de desenhos animados tão cruel. Quando o cavalo Boxer morreu já estava lavada em lágrimas e fui de bom grado para a cama antes de terminar o filme. Façam o que quiserem mas, pelo amor de Deus, não matem os animais! Até o serial killer de “O silêncio dos Inocentes” tinha estima pelo seu cãozinho. Ainda bem que a minha mãe nunca me levou a ver o “Bambi”! Imaginem o descalabro que isso significaria para tamanha defensora da causa animal.
5. DEAD MAN WALKING (A Última Caminhada)
Razão: Redenção, Humanidade


A meio da tabela, chegamos aos filmes visionados em idade adulta. Lembro-me do arrumador nazi da já extinta sala Alfa e como chorei baba e ranho, limpando tudo nas mangas da camisa, não não fosse o homem apontar-me a luzinha e expulsar-me dali. Um espectador ousou perguntar porque as luzes estavam acesas na altura dos trailers e o arrumador Nazi resmungou apoplético “tou farto de dizer que é sempre assim durante os trailers!” Medo, medo! Pena de morte é um assunto que já de si me melindra bastante, acho uma hipocrisia o mesmo Estado que diz não deves matar, o faça impunemente, porém, o que mais me comoveu foi a humanidade da irmã Prejean nas suas palavras: “ You look at me when they do this thing and I’ll be the face of love for you”. Baseado no verdadeiro testemunho da irmã, este mostra que o ódio não se combate com ódio. A dúvida sobre a culpabilidade de Poncelet permanece durante todo o filme, até ao momento final. Vendo atrocidade do crime cometido em paralelo com o “assassinato estatal” testemunha-se que a redenção  provêm do reconhecimento da verdade, assim como o maior castigo.

6. SCHINDLER’S LIST (A Lista de Schindler)
Razão: Extrema Crueldade Humana


Steven Spielberg está no top da minha lista de realizadores favoritos( ainda nem havia atingido a puberdade e já o era). É a minha convicção inabalável que Spielberg faz filmes extraordinários, muito bons e bons, jamais maus! Acho que em toda a filmografia, apenas falhei um escasso par de títulos. A Lista de Schindler esteve muito perto de ser um filme não visionado devido ao tema que sempre me melindrou – o Holocausto. Spielberg até aqui era conhecido pela boa disposição e entretenimento que imprimia nos seus filmes, lidar com tema tão obscuro e pesado parecia algo totalmente fora do seu alcance. A minha dedicação ao realizador venceu, mas foi uma experiência demasiado brutal. De tal intensidade que pela altura do massacre no ghetto (cena que não figura neste vídeo devido ao conteúdo violento do mesmo), senti vontade de vomitar e estive mesmo para sair da sala tal o prolongamento da agonia, dos gritos, do sangue (que era a preto e branco), da crueldade extrema – aleatória, cega, sem compaixão, sentido ou humanidade. Nem tinha a desculpa de assimilar que esta era uma obra de ficção. Saber que tamanha atrocidade aconteceu em pleno século XX é demasiado para quem ingenuamente acredita na bondade humana.

7. DANCER IN THE DARK

Razão: Destruição de um Coração Puro


Eis um filme que deliberadamente exagera no grau de crueldade, trazendo a má sorte, incompreensão e corrupção emocional ás suas personagens. Lars Von Trier e Björk, respectivamente realizador e cantora, que não me agradam particularmente, abriram a minha torneira da choradeira com um relato de faca e alguidar que não lembra o menino Jesus. Uma emigrante de leste, inocente e pura, luta para sustentar o filho, sonhando viver dentro de um musical. A moçoila é enganada pelo vizinho que lhe rouba as economias para pagar os gastos excessivos da mulher e a partir daí a pobre Selma sente na pele o degredo semelhante à figura bíblica de Jó. Não consegui resistir e o grande culpado é a magistral composição musical. De que outra maneira se pode explicar as lágrimas que rolaram logo no genérico de abertura? Um ecrã a negro só com um instrumental – pelo amor dos santos! Mas, confesso, chorei porque é-me difícil assistir á destruição de um coração puro. Ficção ou não.

8. TITANIC
Razão: Morte do Navio


Aposto que estão surpresos por este filme não figurar no topo da lista? Embora tenha havido sessões de choro fortes, foram um tanto ou quanto dessincronizadas com o resto da audiência. Para começar chorei logo nos créditos introdutórios (onde já se viu?!). A choradeira, ainda que ao nível silencioso, aumentou de tom a partir do momento que o navio fica condenado a morrer. Esqueçam a Rose e o Jack, história de amor, tadinho do parzinho vai ficar separado. Não. Eu chorei com a destruição do navio e o pânico dos passageiros. James Cameron fez um trabalho esplêndido ao trazer de volta a memória do Titanic, com tal fidelidade, veracidade e humanidade que os espectadores sentiram empatia pelos personagens, sabendo de cor o seu destino. Foi impossível compilar todos os momentos Buá, mas este seguramente é um deles.

9. COLOR PURPLE (Cor Púrpura)
Razão: Separação das Irmãs


A única felicidade de Cellie no meio de abusos, maltratos e desrespeito, sofridos desde tenra idade, é a sua irmã. Quando o marido ciumento de Celie as separa, sentimos na alma a dor da separação das duas irmãs que se amam. Se vocês não sentem nem um prenúncio de uma lágrima que seja nesta cena, desculpem lá, mas algo de muito errado se passa com o vosso centro emocional. Tenho dito!
10. REQUIEM FOR A DREAM
Razão: Desilusão de uma vida perdida

O segundo filme realizado por Darren Aronofsky não é de fácil visionamento e seguramente não o verei de novo, porém, é uma viagem emocional que ninguém deve perder. Um filme visual e musicalmente magistral, percorre as estações do ano como estados emocionais. Segue do encantamento e euforia da Primavera, para a devastação e decepção cruel do Inverno. Aronosfsky fala de vícios, não só químicos, mas aqueles que guardam a ilusão de uma vida melhor. O nível de choro atinge o pico do insuportável nesta cena, quando Marion pede para Harry regressar a casa e este mente dizendo que em breve o fará. É de uma tristeza avassaladora, pois tanto o espectador, como as personagens sabem que tal não vai acontecer, apenas se agarram a uma réstia de esperança que em breve morrerá.

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